O emprego público em Portugal bateu um recorde no primeiro trimestre de 2024. A Randstad Research foi a responsável pela análise das estatísticas em questão. Em estudo esteve o mercado de trabalho e temas macroeconómicos.
Os dados utilizados foram os que se encontravam disponíveis até ao momento, fornecidos pelo Instituto Nacional de Estatística, Instituto do Emprego e Formação Profissional, Ministério do Trabalho, Banco de Portugal, Segurança Social, Direção Geral da Administração e do Emprego Público, Eurostat e World Economic Forum.
Os resultados
Os resultados obtidos revelaram que o número de pessoas empregadas aumentou em 39 200 no referido período. Este valor conduziu ao recorde histórico de um total de cinco milhões de profissionais em Portugal. O emprego nas administrações públicas também aumentou. Atingiu as 748 900 pessoas empregadas no primeiro trimestre do ano, depois de ter somado 3 103 no mesmo período. A taxa de emprego foi de 56.6%.
A percentagem de profissionais com ensino superior é de 32.9% e os mesmos contam com uma taxa de emprego de 79.7%. Do total de pessoas empregadas no país, 34% têm um baixo nível de qualificação. A Randstad Research concluiu que também o desemprego aumentou. Dos atuais 382 200 desempregados, 38.4% procuram emprego há mais de um ano. O período passado nesta fase diminuiu em 2023.
No primeiro trimestre de 2024, houve mais 101 700 profissionais em regime de teletrabalho. Atualmente, mais de meio milhão de pessoas encontram-se neste contexto. As únicas regiões com valores acima da média nacional neste tópico são a cidade de Lisboa e a Península de Setúbal.
A taxa de desemprego temporário, por outro lado, sofreu uma diminuição, comparativamente ao valor registado há um ano. Corresponde a 16.3%. 26.7% dos profissionais estão no mesmo emprego há mais de 20 anos. O maior grupo profissional é o que engloba os especialistas das atividades intelectuais e científicas. Correspondem a 22.6% do total de empregados de Portugal, gerando 16.8% do emprego no país.
As expectativas dos investigadores
O início de 2024 ficou marcado pelo aumento em três meses das expectativas empresariais. Contudo, em abril, estas diminuíram em todos os setores, exceto no caso do do comércio.
Comparando com os dados da União Europeia (UE), a percentagem de pessoas empregadas com baixo nível de qualificação em Portugal duplica a média da UE. Em causa, estão profissionais com o máximo de formação equivalente ao ensino secundário obrigatório. Quanto às pessoas empregadas com idades entre os 16 e os 64 anos, os valores de Portugal ultrapassam os da média da UE em 2.2%.
Isabel Roseiro, Diretora de Marketing da Randstad Portugal, afirmou: “Acreditamos que as análises que temos realizado permitem perceber melhor a evolução do mercado de trabalho e a influência que o contexto macroeconómico tem no seu comportamento.”
“Vimos que a perspetiva para a situação económica melhorou, mas que, ainda assim, continua negativa e que, pelo contrário, a perspetiva sobre a evolução do emprego aumentou ligeiramente. A verdade é que, no primeiro trimestre do ano, vimos o emprego a atingir um novo máximo histórico, mas que, no entanto, temos uma taxa de desemprego acima da média europeia, facto que não podemos ignorar.”, concluiu.