Bruno Santos, responsável de Recursos Humanos da Cognizant (COG) Portugal, conversou com Valter Alcoforado Barreira, Head Business Development da Wonest Portugal, sobre a parceria da COG com a Wonest e explicou o impacto da prática de wellness nas organizações.
Gostaria de iniciar a nossa reflexão perguntando-lhe o que vos levou a darem-nos o privilégio de trabalharem com a Wonest?
A Cognizant, não só pela política que tem mundialmente em termos de wellness e bem-estar das pessoas, que tem uma grande focalização, devido à particularidade dos nossos projetos e também à particularidade da nossa população, sentimos uma grande necessidade de ter um parceiro que ajudasse as pessoas no seu dia-a-dia, tanto na integração como a sentirem-se bem nos projetos em que estão.
Além disso, apoio nas questões de vida pessoal ou de impostos, ou também em questões de consultas médicas que a Wonest tem sido um parceiro muito relevante para que as pessoas consigam integrar bem na empresa, chegar bem a Portugal, desempenhar bem as suas funções e estarem bem durante toda a sua vida aqui connosco.
Como é que o apoio da Wonest impacta a vida diária dos vossos colaboradores?
Com a Wonest temos duas frentes. Temos a frente de um plano muito intensivo de wellness, um bocado à luz de outros projetos em que temos os psicólogos de serviço, workshops para as pessoas, formações e certificações para os gestores de pessoas, para que todos eles possam no dia-a-dia lidar com o bem-estar das pessoas, gerir situações de stress e situações mais intensas. Portanto, essa vertente que é crítica para garantir a boa continuidade nos projetos e a saúde das pessoas nos projetos.
Depois temos outra vertente mais de apoio pessoal às pessoas. Quando elas chegam, por exemplo, para que elas possam se registar no centro de saúde ou alguém que queira marcar uma consulta – e quase todas as pessoas que nós temos não falam português – a Wonest a marcar uma consulta. Ou em outros casos quando não fazem ideia de como é que são os impostos em Portugal, ou como se entrega o IRS, a Wonest ajuda a explicar às pessoas como é que fazem todo esse procedimento. Ter toda essa ajuda devido à nossa população e à particularidade dos nossos projetos tem sido muito crítica e tem nos dado uma ajuda bastante positiva.
Como é que estes dois programas influenciam a atual cultura laboral e o ambiente no trabalho da empresa, que em si mesmo é muito heterogéneo, multifacetado, multicultural, multinacional e multilingue. Como é que neste meltingpot os vossos programas influenciam a cultura laboral e o ambiente de trabalho na empresa?
O programa de wellness é muito importante porque as pessoas têm de facto algum stress e alguma intensidade nos seus projetos, Por causa do programa, nós vemos que as pessoas se estão a sentir bem e não há grandes níveis de baixas, não há grandes situações preocupantes.
Isto leva-nos a crer que todo o acompanhamento e feedback das pessoas e dos nossos psicólogos que o programa é muito bem recebido. Eles vão recorrentemente a essas sessões, temos os workshops em que há grande participação, os team leads e os nossos gestores de equipa também têm essas formações para ajudar as pessoas e nós sentimos no dia-a-dia grande satisfação por parte delas por disponibilizarmos este tipo de serviços.
Por outro lado, nós temos muitas pessoas a vir todos os meses, contactamos imensas pessoas das quais 80% são estrangeiras e 40% vêm de fora. Portanto, essa ajuda para as pessoas se ajudarem a se integrar melhor no país, saber o que tem que fazer, onde é que tem que ir, ajudá-los com as diversas burocracias que o nosso país tem, são muito importantes. Sabemos que a integração é uma fase crítica na vida das pessoas na organização e essa ajuda é muito importante para que elas tenham uma integração rápida e forte connosco.
Ainda agora, obtiveram mais uma vez o prémio Top Employer, conquistaram também o Corporate Health & Wellbeing Certification Seal, sendo que ambos reconhecem o compromisso contínuo com o bem-estar dos colaboradores das empresas que são distinguidas com esses galardões e reconhecimentos. Gostaria de saber qual o papel dos nossos programas?
É muito importante porque a equipa corporativa é reduzida e temos muitas linhas de reporte internacionais, então a Wonest é uma extensão local na parte do wellbeing. Naturalmente, com a nossa supervisão e as nossas diretrizes, mas é a Wonest que executa o dia-a-dia, a vertente wellbeing, porque nós não temos uma equipa dedicada a isso como muitas outras empresas de outra dimensão tinham.
De facto temos tido relatórios regulares do número de pessoas que recorrem aos nossos serviços, que é bastante grande, e também o feedback das pessoas relativo aos vossos serviços e tem sido bastante positivo. Portanto, se nós formos diluir o custo que temos convosco em absentismos, em satisfação e em attrition, acaba por ser bastante diluído e acaba por ser um bom investimento porque de facto é impactante no bem-estar das pessoas e na qualidade das mesmas no dia-a-dia, o que para nós é um excelente retorno no investimento.
