Enquanto plataforma de pagamento flexível, a Paynest tem desempenhado um papel relevante na literacia financeira dos utilizadores. Com vista a conhecer melhor a empresa e o seu portefólio, a RHmagazine entrevistou o Cofundador e CEO da Paynest, Nuno Pereira.
A Paynest foi lançada no final de 2022 em Portugal e na Grécia. Quantas empresas e quantos colaboradores já utilizam a vossa plataforma?
A Paynest foi lançada em Portugal e na Grécia no final de 2022 e os resultados têm sido muito positivos. Até ao momento, temos parcerias com dezenas de empresas em Portugal e na Grécia, e já estamos a ter impacto em milhares de colaboradores, que já estão a usufruir dos benefícios da nossa plataforma.
Qual tem sido o feedback que tem recebido acerca do endividamento dos colaboradores nas empresas? É um assunto cada vez mais atual e preocupante…
O feedback que temos recebido sobre a nossa ação na prevenção do endividamento dos colaboradores tem sido bastante positivo. Muitas empresas relatam um grande aumento nos pedidos de ajuda dos colaboradores que, com a subida da inflação e das taxas de juros, têm acrescidas dificuldades financeiras.
Esta solução digital da Paynest permite às empresas ajudar no combate ao endividamento dos seus colaboradores. Como se propõem a fazê-lo?
A Paynest ajuda as empresas a auxiliarem os seus colaboradores no combate ao endividamento, ao proporcionar flexibilidade no pagamento de salários. Dentro das nossas soluções, existe a opção on-demand, que permite aos colaboradores das empresas aderentes acederem ao salário referente ao trabalho já realizado de forma instantânea, e também há a possibilidade de aceder a salários futuros, para dar resposta a imprevistos de maior valor e evitar o recurso a microcréditos, cujos juros criam uma situação mais difícil de comportar, criando uma bola de neve de endividamento.
Além disso, fornecemos conteúdos especializados e acesso individual, personalizado e confidencial a coaches financeiros para melhorar a literacia financeira dos colaboradores, capacitando-os para tomarem decisões financeiras mais informadas.
A acrescentar à solução on-demand que permite aos colaboradores das empresas aderentes acederem ao salário referente ao trabalho já realizado de forma instantânea, oferecem agora também, a possibilidade de aceder a salários futuros para dar resposta a imprevistos de maior valor e evitar o recurso a microcréditos. Como surgiu esta solução e porquê?
A funcionalidade de acesso a salários futuros surgiu da nossa vontade de oferecer uma solução abrangente para os desafios financeiros dos trabalhadores e que desse resposta às necessidades das empresas – como resultado do feedback que nos foram transmitindo durante a nossa colaboração.
São várias as empresas que já o fazem ou querem fazer, mas isso representa um aumento na carga administrativa de RH. Assim, a nossa solução permitiria agilizar todo o processo.
Dar a possibilidade de adiantar subsídios de férias e Natal, antecipar um bónus ou pagar a pronto custos de educação é positivo para ambos – o trabalhador consegue resolver as suas urgências financeiras a curto prazo, e a empresa retém o seu talento.
Ao permitir o acesso a salários futuros de forma responsável, estamos a oferecer aos colaboradores uma alternativa mais segura e sustentável financeiramente.
Sendo a literacia financeira um dos focos da Paynest, como é trabalhado este tema e como tem sido gerido internamente?
A Paynest é a solução mais completa e viável para as empresas apoiarem os seus colaboradores na sua jornada financeira, por agrupar os dois tipos de serviços: adiantamentos salariais, que falámos anteriormente, e educação financeira. Assim, o colaborador dispõe gratuitamente, através da app, de diversos conteúdos e coaches especializados que ajudam a entender como gerir melhor os rendimentos, evitando situações de necessidade de endividamento, e esclarecer dúvidas específicas sobre o contexto de cada trabalhador.

Os conteúdos de literacia financeira são personalizados consoante o conhecimento do utilizador e aquilo que procura aprender, sendo avaliada a sua evolução e aumentando o grau de expertise dos conteúdos a par disso. Adicionalmente, dispõe de apoio personalizado e individual de coaches financeiros, que podem responder às questões de cada colaborador, através de um chat. Este contacto com os coaches financeiros é confidencial, pelo que o empregador não tem acesso a nenhuma informação partilhada no âmbito destas conversas.
Estes coaches têm muita experiência nesta área e a componente pedagógica que é esperada para ajudar todo o tipo de colaboradores com diferentes conhecimentos sobre finanças. Mantemos sempre uma postura de imparcialidade, uma vez que não recomendamos qualquer produto financeiro ou bancos.
Relacionado com a pergunta anterior, para quem procura um novo emprego, os serviços Paynest podem ser um incentivo para entrar numa empresa. Consideram que estes serviços, dentro de uma organização, são mais atrativos para um público mais jovem, um público mais sénior ou ambos? Direcionam os conteúdos para ambos ou tentam diferenciar as abordagens?
Acreditamos que os nossos serviços são atrativos para um público diversificado, abrangendo todas as faixas etárias, na medida em que as preocupações financeiras podem afetar pessoas de todas as idades, com diversos níveis de experiência e em qualquer escalão.
Até quem aufere um maior rendimento pode ter desafios financeiros, ou não saber como rentabilizar o seu dinheiro e preparar o seu futuro, por falta de literacia. Este último ponto é essencial para o sucesso dos colaboradores.
Os coaches financeiros que prestam auxílio aos colaboradores adaptado caso a caso, e não uma resposta automática e generalizada, ajudando todo o tipo de colaboradores, com diferentes conhecimentos sobre finanças.
O nosso objetivo é oferecer uma solução relevante para todos.
Como a vossa solução pode ajudar os profissionais de RH a aumentar a sua atratividade e melhorar a retenção de talento?
O mercado de trabalho é altamente competitivo. Há uma grande escassez de talento, em diversas áreas, e, por esse motivo, é cada vez mais o profissional que escolhe o empregador. Os empregadores precisam, por isso, de se diferenciar através de benefícios impactantes que vão além do salário – como por exemplo, a semana de quatro dias, o modelo de trabalho preferencialmente remoto, ou outros incentivos financeiros.
Portanto, ter a opção de pagamento flexível pode pesar muito numa oferta de emprego, especialmente quando os trabalhadores necessitam de um maior salário para fazer face à inflação e as empresas não conseguem acompanhar esta subida.
A disponibilidade de adiantamentos faz a diferença, pois permite ao colaborador ter a confiança de que, numa situação de emergência, a sua empresa está preparada para o apoiar. Isso reduz as suas preocupações e faz com que se sinta melhor no seu local de trabalho e tenha uma melhor relação com o empregador.
Esta solução poderá melhorar os níveis de retenção, na medida em que permite dar resposta aos colaboradores que procuram outras oportunidades que ofereçam mais benefícios monetários. Também há uma melhoria ao nível da produtividade, pois há um alívio da preocupação com as questões financeiras que impactam a performance do profissional. Para quem trabalha por turnos, também será previsível um aumento do número de turnos por colaborador, uma vez que este modelo salarial mais flexível lhes dá maior controlo sobre o que podem receber.
Por fim, uma empresa que ofereça os benefícios providenciados pela Paynest será percebida como pioneira, pois o processo de adiantamento já existe, mas ainda é muito complexo, demorado e pouco transparente, e coloca os trabalhadores numa posição muito desconfortável. A componente de educação financeira é muito relevante, pois não se trata apenas de dar liquidez às pessoas, é capacitá-las para aumentarem de forma autónoma e livre os seus rendimentos.