Dentro dos próximos 20 anos, existirá um número sem precedentes de pessoas a transitarem para a reforma em Portugal. Um dos receios desta realidade, que faz parte do percurso profissional das pessoas, é a ausência de uma preparação clara e intencional para a reforma.
“A primeira conclusão, numa freguesia que analisei, é que a população reformada é heterogenia. Pessoas que ao longo da vida, sofreram restrições ao vários níveis: relacional, reservado, condicionado e instrumental. A rotina, muitas vezes, era bastante fixa. Outra das conclusões foi a ausência da preparação intencional para a reforma e que a mesma tem impacto nas pessoas”, afirma Bruno Rebelo, autor do estudo “Gestão de Recursos Humanos e a Preparação para a Reforma”.
“Vamos ter muitas pessoas a transitar para a reforma dentro dos próximos 20 anos. O que faz com que temos de lidar com esta situação o melhor possível”, explica Bruno Rebelo, durante a apresentação do estudo.
Durante a sua reflexão, que decorreu em Lisboa no edifício da União Geral dos Trabalhadores, Bruno Rebelo apresentou alguns dos resultados e conclusões do estudo sobre o que pode ser feito a um nível macro ambiental para melhor preparar as pessoas para a reforma.
Rebelo identificou quatro fatores condicionantes pelo qual existe uma ausência de preparação intencional para a reforma. O primeiro é a visão empresarial de muitas empresas, que mantém uma visão orientada para o lucro e onde as pessoas continuam a ser vistas como números, o segundo é a própria discussão do tema, que ainda é recente em muitas empresas, o terceiro foca-se nos custos de implementação, como os custos logísticos para elaborar um plano de reforma, e em quarto a visão do Estado e das próprias pessoas, que “não são exigentes na discussão do tema do envelhecimento e na reforma por parte das organizações”.
O papel do Gestor de Recursos Humanos
“A pandemia trouxe uma mudança no cenário”, identifica Bruno Rebelo, que expressou na apresentação do estudo alguns aspetos que um Gestor de Recursos Humanos (GRH) deve ter na preparação para a reforma dos colaboradores das empresas.
“Ele deve saber diagnosticar, saber adequar a posição às capacidades do colaborador (ajustamento do horário, por exemplo), criar parcerias de âmbito desportivo e sociocultural, dar apoio psicossocial ao colaborador para perceber como ele se sente nesta fase final do trabalho), assegurar a transferência de conhecimento, dar um complemento de reforma, atribuir uma extensão do seguro de saúde e avaliação (contactar as pessoas para perceber como está a decorrer a vivência da reforma e recolher sugestões)”, enumera Bruno Rebelo.
Além destes, Bruno Rebelo indica quais serão os benefícios da preparação para a reforma. Para os indivíduos, permite a transição gradual, investimento no bem-estar futuro e a contribuição para a saúde e qualidade de vida das pessoas.
No caso das organizações, a preparação da reforma traz mais satisfação e produtividade dos trabalhadores e traduz-se numa imagem positiva da organização, contribuindo para a atração e retenção de talento.
“E, ao nível da sociedade, uma preparação clara e intencional para a reforma permite que pessoas mais integradas sintam-se mais participativas e saudáveis, levando a uma possível diminuição de despesas com o SNS e maior dinamização da economia enquanto consumidores”, conclui.