Hoje em dia as empresas de Recursos Humanos têm vários desafios que diariamente ouvimos falar e a gestão perene, ou seja, há sempre desafios constantes, mas à data de hoje, que importância acha que tem a implementação de um programa de bem-estar, não no passado, mas agora no mundo empresarial atual?
O mundo empresarial está cada vez mais rápido, mais exigente e competitivo. Hoje em dia as pessoas não ficam só pelo salário. As pessoas gostam de se sentir bem onde estão, gostam de ser reconhecidas, gostam de ser acarinhadas. Neste caso, uma empresa que invista no programa de wellbeing é uma empresa que se preocupa com as suas pessoas, faz com que as pessoas sintam reconhecimento para com elas. É preciso ter alguma maturidade, é preciso também ter dados que comprovem que o investimento tem retorno.
Porém, a médio/curto prazo qualquer empresa que invista nisto, seja em termos de absentismo, em termos de satisfação, rotatividade, em que nós sentimos um grande retorno em work-life balance, em absentismo que reduz, em rotatividade que não temos de substituir as pessoas, e também para pessoas que tiverem mais tempo ou alguém que os ajude nas suas tarefas do dia-a-dia, não tem que estar a faltar ao trabalho para as fazer, não tem que perder manhãs.
Nós temos um médico no escritório, o que faz com que as pessoas não têm de faltar para ir a uma consulta. O que nós gastamos nesse médico é largamente recuperado em ausências de ir ao médico.
Portanto, são coisas que às vezes as pessoas não pensam à frente, só pensam no custo imediato. Não pensam no retorno que depois têm desse investimento. São coisas que trazem bastante retorno e são bastante positivas, e mais do que tudo, são muito bem recebidas pelas pessoas, e de forma mais ou menos invisível, acabam por contribuir para o bem-estar das pessoas na organização.
Nesse sentido, as organizações procuram os resultados, nomeadamente a nível de produtividade e de envolvimento. Em consequência, baseado na sua experiência, recomendaria o Life Experience Plan ou um dos nossos programas tailor made, a outras empresas no mercado? Se sim, por que o faria?
Acho que é um serviço muito importante. Antes de entrar para a Cognizant, conhecia empresas multinacionais que tinham este tipo de serviços e sempre achei extraordinário haver empresas em que as pessoas podem ter acesso a muita coisa, que elas próprias não precisam de fazer. Assim, poupam tempo de vida pessoal, poupam ausência de trabalho. É preciso saber ler os dados e perceber que ganhos é que nós temos com esse investimento. Porque uma coisa é certa: satisfação das pessoas e reconhecimento, existe com certeza. Também é preciso que as pessoas tenham conhecimento dos programas e que possam usufruir dos mesmos, e que é algo que têm direito.
A seguir é saber ler o retorno sobre esses investimentos. E nós aqui temos claramente esse retorno porque sentimos no dia-a-dia, pela quantidade de vezes que as pessoas recorrem a esses serviços, a importância que tem para elas, o que elas ganham em termos de vida pessoal, tempo para se dedicarem mais ao trabalho, não pensam tanto em coisas que têm para fazer depois – o que ajuda imenso. Também em questões pessoais de maior apoio sentem que o têm aqui, e mais uma vez, não têm que recorrer a médicos externos ou psicólogos externos, porque nós próprios disponibilizamos isso. Isto faz com que elas se identifiquem mais connosco, se sentem mais reconhecidas connosco, e ajuda bastante a ter as pessoas mais satisfeitas.
Há alguma coisa que gostaria de acrescentar um pouco sobre como impactamos os resultados no seu papel como gestor de Recursos Humanos ou na empresa em geral?
Eu acho que hoje em dia as empresas estão muito focadas em custos, isto é óbvio, mas acho que mais que focadas em custos, devem estar mais focadas nas pessoas. Porque quanto mais as pessoas estão satisfeitas, maior é a produtividade e menores são os custos inerentes a muitas coisas que podem ser evitadas. É preciso saber ler esses dados, ter acesso a esses dados, perder algum tempo a analisar esses dados e perceber que de facto investir neste tipo de serviços compensa as empresas. É preciso haver maturidade. Eu digo muito uma coisa: não temos de inventar tudo, mas saber pelo menos copiar as boas práticas. Se existem boas práticas no mercado e se existem empresas que investem nisso, já que ninguém gosta de deitar dinheiro fora, é porque de facto trazem retorno às empresas. E às vezes, mesmo que não tenham os dados, é ter a abertura para falar com pessoas que investem nesses serviços e perguntar efetivamente que retorno é que elas têm.
Para assim se sentirem mais confortáveis em investir nesses serviços. Acho que isso é importante porque hoje em dia as pessoas têm muita focalização no bem-estar, têm muita focalização na vida pessoal, sabem a competitividade que há dos projetos e que a produtividade tem de ser boa, e que estes serviços de facto ajudam nisso. E acho que se as empresas não tiverem os dados, pelo menos tentem conhecer alguém que tenha o serviço e falem com elas sobre isso. Acho que isso é algo com que todos podemos sair a ganhar porque estamos a dar mais às pessoas. E como responsável de Recursos Humanos, a minha primeira prioridade são as pessoas, e se elas estão bem, a empresa está melhor. Acho que é por aí que temos de começar.
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