O estudo internacional “Radioscopia aos departamentos de Recursos Humanos” realizado pela Cegoc apresentou a edição de 2024. Foi em março que o inquérito sobre desafios futuros circulou por nove países: França, Alemanha, Itália, Portugal, Espanha, Reino Unido, Brasil, México e Chile. Participaram 5052 colaboradores e 554 decisores de Recursos Humanos de empresas privadas e públicas.
Os decisores de Recursos Humanos têm um papel legítimo nas transformações das suas organizações. 68% dos inquiridos apoiam desenvolvimentos tecnológicos. A Inteligência Artificial, a transformação digital dos empregos ou a digitalização da função são alguns exemplos.
A maioria dos Diretores de Recursos Humanos afirma que o que mais afeta o seu trabalho é a qualidade de vida no mesmo. Contudo, o apoio ao desenvolvimento de profissões e competências e as questões de diversidade e inclusão também têm grande impacto.
Os Desafios do Departamento de Recursos Humanos
Os resultados do inquérito demonstraram que os colaboradores têm enfrentado grandes desafios estratégicos, principalmente ligados a atração e recrutamento. Em Portugal, esta dificuldade revelou-se bastante acentuada. Ainda assim, não foram descartados outros desafios. Retenção de talentos, apoio à transformação e desenvolvimento de competências são, também, uma realidade.
Quanto à integração de Inteligência Artificial nas práticas de Recursos Humanos, esta é considerada por apenas 20% dos profissionais inquiridos. O foco dos Diretores do departamento é o empenho e o desempenho dos seus colaboradores. As suas funções passam, então, pela promoção do bom equilíbrio entre as vidas pessoal e profissional. Melhorar a saúde no trabalho, evitando o stress, por exemplo, é uma preocupação.
Em Portugal, 80% dos Diretores de Recursos Humanos exercem a sua profissão há mais de três anos e apenas 12% têm mais de 10 anos de experiência. A média dos nove países envolvidos no referido estudo apresenta valores mais elevados. A percentagem de colaboradores a trabalhar na área há vários anos aumentou 5% desde 2019. A experiência dos Diretores do departamento é considerada uma mais-valia.
85% dos profissionais internacionais considera que a atividade se tornou mais simples devido à automatização de tarefas. A racionalização de procedimentos é igualmente referida pelos profissionais.
A maioria dos colaboradores considera que o principal critério de atratividade de emprego é o apoio prestado ao desenvolvimento das competências. Os decisores internacionais reconhecem, na maioria, o papel dos gestores de Recursos Humanos. Ainda que em menor percentagem, os colaboradores também. Os gestores são encarados como interlocutores do apoio à mudança organizacional.
Os gestores de Recursos Humanos são encarados como interlocutores do apoio à mudança organizacional.
Os decisores de Recursos Humanos veem-se obrigados a conciliar as diversas complexidades da área. A principal dificuldade da atividade é, para a maioria dos profissionais, a reação e a resolução de emergências. Não obstante, lidar com o aumento da pressão e com mudanças de estratégia são também tidas como relevantes.
O excesso de carga de trabalho não impede os Diretores de Recursos Humanos de continuar a ligação às suas missões. Os profissionais demonstraram satisfação com o equilíbrio entre as vidas profissional e pessoal. Maioritariamente, os colaboradores internacionais afirmam desenvolver as suas competências para enfrentar novos desafios devido à formação. Em Portugal, o principal apoio advém de recursos online. As abordagens a longo prazo são muito consideradas, visto que 71% dos Diretores do departamento não pensam abandonar a profissão dentro de cinco anos. As decisões são, portanto, ponderadamente tomadas.
Os decisores de Recursos Humanos vêem-se obrigados a conciliar as diversas complexidades da área.
Os Recursos Humanos pelo Grupo Cegos
Isabelle Drouet de la Thibauderie, Human Resources Offer and Expertise Manager no Grupo Cegos, afirma: “Nos últimos anos, os DRH não têm tido descanso. Após a crise sanitária, que os levou a lidar com o teletrabalho e o trabalho híbrido, estes profissionais foram confrontados com novos desafios tecnológicos emergentes (como a explosão da Inteligência Artificial generativa), desafios sociais (o surgimento da RSE, a diversidade e a inclusão, a igualdade profissional entre homens e mulheres…)”
“Todos estes desenvolvimentos têm também um impacto nas competências. Os DRH foram, por conseguinte, considerados como atores-chave na transformação estratégica das suas organizações; devem agora afirmar esta posição. Para tal, é necessário dispor dos recursos adequados, de que nem sempre dispõem, e poder apoiar-se em fortes ligações internas. Estes desafios são tanto mais importantes quanto os DRH sabem que também têm de transformar as suas práticas e a sua própria função.”, continua.
Annette Chazoule, Management and Change Offer and Expertise Manager no Grupo Cegos, declara: “Esta Radioscopia 2024 salienta o facto de os gestores serem um pilar sólido e um retransmissor eficaz das políticas de RH e da sua implementação nas organizações.”
“A cooperação entre os gestores e os profissionais de Recursos Humanos é hoje um dado adquirido, mas estes últimos devem enfrentar um grande desafio: ainda precisam de formar os gestores para apoiar as muitas transformações emergentes, nomeadamente em matéria de Inteligência Artificial, RSE e qualidade de vida e condições de trabalho”, remata.
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