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substituição de trabalhadores por robôs é já uma possibilidade assumida por uma das maiores empresas de comércio eletrónico da China. O Presidente da JD.com, Richard Liu, afirmou que os cerca de 700 mil estafetas da empresa acabarão por ser substituídos por sistemas automatizados de entrega, embora admita que ainda não seja possível prever quando essa transformação ocorrerá.
As declarações foram feitas durante o fórum de diretores executivos da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), realizado no passado domingo, em Pequim, numa altura em que a China acelera os investimentos em robótica e inteligência artificial (IA) para sustentar o crescimento económico e modernizar a sua base industrial. “No futuro, quando os robôs estiverem a entregar encomendas, mais cedo ou mais tarde chegará o dia em que os estafetas deixarão praticamente de ser necessários”, afirmou Liu.
Requalificação surge como resposta
Consciente do impacto da automação no emprego, o responsável revelou que a JD.com já assinou acordos com cerca de 120 escolas para preparar os trabalhadores para novas funções. Entre as áreas identificadas estão a reparação e manutenção de robôs, competências que deverão ganhar relevância à medida que a automação se expande. Richard Liu sublinhou que a tecnologia deve ser utilizada para melhorar a qualidade de vida das pessoas e não para retirar aos trabalhadores o acesso ao emprego.
Recorde-se que o mais recente plano quinquenal da China, aprovado em março, identifica a robótica como um dos setores estratégicos para a modernização industrial. Segundo a Federação Internacional de Robótica, Pequim pretende colocar a robótica “no centro do seu sistema industrial moderno”, promovendo a integração da IA em aplicações físicas com impacto direto na economia.
Ainda assim, a crescente automatização está a alimentar preocupações quanto ao futuro do trabalho, sobretudo entre os profissionais mais vulneráveis. Em março, o ministro dos Recursos Humanos e Segurança Social da China, Wang Xiaoping, afirmou que o Governo está a estudar formas de alargar a cobertura da segurança social aos trabalhadores das plataformas digitais.
De acordo com o Centro de Investigação sobre Novas Formas de Emprego da China, o número de trabalhadores temporários ou independentes deverá atingir 320 milhões este ano, face aos 200 milhões registados há cinco anos. Atualmente, representam cerca de 40% do emprego urbano no país. Em abril, a taxa de desemprego jovem situou-se em 16,3%, segundo dados oficiais.
Recentemente, recorde-se que a Human Rights Watch apelou às autoridades chinesas para reforçarem a proteção dos trabalhadores das plataformas digitais, após a adoção pela Organização Internacional do Trabalho de uma convenção sobre trabalho digno na economia das plataformas, iniciativa que contou com o apoio de Pequim.
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