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setor tecnológico em Portugal mantém sinais de forte dinamismo nas contratações. De acordo com o mais recente Experis Tech Talent Outlook, a projeção para a criação líquida de emprego no segundo trimestre de 2026 situa-se nos +50%, refletindo um mercado de trabalho competitivo para talento tecnológico.
Segundo o estudo, 56% dos empregadores planeiam reforçar as suas equipas, enquanto 38% esperam manter o número atual de trabalhadores e 6% antecipam uma redução. A projeção líquida de emprego (indicador que resulta da diferença entre a percentagem de empresas que planeiam contratar e aquelas que preveem reduzir colaboradores) registou uma melhoria de um ponto percentual (p.p.) face ao trimestre anterior e de 25 p.p. na comparação anual. Portugal é o 5.º país, entre 42 analisados, com a projeção de emprego mais elevada no setor tecnológico, acima da média global de 45%. “A concorrência por talento tecnológico mantém-se elevada”, refere o estudo, apontando que 85% dos empregadores reporta dificuldades em encontrar profissionais qualificados.
“Os resultados deste Experis Tech Talent Outlook, embora sem refletir o impacto do atual conflito no Médio Oriente, traduzem um sentimento de confiança crescente nos empregadores de TI em Portugal, ainda em recuperação do abrandamento observado no final de 2024. A aposta em competências especializadas, desde o desenvolvimento de modelos de IA à engenharia, combinada com a valorização de soft skills essenciais, mostra que os empregadores do setor estão a construir equipas capazes de impulsionar a inovação e enfrentar os desafios da transformação digital e crescente adoção da IA, potenciando as novas oportunidades de negócio que lhes são associadas”, explica Nuno Ferro, Brand Leader da Experis, em comunicado.

Entre os fatores que explicam o reforço das equipas no setor de tecnologia & serviços de IT, 52% dos empregadores apontam o crescimento das empresas como a principal razão para novas contratações. Os avanços tecnológicos surgem em segundo lugar, referidos por 38% das empresas, um valor significativamente acima da média nacional para este fator, que se situa nos 17%. Já 33% das organizações indicam os esforços em prol da diversidade como um dos motivos para reforçar as equipas.
Entre as empresas que antecipam reduzir o número de trabalhadores, os principais motivos apontados são ajustes face à procura atual, reestruturações ou downsizing e o impacto da automação nas funções, cada um referido por 50% das organizações. A nível global, estes fatores também estão presentes, embora com menor peso: 36% dos empregadores apontam a automação, 32% referem desafios económicos e 28% indicam reestruturações ou downsizing.
IA lidera competências mais difíceis de recrutar
A escassez de talento continua a ser um dos principais desafios para o setor tecnológico. Entre as competências mais difíceis de recrutar destacam-se:
- Literacia em IA (35%)
- Desenvolvimento de modelos e aplicações de IA (30%)
- Perfis de engenharia (26%)
- Competências em TI e dados, excluindo IA (20%)
- Vendas e marketing (13%)
Para além das competências técnicas, os empregadores continuam a valorizar competências humanas. As mais procuradas são:
- Profissionalismo e ética no trabalho (52%)
- Adaptabilidade e vontade de aprender (50%)
- Pensamento crítico e resolução de problemas (41%)
- Comunicação e trabalho em equipa (37%)
- Literacia digital (22%)
Flexibilidade e formação ganham peso na “guerra” pelo talento
Para lidar com a falta de profissionais qualificados, as empresas estão a adotar várias estratégias. A flexibilidade de horários lidera as medidas mais utilizadas, referida por 35% das organizações. Seguem-se:
- Upskilling e reskilling de trabalhadores (30%)
- Aumento de salários (30%)
- Maior flexibilidade no local de trabalho (28%)
- Recrutamento de talento global em mercados competitivos em termos de custos (22%)
Portugal contrata acima da média global
A nível internacional, a projeção média de emprego no setor tecnológico é de +45%, abaixo da registada em Portugal. Os países com previsões mais elevadas são Índia (+69%), Emirados Árabes Unidos (+69%) e Brasil (+63%). No extremo oposto, surgem Chéquia (+13%), Suíça (+8%) e Roménia (+3%).
O estudo da Experis entrevistou 4.655 empresas tecnológicas em 42 países sobre as suas intenções de contratação para o segundo trimestre de 2026. O próximo relatório será divulgado em junho deste ano e apresentará as expectativas de contratação para o terceiro trimestre do ano.
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