Apesar do esforço investido na preparação de candidaturas personalizadas, na elaboração de currículos detalhados e na escrita de cartas de motivação, o desfecho de muitos processos de recrutamento continua a ser o silêncio ou uma resposta negativa. Porém, nem sempre o “não” está relacionado com as competências e a experiência dos candidatos.
Um artigo da Forbes identifica quatro razões pelas quais um candidato pode não ser selecionado após a entrevista e que pouco ou nada têm a ver com as suas qualificações.
1- O recrutador estava num mau dia
A disposição emocional de quem conduz entrevista pode influenciar e muito o desfecho de um processo de recrutamento. Um estudo publicado no Journal of Applied Social Psychology, citado pela Forbes, demonstra que recrutadores de bom humor tendem a avaliar os candidatos de forma mais favorável, enquanto os que estão um dia difícil retêm aspetos negativos.
2- A escolha já estava feita antes da entrevista
Em algumas situações, a vaga já tem um nome apontado à partida. Muitas vezes é um colaborador interno que desempenha funções semelhantes ou alguém já identificado pelo recrutador.
3- As condições mudaram
Cortes orçamentais de última hora, mudanças ao nível estratégico ou perda de financiamento. Tudo isto pode levar uma vaga a desaparecer.
4- A vaga nunca existiu
Parece insólito, mas é uma prática mais comum do que se possa imagina. Sim, existem empresas que publicam oportunidades de emprego que não estão realmente disponíveis. O objetivo pode passar por testar o mercado, alimentar bases de dados com perfis interessantes ou projetar uma imagem de dinamismo e crescimento. Um estudo da ResumeBuilder, divulgado em 2024, revela que cerca de 40% dos recrutadores admitiram ter publicado anúncios de vagas que não pretendiam preencher.
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Li o vosso artigo “A entrevista correu bem, mas não foi escolhido? Quatro razões pelas quais pode não ter sido contratado”, publicado hoje.
Em primeiro lugar, gostaria de agradecer a partilha deste tipo de conteúdos, que considero pertinentes e úteis para quem está em processo de recrutamento.
No entanto, gostaria de partilhar convosco uma pequena reflexão, senti que o artigo poderia beneficiar com a inclusão de um quinto ponto, aquele que, na verdade, é um dos mais frequentes nos processos de recrutamento que acompanho, ou seja, a existência de outros candidatos mais alinhados com o perfil pretendido.
Mesmo quando uma entrevista corre objetivamente bem, pode dar-se o caso de existirem outros candidatos com um percurso mais diretamente relacionado com as funções, maior experiência no setor, ou um fit cultural mais próximo da organização.
Considero que ao incluírem apenas fatores externos o artigo pode, involuntariamente, passar uma mensagem que minimiza a importância da concorrência ou da adequação comparativa, algo essencial para quem deseja compreender verdadeiramente os processos de seleção e continuar a evoluir.
Deixo esta sugestão, como alguém que trabalha na área e valoriza muito o papel informativo dos vossos conteúdos.