Autor: Marlene Silva, Senior Human Resources Manager da Eurotux
O setor de Tecnologia da Informação (TI) vive um momento desafiante em Portugal. A procura por profissionais qualificados cresce a um ritmo acelerado, impulsionada pela transformação digital, que se espalha em todos os setores da economia. No entanto, a oferta de mão de obra qualificada não acompanha esse ritmo, criando um cenário de escassez de talentos, que se configura como um dos principais desafios para as empresas portuguesas.
Para formular soluções adequadas, é fundamental compreendermos as causas subjacentes à escassez de talentos em TI. Entre os principais fatores que contribuem para esse cenário, podemos destacar:
- Aumento da procura: A rápida adoção de novas tecnologias pelas empresas, como cloud computing, Big Data, Inteligência Artificial e machine learning, impulsiona a procura por profissionais com habilidades específicas nessas áreas.
- Desalinhamento entre competências e procura: Nem sempre os currículos dos candidatos em TI correspondem às necessidades específicas das empresas, criando um hiato entre as expectativas do mercado e as qualificações disponíveis.
- Falta de incentivos e perspetivas de crescimento: A falta de planos de carreira claros, oportunidades de desenvolvimento profissional e remuneração competitiva pode desmotivar os profissionais de TI, levando os a buscar oportunidades em outras empresas ou até mesmo em outros países.
- Concorrência global: O mercado de TI é altamente globalizado, o que significa que os profissionais talentosos estão sujeitos a ofertas de emprego de empresas de todo o mundo, intensificando a disputa por mão de obra qualificada.
Perante este cenário desafiador, as empresas devem adotar uma abordagem estratégica e proativa para atrair e reter talentos em TI. Entre algumas das medidas mais importantes, destaco:
- Investir em Employer Branding: Construir uma marca forte como empregador é crucial para atrair os melhores talentos. Significa esta realidade comunicar os valores da empresa, a cultura de trabalho, os benefícios oferecidos e as oportunidades de desenvolvimento profissional.
- Melhorar processos de recrutamento e seleção: Adotar processos de recrutamento mais ágeis e eficientes, utilizando ferramentas digitais e técnicas inovadoras de avaliação de candidatos, pode ajudar a identificar os talentos mais adequados para cada vaga.
- Oferecer salários e benefícios competitivos: A remuneração e os benefícios oferecidos devem ser competitivos para atrair e reter talentos. Além do salário base, outras recompensas, como subsídio de alimentação em cartão, benefícios flexíveis, seguros de saúde, participação nos lucros e oportunidades de crescimento profissional, podem ser fatores de decisão importantes.
- Criar um ambiente de trabalho positivo e motivante: Um ambiente de trabalho positivo, com foco na colaboração, na aprendizagem contínua e no reconhecimento dos colaboradores é fundamental para reter talentos e aumentar a produtividade.
- Investir em formação e desenvolvimento: Oferecer programas de formação e desenvolvimento profissional contínuo é essencial para manter os colaboradores atualizados com as últimas tendências e tecnologias, além de contribuir para o seu crescimento pessoal e profissional.
- Promover a diversidade e inclusão: Criar um ambiente de trabalho diverso e inclusivo, onde todos se sintam respeitados e valorizados, independentemente de género, raça, orientação sexual, religião ou qualquer outra característica individual, é fundamental para atrair e reter talentos.
- Flexibilizar as condições de trabalho: Oferecer opções de trabalho flexível, como home office e horários flexíveis, pode ser um argumento importante para atrair e reter talentos, especialmente numa altura em que muita gente procura um melhor equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
- Cooperar com instituições de ensino: Num meio como o de TI, torna-se importante estabelecer contactos e parcerias com instituições de ensino. Esta ligação permite criar laços entre estudantes, mercado de trabalho e empresas e é uma relação de win-win.
Os estudantes contactam com a experiência e cultura empresariais, importante para o seu futuro, e a empresa acede a talento potencial para reforçar a sua equipa. No caso da Eurotux, por exemplo, existe uma estreita relação com a Universidade do Minho e com o Instituto Politécnico de Bragança, entre outros.
Enfrentar a escassez de talentos em TI exige um esforço conjunto de empresas, governo e instituições de ensino. As empresas devem adotar medidas proativas para atrair, reter e desenvolver as competências dos seus colaboradores. O governo deve investir em educação e qualificação profissional. As instituições de ensino, por sua vez, devem adequar seus currículos às necessidades do mercado de trabalho para melhor responderem a um mercado de trabalho jovem e dinâmico. Neste campo, a Eurotux foi reconhecida como uma das 50 Empresas Mais Comprometidas com a Juventude pela DCH – International Organisation of Human Capital Managers. A distinção foi concedida no âmbito do Ranking 2024 das Empresas Comprometidas com a Juventude e visa dar visibilidade e reconhecer o investimento privado em ações com impacto positivo na juventude.
A Eurotux tem implementada uma cultura de empresa assente nos argumentos apresentados neste artigo. Colaboramos com diferentes stakeholders para contribuirmos para a construção de um futuro promissor para o setor de TI em Portugal, um futuro em que a inovação e o talento sejam os pilares do nosso desenvolvimento, e em que os colaboradores sintam cada vez mais vontade de ficar na empresa.