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IA já está a ajudar os RH a analisar currículos, interpretar questionários, validar dados de payroll e encontrar padrões em grandes volumes de informação. Mas há uma fronteira que não deve ser ultrapassada: a decisão continua a ser humana.
No webinar “RH, Payroll e IA: Quem controla os dados, as decisões e os riscos?”, Carla Pombeiro (Sumol+Compal) e Sónia Alves (Metalogalva) discutiram até onde pode ir a tecnologia. Promovido pelo iiRH/RHmagazine, com o apoio da ADP, o encontro foi moderado por António da Silva, Enterprise Sales Executive da ADP. Da qualidade dos dados à formação dos trabalhadores, passando pelo recrutamento, payroll, operações internacionais e proteção de informação, a discussão mostrou que os ganhos de eficiência trazidos pela IA estão a ser acompanhados por uma nova exigência: saber questionar aquilo que a tecnologia devolve.
Na Metalogalva, a responsabilidade está definida. “Os dados, a análise de dados é feita pela IA, as sugestões são feitas pela IA, as decisões são tomadas por nós e validadas por nós, humanos”, afirma Sónia Alves, Human Resources Head of Department da empresa, sublinhando que o “espírito crítico tem de ser cada vez mais treinado dentro das organizações”.
Carla Pombeiro, Diretora de Pessoas e Cultura da Sumol+Compal, aponta para a mesma necessidade. Os trabalhadores devem saber utilizar a IA, formular perguntas e validar as respostas, usando-a “como um parceiro e não como uma ferramenta onde eles colocam as perguntas e, de forma cega, recebem respostas que aplicam”.
A experiência internacional da Metalogalva mostra porquê. Na Albânia, ao procurar esclarecer regras sobre a permanência de cidadãos portugueses no país, a IA indicava a necessidade de uma comunicação às autoridades. A empresa procurou confirmar a informação e acabou por obter, diretamente junto do Serviço de Fronteiras, uma resposta diferente.
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Contudo, os riscos não anulam os ganhos. Na Sumol+Compal, a IA já é utilizada no recrutamento para acelerar a verificação de currículos, analisar perfis e apoiar a preparação de entrevistas. Ainda assim, a validação final permanece na equipa. “É essencial.”
A tecnologia está também a ser utilizada para analisar as respostas abertas dos questionários de clima organizacional. O objetivo é transformar um grande volume de informação em inputs que possam ser incorporados nos planos de ação.
Na Metalogalva, a dimensão internacional coloca outro desafio. Diferentes geografias significam diferentes sistemas de payroll, gestão de tempos, regras laborais e enquadramentos regulatórios. A empresa está a trabalhar na evolução para um sistema de payroll global e utiliza IA para apoiar a interpretação e validação de informação em vários mercados.
Mas, antes da tecnologia, vêm os dados. “Quando queremos perceber padrões, analisar informação, comparar comparáveis, as nossas fontes de verdade têm de ser inequívocas e comparáveis entre si”, refere Sónia Alves.
A mesma preocupação existe na Sumol+Compal. Em Moçambique, onde a gestão de pessoas é feita através do SuccessFactors, a empresa está a preparar os primeiros dashboards de informação para apoiar as lideranças locais e centrais. “Uma das nossas grandes preocupações é, sem sombra de dúvida, a fiabilidade dos dados”, aponta Carla Pombeiro.
A tecnologia exige mais do que saber usá-la
A adoção destas ferramentas está também a obrigar as empresas a rever a formação. Na Sumol+Compal, a disponibilização de ferramentas de IA é acompanhada por capacitação sobre a utilização, funcionalidades e aplicações específicas a diferentes funções. A ética faz parte desse processo: quando utilizar IA, como fazê-lo e que informação pode ser partilhada.
Para Carla Pombeiro, o caminho passa por “garantir que existe uma literacia básica e comum e consistente em todos os colaboradores”, incluindo aqueles que já utilizavam ferramentas de IA antes da empresa disponibilizar soluções corporativas.
Na Metalogalva, a aprendizagem tem seguido uma lógica de learn as you go, apoiada por early adopters que experimentam e partilham conhecimento internamente. A organização prepara agora um programa de formação mais estruturado para 2027.
E os dados que entram na IA?
A proteção da informação é outra das fronteiras. Na Metalogalva, o modelo funciona dentro do ecossistema da empresa e os dados pessoais só são introduzidos quando necessários. Na Sumol+Compal, a preocupação começou ainda antes da existência de licenças empresariais, quando os trabalhadores já recorriam espontaneamente a ferramentas públicas. Era necessário, como explica Carla Pombeiro, garantir que não eram partilhados “nem dados pessoais, nem dados confidenciais da organização”, sobretudo porque nem todos tinham “a perfeita noção do risco” associado. A distinção entre ferramentas públicas e ambientes empresariais protegidos passa, assim, a fazer parte da própria literacia digital.
Na Metalogalva, Sónia Alves resume a fronteira entre tecnologia e humano. “A IA ajuda-nos imenso, mas as decisões são de pessoas”. “Têm de ser de pessoas e têm de ser analisadas e vistas por pessoas”, insiste.
Assista ao webinar em: https://www.youtube.com/watch?v=xMcHJTeFSMs
A RHmagazine tem já agendados dois novos webinars para outubro. A 15 de outubro, com o apoio da Coverflex, o 82.º EncontRHo será dedicado ao tema “Seguro de saúde para empresas: como preparar uma renovação equilibrando custo e valor para os colaboradores?”. Já a 29 de outubro, com o apoio da Deel, o 83.º EncontRHo coloca em debate “Talento 2027: Crescimento Global – Recrutamento, Retenção e Gestão em Contexto Internacional”.
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