Mais de metade dos líderes empresariais portugueses (57,3%) perde entre 20% e 30% do tempo de trabalho à procura de informação, a cruzar dados ou a repetir tarefas. Numa empresa com mil trabalhadores, estas ineficiências podem representar um custo anual superior a 327 mil euros, segundo um estudo da Factorial, que revela ainda que a inteligência artificial (IA) está a elevar as expectativas de desempenho, sem que isso se traduza numa redução da carga de trabalho.
O Business Facts Index 2026 – The Cost of Business Disconnection estima que os custos associados ao tempo perdido pelos gestores possam atingir 163.501 euros anuais nas empresas com 500 trabalhadores e 81.750 euros nas que empregam 250 pessoas. Os cálculos cruzam o tempo reportado pelos inquiridos com dados do Eurostat sobre salários e estrutura da força de trabalho.
Os valores não correspondem a prejuízos financeiros diretamente observados. Resultam de um cálculo que combina o tempo desperdiçado reportado pelos inquiridos com dados do Eurostat sobre salários e estrutura da força de trabalho.
Demasiadas aplicações?
A multiplicação de ferramentas digitais está também a afetar a concentração dos gestores. Em Portugal, 73,2% admitem perder o foco por terem de alternar constantemente entre aplicações, a percentagem mais elevada dos cinco mercados europeus analisados, e 73,8% acreditam que as suas empresas funcionariam melhor se utilizassem menos ferramentas e centralizassem a informação.
As dificuldades estendem-se ao acesso a informação financeira. Apenas 29,1% dos responsáveis portugueses conseguem saber imediatamente se um departamento está acima ou abaixo do orçamento. Outros 58,1% não dispõem dessa informação de forma imediata ou precisam de vários dias para a obter.
“As empresas não precisam simplesmente de mais tecnologia. Precisam de tecnologia que una aquilo que hoje continua separado: pessoas, informação, recursos e processos. Os dados do nosso estudo mostram que a desconexão tem um custo real, tanto financeiro como em termos de atenção e tempo”, afirma Tiago Cunha, diretor de Strategy & Partnerships da Factorial, citado em comunicado.
Líderes já exigem mais das equipas com IA
É também em Portugal que os líderes empresariais mais antecipam mudanças provocadas pela IA. Entre os inquiridos, 84,9% esperam que a tecnologia altere o funcionamento das suas organizações nos próximos 12 meses, enquanto 25,9% preveem uma transformação radical dos processos de trabalho.
A expectativa de maior eficiência contrasta com a evolução das exigências colocadas às equipas. Desde que começaram a utilizar IA, 71,3% dos líderes portugueses afirmam ter elevado as expectativas de desempenho das suas equipas, enquanto 66,4% referem que o volume de trabalho se manteve ou aumentou. Embora os resultados não permitam estabelecer uma relação causal entre a adoção de IA e o aumento da carga de trabalho, mostram que os ganhos esperados com a tecnologia não estão necessariamente a traduzir-se numa redução das tarefas.
A autonomia da tecnologia permanece, para já, limitada. Nos cinco mercados europeus analisados, apenas 6,9% dos decisores afirmam que a IA já gere processos completos sem intervenção humana.
Apesar das expectativas, apenas 4,8% das empresas portuguesas têm IA integrada em todas as operações. Mais de um terço (36,4%) continua a explorar a tecnologia, sem a utilizar diariamente, enquanto 17,2% recorrem de forma aprofundada às funcionalidades de IA dos programas informáticos para planeamento, análise ou apoio à decisão.
Há ainda outro obstáculo. Para 25,4% dos líderes portugueses, a integração de agentes de IA em programas que já conhecem e utilizam é o principal fator para confiar nesta tecnologia, a percentagem mais elevada entre os países abrangidos pelo estudo. A confiança na IA depende também da supervisão humana, de regras claras para a sua utilização e do cumprimento das exigências legais.
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