De acordo com o Global Trends, desenvolvido pela Mercer, a plataforma de talento assenta em parcerias, freelancers, crowdsourcing e co-optetion.
Foi no pequeno-almoço que promoveu, em colaboração com a Farfetch, no Porto, que a Mercer apresentou as principais tendências do estudo Global Trends. Na iniciativa, que juntou 40 empresas do Norte do país, de diferentes setores, a Farfetch partilhou, também, as práticas de gestão de pessoas que implementa e, em conjunto, ambas as empresas, debateram as tendências do estudo.
Segundo o estudo desenvolvido pela Mercer, 75% dos colaboradores desejam trabalhar numa empresa com propósito, que tenham afinidade, orgulho e paixão na sua atividade. A consultora aconselha as empresas a pensarem “na criação de propostas de valor centradas nas expectativas dos colaboradores, que lhes permita aproveitar ao máximo a experiência e garantir o máximo de produtividade”.
Como é habitual, o Global Trends contempla tendências relativas à velocidade da mudança, flexibilidade, plataforma de talento e digitalização.
Velocidade da mudança
De acordo com a Mercer, e no que se refere à mudança em ambientes organizacionais, “verifica-se a necessidade de estruturas mais ágeis”. Os dados indicam que 96% dos executivos planeiam mudanças estruturais, este ano, nas suas empresas e 53% preveem que, pelo menos, uma em cada cinco funções da sua organização deixará de existir nos próximos cinco anos. A consultora aconselha empresas a adotarem uma “visão para uma força de trabalho do futuro” e a apostarem em “novos modelos e processos”.
Flexibilidade permanente
Segundo os resultados do estudo, 80% dos executivos afirmam que a flexibilidade no local de trabalho é uma “parte essencial da sua proposta de valor”. Ainda que 71% dos inquiridos referiam que a sua empresa oferece um regime de trabalho flexível, 41% mostram-se preocupados com o facto de a flexibilidade poder impactar as suas perspetivas promocionais.
Até 2020, prevê-se um aumento de espaços de trabalho partilhados, hotdesking e de trabalho a partir de casa ou trabalho à distância. De acordo com a Mercer, “estas tendências exigem novos modelos de trabalho que demonstrem confiança no colaborador, benefícios e integração da vida pessoal na vida profissional”. Nesse sentido, as organizações “devem oferecer benefícios que os seus colaboradores valorizem e que promovam o seu compromisso”. Os dados evidenciam que 61% dos colaboradores referem que a saúde é uma preocupação maior do que as suas finanças ou carreira, mas só 14% das empresas colocam a saúde e bem-estar como uma prioridade na gestão de talento. A consultora alerta as organizações para a necessidade de considerarem a pessoa como um todo e personalizarem a sua oferta de benefícios.
Plataforma de talento
Segundo a Mercer, “a plataforma de talento, ao contrário das estruturas tradicionais, não assenta em relações hierárquicas rígidas ou em relações de trabalho estáveis”. Assenta, antes, em parcerias que promovam a partilha de talentos entre empresas, freelancers que alavanquem o talento individual e independente, crowdsourcing, que escale o conhecimento da “tribo” ou do ecossistema, e co-optetion, que estimule a concorrência.
Digital de dentro para fora
De acordo com o estudo, apenas 15% das empresas se consideram, atualmente, uma organização digital. Apesar de 65% dos colaboradores referirem que as ferramentas de última geração são importantes para o sucesso, 48% dizem ter as ferramentas digitais necessárias para cumprir as suas tarefas.