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IA está a acelerar mudanças que chegam muito além das funções e competências. Está também a interferir nas decisões sobre onde e de que forma se trabalha. Segundo um estudo da International Workplace Group (IWG), seis em cada 10 CEO e CFO admitem que a evolução da tecnologia tornou mais difícil prever quanto espaço de escritório irão precisar dentro de apenas dois anos. E essa incerteza está a pesar nos compromissos imobiliários de longo prazo.
O estudo, realizado pela Censuswide, ouviu 1000 CEO e CFO no Reino Unido e nos Estados Unidos entre 3 e 9 de junho de 2026. Os resultados não dizem, por isso, respeito ao mercado português, mas apontam para uma transformação que cruza tecnologia, custos e novos modelos de organização do trabalho.
Os dados mostram que 73% dos responsáveis ouvidos afirmam que a transformação tecnológica, incluindo a IA, tornou as suas organizações menos disponíveis para assumir contratos de arrendamento de escritórios a longo prazo ou outras soluções imobiliárias tradicionais.
A imprevisibilidade é uma das razões. Para 60% dos inquiridos, o desenvolvimento da IA tornou mais difícil antecipar as necessidades de espaço das organizações num horizonte de dois anos. E 88% dos CEO consideram que esta evolução torna essencial dispor de maior flexibilidade nas soluções imobiliárias e nos espaços de trabalho.
A tecnologia está também a interferir no mapa do trabalho. Entre os responsáveis ouvidos, 42% consideram que a evolução tecnológica, incluindo a IA, facilita o trabalho à distância e reduz a necessidade de manter um escritório central. Outros 39% dizem que favorece modelos de escritórios descentralizados ou flexíveis e 37% destacam a possibilidade de chegar a talento distribuído por diferentes geografias.
A tendência acompanha uma preocupação quase transversal com os custos. Praticamente todos os CEO e CFO inquiridos (99,8%) afirmam que as suas organizações estão a procurar transformar custos imobiliários fixos em custos mais variáveis. A redução de custos influencia as decisões sobre a localização dos espaços de trabalho para 99% dos responsáveis e, para 27%, é já o principal fator de decisão.
É neste contexto que 57% das organizações dizem estar a investir em soluções de trabalho híbrido, 55% procuram criar uma rede de espaços de trabalho mais próxima dos locais onde os colaboradores vivem e 52% estão a considerar modelos de trabalho descentralizados.
No entanto, a maior flexibilidade não significa que o escritório esteja a perder espaço nas organizações. Pelo contrário. Mais de três quartos dos CEO (76%) acreditam que o escritório se tornará mais importante para as respetivas empresas nos próximos dois anos. Apenas 0,8% antecipam uma perda de importância.
E em Portugal? Os escritórios também estão a mudar?
Por cá, há sinais de uma transformação semelhante na utilização dos espaços. O estudo “Teletrabalho em Portugal: desafios e oportunidades do futuro”, apresentado pela Worx e pela Gi Group Holding em outubro de 2025, concluiu que 51% dos inquiridos já tinham transformado os escritórios ou estavam a fazê-lo. Outros 45% das organizações já tinham adotado ou planeavam adotar soluções de flexoffice.
Também as expectativas dos trabalhadores parecem estar a mudar: segundo o mesmo estudo, 81% atribuem atualmente maior importância às áreas sociais, cafetarias e espaços de cozinha na experiência de trabalho presencial.
A transformação tecnológica é igualmente uma preocupação entre os líderes empresariais portugueses. De acordo com o 29.º CEO Survey da PwC, publicado em 2026, 48% dos CEO inquiridos em Portugal identificam a transformação do negócio para acompanhar a evolução tecnológica, incluindo a IA, entre as principais preocupações, acima dos 42% registados a nível global.
“A IA está a acelerar o ritmo da mudança em todas as empresas e, para terem sucesso, as organizações precisam de estratégias para os seus espaços de trabalho que lhes permitam aumentar ou reduzir rapidamente a capacidade, diminuir custos fixos desnecessários e proporcionar às suas equipas acesso a espaços profissionais de elevada qualidade onde quer que deles necessitem”, afirma Christian Schmitz, CEO da IWG, citada em comunicado. “Trata-se de dar às empresas a flexibilidade necessária para se adaptarem à evolução da tecnologia”, acrescenta, sublinhando que “ninguém sabe exatamente como será a sua organização daqui a dois anos, mas as empresas sabem que precisam de agilidade para responder à mudança. É precisamente essa capacidade que a plataforma da IWG foi desenvolvida para oferecer”.
Mark Dixon, fundador e Executive Chairman da IWG, considera que a velocidade da transformação ajuda a explicar a relutância em assumir compromissos imobiliários prolongados. “A IA não é apenas mais uma vaga de inovação. Está a acelerar a velocidade dos negócios a um ritmo que poucos poderiam ter antecipado, tornando muito mais difícil para as empresas prever aquilo de que irão necessitar, mesmo num horizonte de apenas dois anos. Neste contexto, assumir compromissos de longo prazo com espaços de escritório faz cada vez menos sentido.”
O futuro, nas palavras do próprio, “será marcado por empresas capazes de se adaptar rapidamente, aceder a talento independentemente da sua localização e disponibilizar espaços profissionais às suas equipas onde quer que estes sejam necessários. A IA tornará a criatividade, o discernimento e a capacidade de adaptação ainda mais valiosos, e os espaços de trabalho flexíveis dão às empresas a agilidade necessária para responder a essa transformação”.
Em Portugal, a IWG tem vindo a expandir a rede para fora dos principais centros urbanos, com espaços em São João da Madeira, Matosinhos, Alcabideche, Leça da Palmeira, Amarante, Portimão e Loulé. A empresa sustenta ainda que os modelos híbridos, sobretudo quando permitem trabalhar em espaços profissionais mais próximos de casa, podem proporcionar um aumento de 11% da produtividade nos próximos cinco anos.
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