José Luis Pascual Pedraza
Diretor de Employee Experience da Lukkap
Como todos os anos nesta data, a ilusão e a esperança inundam as nossas vidas fazendo com que tudo possa ser possível, já que ao ano novo, que nos permite delinear novos desafios e objetivos a atingir para o ano que está a começar, junta-se a magia dos Reis Magos que permite alcançar aquilo que desejamos (sejam coisas tangíveis ou não tão tangíveis).
Esta ocasião é única e, por isso, não podemos deixar escapar a oportunidade de pedir a Belchior, Gaspar e Baltasar aquilo que desejamos com base na prática da gestão de pessoas e que nos ajudem a alcançá-lo. Para isso, e como sabem, devemos escrever uma carta onde dizemos aos nossos Reis Magos aquilo que queremos que nos tragam. E o que acham que seria fundamental suas majestades trazerem no sentido de melhorar a nossa gestão de RH?
Para mim é evidente e estes são os três desejos que vos peço:
Ao Belchior quero pedir um grande saco de confiança, confiança naquilo que é o nosso papel dentro das organizações e, sobretudo, na missão que temos de cumprir na nova economia do conhecimento, onde a qualidade do capital humano é crucial na vantagem competitiva. Por isso, o nosso papel terá de evoluir para que realmente possamos estar à altura do nosso desafio. Temos de ser parceiros estratégicos para gerir a mudança constante deste ambiente VUCA em que estamos imersos e sermos facilitadores desta transformação constante das pessoas e das próprias organizações, ajudando a trazer este valor diferenciador.
Ao Gaspar quero pedir-lhe uma caixa repleta de energia e atitude positiva, uma vez que nos vai fazer muita falta perante o desafio que temos pela frente, já que irá depender de nós, em grande medida, que as organizações possam estar adaptadas às necessidades do ambiente envolvente, tendo de liderar, ou pelo menos coliderar, o impulso das novas competências e conhecimentos chave neste ambiente digital, onde os êxitos do passado são uma boa recordação que nos ajudará a obter alguma coisa no presente.
Temos um grande caminho pela frente com os líderes e gestores de pessoas das nossas empresas, porque são eles a verdadeira alavanca da mudança e temos de ajudar no desenvolvimento de competências críticas para o papel que vão desempenhar, sem esquecer as restantes pessoas e tentando criar caminhos de desenvolvimento nos quais deixamos claro tanto o aumento do desempenho, como o potencial de cada um e assegurando que a nossa matéria-prima possui as melhores condições para brilhar e alcançar todos os desafios que temos pela frente.
Gostaria que as empresas, graças ao presente de Gaspar, pudessem começar a criar talento e não apenas atraí-lo e, evidentemente, deixassem de tentar “retê-lo”, por favor! Os magos castigam todos os que ainda falam em reter o talento nas organizações e muito mais os que tratam de o pôr em prática!
Outro dos desafios onde nos ajudará a energia trazida por Gaspar é o de criar ambientes que ajudem à “não desmotivação” das nossas pessoas, que possam levar a que os nossos próprios colaboradores encontrem o seu motor de motivação, evitando assim tanto o conceito de “retenção”, como as possíveis ações que possam estar associadas, e ambientes que aumentem o compromisso mútuo (entre pessoas e empresas). Insisto que o papel da chefia é fundamental para alcançar este objetivo.
E a Baltasar quero pedir-lhe um modelo de gestão que torne possível o que foi referido anteriormente. É muito bom ter os objetivos claros, mas é fundamental clarificar como é que se podem tornar possíveis.
Baltasar, quero pedir-lhe que não se deixe enganar com falsas soluções ou boas palavras que não levam a lado nenhum, já que, nestes temas que soam a novidade, existem muitos falsos gurus com soluções que não são realistas.
O que eu quero que nos traga é um “modelo de experiência de colaborador”, mas que seja tangível, que se possa implementar e consiga resultados quantitativos, que nos permitam ver a evolução, demonstrando através de dados o valor do nosso trabalho e melhorar, com isso, a experiência dos diferentes grupos de colaboradores em cada momento da relação com a empresa. Este modelo será a forma de conseguir por as pessoas no centro da equação e aumentar o êxito dos resultados alcançados, uma vez que tanto as necessidades, como as soluções vêm dos próprios colaboradores.
Espero que os Reis nos tragam tudo o que aparece nesta carta, já que nos ajudaria muito a alcançar os objetivos que temos pela frente neste 2019. Mas nós também temos de ajudar, tornando realidade, no nosso dia-a-dia, tudo o que aparece nesta carta e, com isso, criar uma função de gestão de pessoas que esteja, realmente, à altura da importância que nos é exigida, para dar valor real tanto aos colaboradores, como às próprias empresas.