O Porto foi novamente distinguido pelo Financial Times como a melhor cidade europeia na atração de investimento. Como vê esta conquista e o que ela representa para o ecossistema tecnológico da cidade?
Esta distinção do Financial Times é um reconhecimento claro da atratividade e do dinamismo do Porto para investidores, empresas inovadoras e para a comunidade tecnológica. O Porto ser novamente distinguido representa não apenas a consolidação da cidade como um destino de excelência, mas também reforça a posição enquanto pólo tecnológico bem consolidado no país e emergente na Europa.
Para o ecossistema tecnológico, é uma validação do trabalho conjunto entre empresas, universidades e instituições públicas – do ecossistema como um todo – que têm vindo a criar condições excecionais para a inovação e o crescimento do setor e o posicionamento do Porto.
De que forma o crescimento do ecossistema tecnológico tem contribuído para o desenvolvimento e atratividade do Porto?
Não tenho dúvidas de que o crescimento do setor tecnológico tem sido um dos motores da transformação económica do Porto e da região Norte. Assistimos, de forma contínua, a um aumento do número de empresas tecnológicas a instalarem-se no Porto, empresas estas que escolhem a cidade para estabelecer e desenvolver as suas operações.
Isto tem impulsionado a criação de emprego qualificado, fruto tanto da necessidade destes profissionais como da evolução do mercado, atraído talento e também promovido o talento local e, consequentemente, fomentado um ambiente de inovação que beneficia a cidade como um todo – que por si só tem muito a oferecer.
Além disso, o esforço conjunto de entidades públicas e privadas tem estimulado o desenvolvimento de infraestruturas e melhorado a qualidade de vida, tornando o Porto ainda mais atrativo para o setor tecnológico.
A Porto Tech Hub completa 10 anos de atividade este ano. Qual tem sido o papel da associação no desenvolvimento do ecossistema tecnológico do Porto?
Ao longo da última década, a Porto Tech Hub tem desempenhado um papel fundamental na criação de um ecossistema tecnológico forte e colaborativo.
Desde a promoção de eventos e oportunidades de networking, partilha de conhecimento e experiência, como a Porto Tech Hub Conference, até ao lançamento do SWitCH, uma iniciativa de formação e requalificação de talento em parceria com o ISEP e a Câmara Municipal do Porto, temos trabalhado para garantir que a cidade continua a ser um destino competitivo para empresas tecnológicas e também para o talento.
A acrescentar, apresentamos organizações internacionais ao nosso ecossistema e facilitamos a sua integração na cidade, enquanto fomentamos a ligação entre as empresas e a academia, promovendo um fluxo contínuo de talento altamente qualificado e de empresas inovadoras que o acolhem.
Com 37% das 40 associadas da Porto Tech Hub sendo internacionais, como a associação tem trabalhado para atrair empresas estrangeiras para o Porto?
A nossa estratégia tem sido assente em três pilares fundamentais: promoção da cidade no palco tecnológico internacional, criação de um ambiente favorável à educação tecnológica e apoio contínuo às empresas que escolhem o Porto para se hospedar.
Estes três pontos estão sempre sintonizados com as mais recentes tendências do mercado, fazendo do Porto um palco para a partilha de experiências e conhecimento em tecnologias emergentes.
Estabelecemos parcerias estratégicas para posicionar o Porto como um destino tecnológico de referência. Além disso, colaboramos estreitamente com as entidades locais para garantir que o ecossistema oferece condições competitivas, seja em termos fiscais, de talento ou de infraestrutura.
O feedback que recebemos das empresas estrangeiras é que aqui encontram uma combinação única de inovação, qualidade de vida e talento altamente qualificado.
Quais são os principais desafios e oportunidades que vê para o futuro do ecossistema tecnológico do Porto?
Entre os desafios, destaco a necessidade de continuar a atrair e reter talento tecnológico, garantindo que conseguimos acompanhar a crescente procura por profissionais altamente qualificados e as exigências do setor, que acompanham o seu caráter evolutivo.
Para contrabalançar este cenário, é essencial reforçar a ligação entre universidades e empresas ao investir em programas de formação e requalificação e na integração de profissionais. Outro desafio, enfrentado não só pelo o Porto como pela Europa, é garantir uma infraestrutura digital de excelência e um ambiente regulatório favorável à inovação.
Por outro lado, há uma grande oferta de oportunidades. O Porto tem na sua génese um potencial enorme para se destacar em áreas como inteligência artificial, cibersegurança, desenvolvimento de software e tecnologia sustentável. E não só – há um interesse crescente em estabelecer centros de inovação na cidade, o que reforça a nossa posição como um pólo tecnológico de referência a nível internacional.
Para finalizar, qual é a sua visão para o futuro do Porto como hub tecnológico?
O Porto tem tudo para se afirmar como um dos principais hubs de inovação da Europa. A nossa visão é que a cidade irá continuar a crescer de forma sustentável, atraindo mais empresas tecnológicas de renome, desenvolvendo projetos de impacto global e posicionando-se como um local de excelência para o talento.
Para isso, vamos continuar a apostar na colaboração entre empresas, academia e setor público, criando um ambiente onde a inovação e o empreendedorismo possam prosperar. Se mantivermos este ritmo de crescimento, o Porto será, dentro de poucos anos, uma referência incontornável no panorama tecnológico global.
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