Em que medida é que a indústria 5.0 pode unir o capital humano e a tecnologia?
O conceito de Indústria 5.0 nasce, precisamente, da ligação e complementaridade entre pessoas e tecnologia. É uma evolução do conceito anterior (Indústria 4.0), porque incorpora este lado humanista e o propósito de termos indústrias sustentáveis, resilientes e centradas no ser humano.
Na Sonae Arauco, vemos a ligação entre as pessoas e as máquinas como colaborativa. Ferramentas como Inteligência Artificial (IA) ou a robótica podem ser uma ajuda preciosa em algumas tarefas, como as mais repetitivas, permitindo que as pessoas se concentrem em tarefas que exigem criatividade e pensamento crítico. Esta evolução das tecnologias no contexto das empresas pode ainda ser uma oportunidade de crescimento profissional para o talento interno e de empregabilidade em novas áreas.
Quais são os maiores desafios na gestão de pessoas, perante o desenvolvimento tecnológico?
Temos de adotar uma abordagem proativa e adaptável para enfrentar os desafios que o desenvolvimento tecnológico nos traz. Diria que podemos traduzir isto em algumas grandes áreas, começando pela liderança, que deve ser capacitada para lidar com equipas com níveis de conhecimento tecnológicos diferenciados e, não menos importante, para gerir a resistência à mudança.
Por outro lado, e a par disto, temos a requalificação e o desenvolvimento de competências, que é cada vez mais exigente, não só do ponto de vista de novas competências técnicas, mas também de soft skills, como a comunicação, a colaboração, o espírito de resolução de problemas, essenciais num ambiente de trabalho mais tecnológico.
E, por fim, destaco aquilo que tem sido sempre a nossa maior preocupação: garantir o equilíbrio entre automação e o trabalho das pessoas, uma vez que queremos garantir sempre eficiência, qualidade, mas sem descurar a criatividade e a intervenção das nossas pessoas, que são quem verdadeiramente conhece o contexto de negócio da Sonae Arauco.
Quais são as maiores oportunidades para o desenvolvimento humano, provenientes do desenvolvimento tecnológico?
As oportunidades advêm precisamente da visão da tecnologia como uma ferramenta que pode impulsionar o nosso trabalho, de uma forma sem precedentes. Por exemplo, com a implementação da Fábrica Digital na Sonae Arauco, uma ferramenta de gestão que analisa mais de 2.000 variáveis por cada linha de produção, conseguimos que a equipa ganhe entre uma hora e hora e meia diárias, porque o trabalho de recolha, comparação e cruzamento de dados necessário para a reunião diária é feito de forma autónoma.
Além disto, estes processos inovadores, que chegaram para colmatar as lacunas deixadas pela Indústria 4.0, são essenciais para transformar as fábricas em sítios onde a criatividade e a inovação se juntam à tecnologia para dar respostas mais rápidas a problemas e também para repensar processos e torná-los mais eficazes.
Qual é o impacto do desenvolvimento da indústria 5.0 na atividade da empresa?
A Sonae Arauco está empenhada na implementação deste novo paradigma da Indústria 5.0. Entregamos produtos sustentáveis, feitos a partir de uma matéria-prima com valor inestimável e através de um modelo de negócio de bioeconomia circular; trabalhamos diariamente para atingir um futuro neutro em carbono; valorizamos os nossos colaboradores ao longo da sua carreira e implementamos as mais recentes tecnologias, enquanto continuamos a investir ativamente em inovação, pesquisa e desenvolvimento.
Atualmente, a tecnologia é já muito relevante no nosso contexto. A Fábrica Digital, os sistemas de manutenção preditiva, os modelos de previsão de quantidades ótimas de matéria-prima, as pesagens inteligentes e os parques de madeira digitalizados são, hoje, uma realidade em várias unidades industriais da Sonae Arauco, apenas possibilitada por anos de trabalho de várias equipas que, de forma transversal e interdisciplinar, estão a produzir respostas claras para a pergunta “o que é que a tecnologia pode fazer por nós?”
