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Autora: Bárbara Carvalho, Psicóloga Clínica na Team 24
A procura de acompanhamento psicológico para a compreensão e tratamento dos ataques de pânico tem vindo a aumentar nos últimos anos. Sensibilizar e instruir sobre o tema torna-se essencial para minimizar o sofrimento que estes ataques provocam. De modo a que cada um de nós, enquanto líderes ou enquanto colegas, possamos ter um papel proativo e decisivo, temos de:
- Saber o que é um ataque de pânico,
- Identificar os principais sintomas,
- Saber realizar os primeiros socorros psicológicos.
1 – O que é um Ataque de Pânico?
O ataque de pânico caracteriza-se por um período breve de ansiedade intensa, medo e desconforto, acompanhado por sintomas somáticos e/ou cognitivos. Estes acarretam um intenso sofrimento devido ao medo da ocorrência de novos ataques. A frequência e a gravidade dos sintomas variam, podendo ocorrer diariamente de forma ligeira ou intensa, uma vez por semana, duas vezes por mês, havendo períodos sem qualquer sintoma, no entanto é necessário mais de um ataque de pânico completo e inesperado para o diagnóstico de perturbação de pânico. As crises podem ocorrer em qualquer lugar, contexto ou momento, durando em média de 5 a 20 minutos.
2 – Quais os sintomas de alerta para um Ataque de Pânico?
Devemos observar pelo menos quatro dos seguintes sintomas:
- Aceleração dos batimentos cardíacos e da respiração
- Falta de ar
- Pressão ou dor no peito
- Palidez
- Suor frio
- Tonturas ou desmaio
- Náusea, vómitos ou diarreia
- Fraqueza nas pernas
- Formigueiros
- Tremores
- Transpiração excessiva
- Sensação de estar “fora do corpo”
- Medo de morrer ou de perder o controlo
Por serem semelhantes a outras situações clínicas, estes sintomas levam a que as pessoas procurem as emergências médicas em busca de causas orgânicas que expliquem os seus sintomas.
3 – Como prestar os Primeiros Socorros Psicológicos?
Os Primeiros Socorros Psicológicos são uma resposta de suporte às pessoas em situação de sofrimento e com necessidade de apoio. Estes podem ser realizados por qualquer pessoa que se disponibilize e esteja em condições psicológicas e físicas para auxiliar, desde que tenha orientações básicas. Deixo aqui algumas indicações de intervenções, mas será sempre aconselhado a disponibilizarem a toda a equipa uma pequena formação/workshop de primeiros socorros psicológicos.
- Transmitir segurança- Ajudar a pessoa a sentir-se segura é prioritário nestas situações. Questione por exemplo, se a pessoa prefere ir até um espaço exterior ou para uma sala com menos ruído. No fundo é perceber, quais são as suas necessidades imediatas.
- Acalmar- Lembre-se que agir com calma ajuda a transmiti-la. Existem técnicas que permitem diminuir os sintomas, tais como, a respiração: peça para a pessoa respirar de forma mais lenta e profunda e introduza uma contagem para a inspiração e expiração. Pode também promover a atenção para estímulos exteriores, mudar o foco ajuda a desviar a atenção dos sintomas físicos e consecutivamente ajuda a tranquilizar.
- Conexão- É importante ajudar a fazer as conexões necessárias com a rede de suporte, seja a ligar para familiares e amigos, pessoas de confiança, ou se for o caso, um profissional que a esteja a acompanhar.
- Autoeficácia– Numa situação de crise, as pessoas sentem-se vulneráveis. Devemos incentivar e promover a autonomia e a autoeficácia, ajudando as pessoas a usar as suas competências.
- Esperança- Ajude a pessoa a envolver-se com proatividade em atividades construtivas e promova expectativas positivas quanto ao que vai acontecer no futuro.
Lembre-se que o objetivo principal é ajudar a pessoa a estabilizar, por isso, não se devem fazer demasiadas perguntas nem explorar o que desencadeou os sintomas.
Se a pessoa quiser partilhar, escute-a com atenção, sem interrupções e julgamentos. A perturbação de pânico está associada a níveis altos de incapacidade social, profissional e física com custos económicos consideráveis. Conhecer os primeiros socorros psicológicos ajuda a minimizar o impacto dos sintomas, contudo torna-se fulcral a procura de ajuda especializada para o tratamento, quando os ataques de pânico são frequentes e incapacitantes.