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hotelaria e o turismo voltaram a acelerar o ritmo de contratação no último verão em Portugal. Entre maio e setembro de 2025, a Eurofirms – People first geriu mais de 12 mil vagas nestes setores, registando um crescimento superior a 30% face ao mesmo período do ano anterior. No mesmo período, foram integrados cerca de sete mil profissionais, numa subida superior a 20% nas contratações.
Os dados constam de uma análise divulgada pela empresa de gestão de talento e refletem a pressão crescente sobre um dos setores mais dependentes de trabalho sazonal em Portugal. A atividade turística continua a exigir reforços rápidos de equipas durante os meses de maior procura, sobretudo em funções operacionais ligadas à hotelaria, restauração e atendimento ao público.
Empregados de mesa, empregados de andares, cozinheiros e profissionais de copa mantiveram-se entre os perfis mais procurados durante a época alta. A elevada rotatividade característica do setor, aliada ao peso dos contratos temporários e do trabalho a tempo parcial, continua a dificultar a estabilidade das equipas e a aumentar a pressão sobre o recrutamento.
Segundo dados do IPDT citados pela Eurofirms, o trabalho a tempo parcial já representa cerca de 11% da força de trabalho na hotelaria e restauração em Portugal.
Para Letícia Oliveira, National Leader Hotelaria da Eurofirms, “o verão continua a ser um dos períodos mais desafiantes para as empresas da hotelaria e turismo, sobretudo pela necessidade de responder rapidamente a picos de procura muito intensos. A responsável acrescenta que “já não basta garantir volume de contratação, as empresas procuram profissionais cada vez mais preparados, capazes de assegurar qualidade de serviço, consistência operacional e capacidade de adaptação”.
O que procuram hoje as empresas?
Apesar de as funções operacionais continuarem a concentrar o maior volume de contratação, a análise aponta para uma mudança gradual no perfil de talento procurado pelas empresas do setor. “Embora as funções operacionais continuem a concentrar o maior volume de contratação, há uma crescente valorização da formação académica e das competências de supervisão”, explica Letícia Oliveira. A responsável indica que a Eurofirms tem registado “um aumento na procura por perfis técnicos e intermédios, particularmente em áreas como cozinha, housekeeping e front office, com destaque para funções de supervisão e coordenação operacional”.
A necessidade de garantir maior consistência operacional, experiência de cliente e capacidade de resposta em contextos de elevada pressão está a levar muitas empresas a reforçar estruturas intermédias e perfis com competências mais especializadas.
Turismo continua a puxar pela economia portuguesa
Os números acompanham o peso crescente do turismo na economia nacional. Segundo dados do Turismo de Portugal citados na análise, o consumo do turismo em território económico representou quase 17% do PIB em 2024, gerando 47,2 mil milhões de euros. O setor sustenta atualmente cerca de 1,2 milhões de empregos em Portugal, o equivalente a quase um em cada quatro postos de trabalho no país, de acordo com estimativas do World Travel & Tourism Council.
A análise sublinha ainda que o turismo continua a crescer acima da economia portuguesa. Em 2024, tanto o Valor Acrescentado Bruto gerado pelo turismo como o consumo turístico cresceram 6,5% em termos nominais, acima da evolução do PIB nacional, que aumentou 6,4%, segundo o Instituto Nacional de Estatística.
A tendência manteve-se em 2025, ano em que Portugal registou 32,5 milhões de hóspedes, dos quais 19,7 milhões estrangeiros. No mesmo período, as dormidas cresceram 2,2%, o número de hóspedes aumentou 3% e as receitas turísticas subiram 5%.
O cenário português acompanha uma tendência global identificada pelo WTTC, que estima que, até 2035, a procura mundial de trabalhadores no turismo possa ultrapassar a oferta disponível em até 16%. A pressão sobre atração, retenção e qualificação de talento deverá, por isso, continuar a intensificar-se nos próximos anos, sobretudo num setor fortemente dependente de sazonalidade, disponibilidade operacional e rapidez de resposta.
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