Quais são as medidas implementadas para que o desenvolvimento humano acompanhe o desenvolvimento tecnológico?
Em simultâneo com a evolução tecnológica e desenvolvimento de processos mais eficientes, investimentos na formação e desenvolvimento dos nossos colaboradores através da nossa academia interna, a Sonae Arauco Knowledge Academy (SAKA), nomeadamente com a personalização dos planos de desenvolvimento das nossas pessoas, construídos com base nas matrizes de competência definidas para cada uma das áreas.
Neste âmbito, atualmente já temos 82% das competências mapeadas. A somar a isto, temos em curso um programa transversal de liderança que assenta nas competências core que se esperam de um líder Sonae Arauco, assim como das tendências emergentes do mercado.
De que forma se gerem as relações entre as diferentes hierarquias?
No caso da Sonae Arauco, estamos a evoluir no sentido de termos uma estrutura menos hierárquica, onde se valoriza o papel de cada um na concretização do propósito da empresa. No entanto, sabemos que o papel de qualquer líder é fundamental no bem-estar e no desenvolvimento dos colaboradores.
Neste âmbito, estamos a trabalhar num programa de liderança que tem, como um dos seus eixos, dotar os líderes de competências de comunicação clara e estruturada, que os ajudem a manter as equipas informadas e fazer com que todos se sintam parte integrante das decisões. Por outro lado, dar feedback contínuo garante o reconhecimento e valorização das pessoas que trabalham connosco.
Importa referir que, na Sonae Arauco, promovemos uma relação entre pares e hierarquias que assenta numa cultura transparente e inclusiva, que promove o respeito, a colaboração e a troca de ideias diária, para que todas as vozes se sintam ouvidas.
Quais foram as principais mudanças na atividade da empresa, resultantes da valorização da responsabilidade social?
A Sonae Arauco é uma empresa fundada em 2016 com o propósito de criar soluções sustentáveis de madeira para mobiliário. Dado o perfil da nossa atividade – trabalhamos com uma matéria-prima natural e reciclável, proveniente de florestas geridas de forma responsável – e o facto de termos as nossas fábricas localizadas em zonas de interior, temos uma política de responsabilidade corporativa assente em três grandes eixos: floresta e meio ambiente, educação e comunidades locais. Neste contexto, temos tido uma atuação coordenada com o ADN da empresa e que não tem sido impactada pelo contexto tecnológico.
Quais são os benefícios do desenvolvimento da indústria 5.0 para os colaboradores?
As principais vantagens que identificamos são o ganho de tempo para se dedicarem a tarefas que exigem competências humanas, como o espírito crítico, a criatividade e a inovação.
Quais são as principais estratégias implementadas para a eficaz gestão de pessoas, perante a modernização dos processos?
Sem dúvida que diria que a principal estratégia passa pelo desenvolvimento contínuo de competências dos colaboradores, a que se junta formação regular que lhes permita uma maior recetividade e adaptação mais rápida e facilitada às novas tecnologias ou novos processos.
Depois, e como unificador de tudo o resto, o papel das lideranças, que devem antecipar e promover o desenvolvimento das suas equipas, em linha com os requisitos do modelo de negócio da empresa, mas também com as suas expectativas profissionais.
De que forma é que as novas tecnologias podem proporcionar o emprego e reter talentos?
As novas tecnologias oferecem inúmeras oportunidades para atrair e reter talentos. Do lado do empregador, as novas tecnologias vieram facilitar processos de recrutamento, a forma como fazemos os processos de onboarding, as plataformas de e-learning onde disponibilizamos formação, e as plataformas de comunicação internas que nos permitem estar perto das pessoas.
Do lado dos candidatos e dos colaboradores, as novas tecnologias trouxeram processos de onboarding mais interativos, ferramentas de trabalho remoto e de gestão do tempo mais eficazes e ferramentas de colaboração e inovação.
No caso da Sonae Arauco, dado que temos um modelo de negócio que nos posiciona como pioneiros no contexto industrial, a tecnologia apresenta-se como um fator extra de atratividade e de retenção de talento na empresa.