As empresas portuguesas estão a recorrer de forma crescente a dados e ferramentas analíticas para apoiar decisões em matéria de remuneração e benefícios, segundo a nova edição do estudo “Remunerações e Benefícios 2026 – Portugal”, lançada pela consultora WTW, que aponta para uma evolução das políticas de compensação.
Segundo a consultora, as empresas portuguesas estão a adotar uma abordagem cada vez mais estruturada à gestão da remuneração, num contexto marcado por desafios como a transparência salarial, a evolução das competências e a necessidade de maior rigor na tomada de decisões.

Uma das tendências identificadas é o reforço do papel dos dados e da inteligência artificial (IA) na definição das políticas de remuneração. De acordo com a WTW, as organizações estão a utilizar cada vez mais ferramentas analíticas para identificar tendências salariais, antecipar riscos e alinhar as suas decisões com a estratégia empresarial.
Esta evolução ocorre num contexto em que o mercado de trabalho se torna mais exigente e competitivo, obrigando as empresas a tomar decisões mais informadas e sustentadas por informação fiável. “Num contexto de mudança constante, os dados continuam a ser essenciais para apoiar as empresas na tomada de decisões estratégicas em matéria de compensação e benefícios. Observamos uma evolução clara para abordagens mais analíticas e orientadas por tecnologia, que permitem alinhar melhor a gestão de talento com os objetivos de negócio”, afirma Sandra Bento, Associate Director Rewards Data Intelligence da WTW Portugal, em comunicado.
Transformação digital muda procura de talento
Os dados mais recentes recolhidos pela consultora revelam também uma tendência de maior prudência na definição de aumentos salariais. De acordo com o relatório Salary Budget Planning da WTW, 43% das organizações mantiveram os orçamentos salariais inicialmente previstos para 2026, enquanto outras optaram por rever as suas previsões à luz de fatores como a inflação, a escassez de competências críticas, o desempenho organizacional ou a necessidade de corrigir situações de equidade interna.
Ao mesmo tempo, a transformação digital continua a influenciar a procura de talento. Funções relacionadas com IA, dados e cibersegurança estão entre as mais procuradas pelas empresas, refletindo as mudanças tecnológicas em curso. Em sentido inverso, algumas funções mais tradicionais registam uma redução relativa da procura.
O modelo de trabalho híbrido continua igualmente a consolidar-se nas organizações. A WTW refere que este formato deixou de ser encarado apenas como uma prática temporária e passou a constituir uma expectativa base por parte de muitos colaboradores. Neste cenário, as políticas de flexibilidade continuam a desempenhar um papel determinante na atração e retenção de talento, sobretudo em setores onde a competição por profissionais qualificados é mais intensa.
Transparência salarial impulsiona revisão de políticas
Outro fator que está a acelerar mudanças nas estratégias de compensação é a entrada em vigor de novas regras europeias em matéria de transparência salarial. Estas novas exigências estão a levar muitas organizações a rever os seus processos de gestão da remuneração, reforçando a necessidade de políticas mais estruturadas, coerentes e sustentadas por dados robustos.
Ao mesmo tempo, as empresas procuram melhorar a sua proposta de valor para os colaboradores. Entre as tendências identificadas destaca-se a crescente personalização dos benefícios, adaptando-os às diferentes necessidades dos profissionais ao longo das várias fases da carreira.
A edição mais recente do estudo da WTW em Portugal contou com 405 organizações participantes, abrangendo cerca de 69 mil colaboradores e mais de 399 categorias profissionais. A amostra inclui empresas de diversos setores de atividade, entre os quais ciências da vida e farmacêutica (20%), tecnologia, media e telecomunicações (14%) e retalho, distribuição e serviços empresariais (11%), permitindo construir uma visão alargada das práticas de remuneração no país.
O survey analisa as práticas salariais e políticas de recursos humanos adotadas pelas organizações, tanto em Portugal como a nível internacional, abrangendo empresas em cerca de 130 países. A iniciativa pretende ajudar as organizações a compreender tendências emergentes no mercado e a alinhar as suas estratégias de compensação com os objetivos de negócio.
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