Cerca de 75% dos trabalhadores em Portugal aufere um salário base até mil euros, de acordo com dados mais recentes da Segurança Social relativos a 2025, avançados esta segunda-feira, 23 de março, pelo Correio da Manhã (CM). Em termos absolutos, são mais de 3,7 milhões de pessoas, num universo de aproximadamente cinco milhões de trabalhadores.
Os números confirmam a forte concentração de rendimentos nos escalões mais baixos. A maioria dos trabalhadores situa-se entre os 800 e os mil euros de salário base – o terceiro escalão analisado -, intervalo que inclui também quem recebe o salário mínimo nacional, que em 2025 estava fixado em 870 euros. Apenas cerca de um quarto dos trabalhadores ultrapassa a fasquia dos mil euros mensais.
No topo da distribuição salarial, a realidade é significativamente mais restrita: pouco mais de 100 mil trabalhadores têm salários base superiores a quatro mil euros mensais, evidenciando uma estrutura salarial ainda pouco equilibrada e com reduzida expressão de rendimentos elevados. Quando consideradas todas as componentes remuneratórias, incluindo subsídios de férias e de Natal, horas extraordinárias e prémios, o rendimento médio mensal sobe para 1.656,12 euros. Já o valor médio das contribuições mensais fixou-se nos 563,84 euros, refletindo o peso das contribuições sociais sobre o rendimento do trabalho.
A leitura dos dados permite também caracterizar a estrutura do emprego. De acordo com o CM, cerca de 94% dos trabalhadores são por conta de outrem, enquanto os restantes correspondem a membros de órgãos estatutários. No entanto, o universo analisado inclui situações de pluriemprego, ou seja, trabalhadores com mais do que um vínculo a diferentes entidades empregadoras.
No plano agregado, as remunerações pagas ascenderam a 86,7 mil milhões de euros, distribuídas por mais de 512 mil entidades empregadoras. Este volume traduziu-se em cerca de 29,5 mil milhões de euros de contribuições para a Segurança Social, que encerrou o ano com um excedente de 6.732 milhões de euros, reforçando a sua sustentabilidade financeira no curto prazo.
Entre os trabalhadores independentes, o retrato é mais frágil. Dos cerca de 660 mil registados, maioritariamente mulheres, menos de 100 mil apresentam um rendimento médio mensal superior a 200 euros, o que aponta para níveis de rendimento significativamente inferiores face ao trabalho dependente.
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