Qual é hoje o maior desafio para os líderes de RH?
Marcela Uribe (MU): É ajudar as pessoas a sentirem-se confiantes e ligadas à organização num contexto de incerteza. O desafio é criar um ambiente em que compreendam o seu papel, saibam como podem crescer e de que forma as suas competências continuam relevantes.
A ADP ajuda as organizações a passar da intuição para decisões baseadas em evidência, utilizando dados para compreender necessidades, identificar lacunas de competências e criar experiências personalizadas. A tecnologia deve apoiar, e não substituir, as relações humanas. As organizações que terão sucesso serão as que encararem a mudança como um desafio igualmente humano.
Até onde deve ir a IA nas decisões sobre pessoas?
Maria-Teresa Moreira (MTM): O valor da IA nos RH não está em fazer as coisas mais depressa, mas em tomar melhores decisões. Pode ajudar a identificar lacunas de competências, antecipar necessidades de talento, compreender tendências e apoiar decisões sobre desenvolvimento e planeamento.
Ao mesmo tempo, os RH continuam a ser uma área centrada nas pessoas. A tecnologia pode analisar padrões e gerar recomendações, mas não compreende plenamente o contexto e as circunstâncias pessoais. Em decisões sobre recrutamento, carreira, liderança, bem-estar ou cultura, o julgamento humano continua essencial. A IA deve reforçá-lo, dotando os líderes de melhor informação.
Que tendências vão transformar o trabalho na Europa?
MU: Destacam-se três: a IA está a passar da experimentação para a realidade diária; o desenvolvimento de competências, com foco no upskilling e no reskilling, torna-se uma prioridade estratégica; e as forças de trabalho estão mais diversificadas em termos etários, permitindo combinar experiência, conhecimento institucional e fluência digital.
O estudo People at Work 2026, da ADP Research, mostra que os colaboradores querem sentir-se preparados para o futuro.
Que prioridades não podem ficar fora da agenda dos líderes de RH?
MTM: Precisamos de prestar mais atenção à adaptabilidade e à resiliência, tanto no negócio como nas pessoas. A mudança deixou de ser uma exceção; é o contexto em que as organizações operam. Isto torna as competências, a liderança e a experiência dos colaboradores mais importantes do que nunca.
Sejam ousados no papel que desempenham. Hoje, os RH não estão apenas a apoiar a estratégia do negócio; estão a ajudar a defini-la. As organizações que investem nas pessoas estarão melhor preparadas para enfrentar a mudança.
Artigo publicado na edição 165 da RHmagazine, referente aos meses de setembro e outubro de 2026
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