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transformação está no topo da agenda das organizações em Portugal, mas continua a esbarrar em obstáculos, sobretudo ao nível da execução, de acordo com o Strategy & Leadership Survey 2026, divulgado pela Darefy, que analisou respostas de 75 empresas, maioritariamente de média e grande dimensão, a operar no país.
O estudo, realizado entre janeiro e março, junto de líderes executivos e responsáveis de capital humano, traça um retrato quer ambicioso como prudente: 61% apontam a transformação digital acelerada como a tendência mais impactante, seguida da disrupção e volatilidade da inovação (46%) e do contexto geopolítico (43%) «. Ainda assim, essa consciência nem sempre se traduz em ação eficaz.
No mercado de talento, as mudanças são igualmente evidentes: 48% destacam a disrupção provocada pela inteligência artificial (IA), enquanto 45% referem o aumento da importância do bem-estar e equilíbrio vida-trabalho e 40% o impacto das gerações mais jovens nas organizações.
As prioridades estratégicas apontadas concentram-se sobretudo em dois eixos, nomeadamente a expansão (47%) e o turnaround estratégico (27%), embora 24% das organizações assumam ainda uma lógica de business as usual, revelando alguma cautela na forma como encaram a mudança. Mas é ao nível da execução que surgem os principais entraves. O estudo revela que 62% dos líderes apontam a resistência humana à mudança como principal obstáculo, enquanto 52% referem o desalinhamento da liderança e 47% problemas de comunicação.
A transformação que não se vê
Se, por um lado, muitas organizações dizem ser “orientadas para os objetivos (48%), colaborativas (30%) e flexíveis (30%)”, por outro, subsistem traços de modelos mais tradicionais, com 28% a assumirem culturas orientadas para controlo.
Também ao nível da liderança, o retrato é ambivalente. Embora 40% apontem para estilos colaborativos e 39% transformacionais, 27% admitem práticas de microgestão.
Como sublinha Carlos Sezões, Managing Partner da Darefy, em comunicado, “torna-se evidente o desejo de maior agilidade, colaboração e inovação (…) assente em lideranças e culturas mais alinhadas com estes novos tempos e com as novas gerações de profissionais”.
Projetos de transformação enfrentam bloqueios
O estudo mostra que os líderes pretendem envolver-se ativamente em iniciativas de transformação, com destaque para:
- Infraestruturas e processos digitais (53%)
- Cultura organizacional (39%)
- Modelos de liderança (33%)
Em termos operacionais, a ambição é clara: 62% querem equipas mais ágeis e colaborativas, 52% pretendem melhorar os fluxos de informação e 45% reforçar a autonomia e os processos de decisão. Apesar disso, os bloqueios persistem. Estruturas rígidas, desalinhamento entre níveis de liderança e resistência comportamental continuam a dificultar a implementação. O resultado é uma transformação que avança mais rapidamente no plano conceptual do que no operacional.
A dimensão tecnológica mantém-se central. Metade dos líderes identificam as competências em IA e digital como críticas para o futuro, logo atrás das competências de liderança (58%). Ainda assim, a adoção tecnológica levanta desafios estruturais. A tecnologia exige processos, organização e competências alinhadas, condições que nem sempre estão asseguradas.
Um padrão que se repete
A conclusão que emerge do Strategy & Leadership Survey 2026 é inequívoca: as organizações sabem o que têm de fazer, mas continuam a não conseguir executar com consistência. A resistência à mudança (62%) e o desalinhamento da liderança (52%) não são problemas novos, mas mantêm-se como fatores críticos.
Mais do que definir novas estratégias, o desafio passa agora por garantir disciplina na execução, coerência nas decisões e continuidade nas práticas. Sem isso, a transformação arrisca permanecer no discurso, sem impacto real na forma como as organizações funcionam. Num momento em que a competitividade depende da capacidade de adaptação, a distância entre intenção e prática deixa de ser apenas um problema operacional, passando a risco estratégico.
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