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Autor: Patrick Götz, fundador e CEO da Teckies
Que competência teremos de ter para nos destacarmos dos robots?
Certamente já todos pensámos que chegará a um dia em que seremos substituídos pelos robots. Mas terá de ser assim? Não me parece! Acredito mais num mundo em que estaremos lado a lado.
A robótica e a inteligência artificial fazem cada vez mais parte da nossa vida e, com a capacidade computacional e de armazenamento crescente, as máquinas conseguem não só realizar um número crescente de tarefas mecânicas como também de tarefas intelectuais. É assim o presente e será muito mais assim o futuro e nós, humanos, temos de estar preparados para este avanço das máquinas. Mas atenção: de nada nos vale tentar ser mais rápidos, ou melhores a memorizar, porque aí nunca lhes vamos ganhar. O truque – parece-me – passa por trabalhar com elas e não contra elas.
De nada nos vale desenvolver competências que só vão resultar na concorrência direta com as máquinas, como rapidez de cálculo ou memória. Precisamos evidenciar o lado humano, as competências que nos diferenciam, e mostra como podemos funcionar em equipa (humanos e máquinas). Por exemplo, podemos ter um robot a debitar matéria de Matemática, mas esse robot não consegue adaptar-se a cada turma, muito menos a cada aluno, ao seu ritmo, às suas características, fatores a ter em conta para que a aprendizagem seja bem-sucedida. Falta-lhe o lado afetivo, a empatia, a capacidade relacional, de compreensão e de adaptação às diferentes realidades. Por isto, acredito que um professor nunca poderá ser substituído por um robot, mas o seu trabalho pode e deve ser facilitado e modernizado com a tecnologia.
Mas não é fácil chegar a este equilíbrio e o caminho tem de começar cedo, na formação (onde é urgente uma mudança!). É nas crianças que deve começar este trabalho de preparação, é aproximando-os das tecnologias, mas também incentivando-os a que desenvolvam competências que lhes permitam responder aos “porquês”. Entre as “soft skills” identificadas pelo The World Economic Forum – e que já não são tão soft assim – destaco quatro como essenciais: resolução de problemas, pensamento crítico, criatividade e tomada de decisões. É aqui que reside a grande diferença entre robots e humanos e é aqui que devemos apostar todas as nossas fichas.
Apesar da inteligência artificial nos ajudar a resolver problemas complexos, não permite (para já) recuar na resolução ou pensar de forma diferente para ver se existem outras soluções para um mesmo problema, muito menos quando se trata de problemas “emocionais” ou transversais a muitas áreas. Porque é que esta solução é melhor que a outra? O robot não responde, o Homem sim.
Por outro lado, apesar de estarem a melhorar neste âmbito, a capacidade de pensamento crítico também não é uma característica das máquinas. Ninguém conhece tão bem o ser humano como o próprio ser humano, ninguém nos percebe tão bem, nos lê tão bem, nos descodifica tão bem como nós próprios. Porque é que a Apple lançou o iPod quando já havia muitos leitores de MP3? O robot não sabe, o Homem sabe.
Já quando se fala de criatividade a discussão pode ser maior. Afinal, o que é ser criativo? Se as máquinas têm diferentes formas de resolver um problema (que nós não nos lembramos), pode isso ser considerado criatividade? É verdade que uma máquina nos pode dar uma solução que não nos lembramos, uma vez que tem mais dados e capacidade de processamento, mas não sabe justificar nem qualificar se é uma solução mais ou menos criativa. Porque é que Beethoven compôs as suas sinfonias da forma como o fez? Uma máquina poderia fazer o mesmo? Sim, podia até criar algo semelhante, misturando estilos, mas isso seria resultado de um algoritmo e não de um laivo criativo.
E também na tomada de decisão nos podemos diferenciar. Podemos programar uma máquina para seguir um caminho A ou B, de acordo com uma certa premissa, mas isso não é tomar decisões, é apenas seguir ordens. Além disso, está provado que não é possível tomar uma decisão tendo em conta apenas critérios racionais: é necessário um lado emocional e crítico. Porque é que comprei o carro X e não o Y? A razão/racionalidade dizia para comprar o modelo x, mas, esteticamente, gosto mais do modelo Y. Intuição e coragem – ou mesmo estética – também fazem parte desta equação e são características essenciais e que podem fazer a toda a diferença no resultado. A máquina não sabe equacionar critérios emocionais como “o gosto”.
São as características emocionais, sociais, pessoais que nos permitem ser diferentes e ser válidos.
Tão válidos como um robot, com a sua rapidez e destreza. E é juntos que poderemos conquistar o mundo, verdadeiramente. Mas, para isso, é necessário mudar o paradigma do ensino, modernizar os planos curriculares, adaptá-los às novas exigências e preparar as crianças para a realidade futura. Agora.