“Uma curva ascendente” é como Diogo Antunes descreve a adoção de People Analytics em Portugal por parte das grandes empresas. Tal como outras organizações, a Santander Portugal, subsidiária do banco espanhol, tem procurado usar dados como uma forma de suporte na tomada das suas decisões no departamento de RH.
De forma a atingir este objetivo, tornou-se importante escolher os elementos certos para fazer as leituras dos dados e implementar as estratégias necessárias para a gestão dos recursos humanos do grupo. “Os dados, por si só, não contam tudo”, acrescenta Diogo Antunes.
Antes de chegar ao Santander como Head of People Analytics, Diogo Antunes já tinha uma carreira de oito anos na NOS, onde exerceu vários cargos relacionados com a área até chegar à função atual. Mas pondo de lado a experiência, Antunes admite que o aspeto que mais suporta a leitura da informação, com uma lógica e coerência que permite trazer insights valiosos, é um pouco de storytelling.
“Todos nós temos uma oportunidade para contarmos uma história e essa pode ser única. É através da nossa capacidade de encontrarmos elementos certos que podemos tornar uma história singular e capaz de persuadir a nossa audiência. Os dados por si só não vendem, não dão inspiração”, justifica Diogo Antunes.
Para Diogo Antunes, a história que os dados podem dar não pode ser dissociada da visualização dos mesmos. “A mais bela ilustração dos dados pode correr o risco de não ser percetível se não existir uma narrativa entusiasmante por trás. Por isso é importante que a forma de visualizar os dados, o ato de transmitir informação através da representação visual dos dados, e o data storytelling, a forma como criamos uma narrativa suportada por esses dados, estejam interligados.
À medida que a criação e geração de dados se tornou progressivamente galopante nas empresas, tornou-se relevante para empresas como o Santander Portugal uma apreciação visual dos dados. Diogo Antunes explica que empresas como o Santander recebem 5 vezes mais informação do que recebiam em 1986 e o tempo que demora a perceber o sentido de um elemento visual é um décimo de um segundo. Acrescenta que o ritmo de desenvolvimento da informação tem sido tão rápido que, em 2015, 90% da informação gerada no mundo inteiro tinha sido feita nos últimos dois anos.
“Trata-se, por um lado, de como podemos tirar conclusões dos dados e, por outro, como tirar melhor partido deles. Isto é essencial para RH”, sintetiza Diogo Antunes.
Um exemplo que o Head of People Analytics referenciou, durante a sua apresentação no People Analytics Day 2023, foi o caso de uma organização estar a experienciar uma vaga de demissões. Antunes explicou que o problema não é perceber qual vai ser o impacto global, mas sim em áreas críticas (como Tecnologias de Informação) e onde é que as demissões podem ser preocupantes.
“Numa comparação, um gestor de recursos humanos pode decidir usar um gráfico de barras ou de barras empilhadas, de forma a comparar diferentes categorias de valores. Um ranking pode ser usado para enfatizar os melhores resultados, enquanto um diagrama de “part-to-whole” serve para medir valores que compara um todo de algo com outro e, depois, como eles se comparam com um todo. Numa distribuição, um box plot pode servir para comparar e um gráfico de “ramos de árvore” para mostrar a distribuição dos valores”, enumera.
Como levar o storytelling dos dados a um novo nível
Após apresentar alguns exemplos, o Head of People Analytics do Santander Portugal apresentou algumas dicas de como levar o storytelling dos dados a um novo nível.

“A prioridade em qualquer interpretação dos dados é entender o contexto, escolher um visual apropriado, remover o “entulho” visual, dar atenção onde é necessário – ou seja, sublinhar ou colocar em destaque os dados que queremos focar -, pensar como um designer e, acima de tudo, contar uma história”, conclui.
Apesar de a jornada em People Analytics ser longa e requer muito tempo e dedicação, Diogo Antunes elogiou o esforço que muitas das empresas presentes no People Analytics Day já fizeram na área, como a Galp, a Salvador Caetano ou a EDP.
“O que nós queremos é saber contar uma história apelativa, visualmente forte para influenciar a decisão e com isso fazer a diferença”, explica Antunes, salientando que foi esta a forma que utilizou para conseguir tomar medidas através dos dados fornecidos.