A IA Generativa já é utilizada em todo o mundo. Cerca de 60% dos profissionais garantem que este tipo de ferramentas lhes poupa tempo no trabalho. Os dados são do estudo “AI at Work: Friend and Foe”, realizado pela BCG (Boston Consulting Group). A IA Generativa já é utilizada no trabalho por 72% dos profissionais. De entre eles, 58% revelam que economizam, com o uso da tecnologia, cerca de cinco horas por semana.
O tempo de trabalho que é possível poupar com a integração da IA Generativa é usado, por 41% dos profissionais, para executar mais tarefas. 39% utiliza-o para realizar novas atividades e 38% para implementar ações estratégicas.
Manuel Luiz, Managing Director e Partner da BCG em Lisboa, afirmou: “Cada vez mais, os profissionais reconhecem os benefícios que a IA Generativa acarreta, nomeadamente ao nível da produtividade. A maioria dos utilizadores desta tecnologia reporta uma poupança potencial de mais de cinco horas semanais, na aceleração de atividades rotineiras, como aceleração de pesquisa e automatização de trabalho administrativo.”
“Neste contexto, as empresas devem apoiar a sua força de trabalho na adoção das novas tecnologias, com benefícios ao nível da produtividade do trabalho, mas também ao nível de melhoria da proposta de valor apresentada aos empregados. Apenas desta forma as empresas conseguirão retirar todo o proveito que a ferramenta pode gerar”, concluiu.
Os resultados menos otimistas
Ainda assim, a implementação da IA Generativa não é apoiada por todos os profissionais. A ansiedade quanto ao impacto desta tecnologia aumentou 5 p.p. de 2023 para 2024, fixando-se agora nos 17%. Contudo, quase metade dos profissionais sentem-se confiantes. O aumento do receio de perder o emprego também se verificou face ao ano passado, assistindo 42% dos profissionais.
64% dos líderes afirma integrar a IA Generativa nas empresas, à medida que se vão ultrapassando os projetos piloto. Esta implementação inclui-se nos planos de remodelação das empresas e aumentou face a 2023. 52% dos profissionais usam a IA Generativa regularmente, um aumento de 32 p.p., comparativamente ao ano passado. De entre estes colaboradores da linha da frente, 43% utilizam-na no trabalho.
Os executivos também passaram a utilizar mais a IA Generativa em 2024, atingindo os 88%, mais 8 p.p. que em 2023. O uso para o trabalho é praticado por 82%. O receio de perder o emprego aumenta, quanto maior o uso desta tecnologia. Este medo assiste 49% dos colaboradores que usam a IA Generativa e apenas 24% de quem não a usa.
A importância da formação
As empresas têm procurado formar os seus colaboradores, mas os valores ainda são baixos. Apenas 28% dos profissionais de primeira linha receberam formação sobre a evolução e o impacto da IA Generativa nos seus empregos. Este valor representa um aumento de 14 p.p. face a 2023. Já na liderança, os profissionais que receberam formação representam 50%, o que também aumentou comparativamente ao ano passado.
A falta de formação é um dos motivos que pode justificar a desconfiança dos profissionais em relação à IA Generativa. Esta insegurança atinge 33% dos colaboradores da linha da frente, enquanto a ansiedade atinge 22%. Por outro lado, os líderes apresentam valores bastante diferentes. 50% têm confiança e apenas 15% se sentem ansiosos.
A BCG disponibilizou cinco sugestões de ações-chave, para que as empresas se adaptem melhor à IA Generativa, tirando da mesma o maior número de vantagens possível:
Adotar uma mentalidade de transformação, ultrapassando o período de teste e focando-se nos fatores de diferenciação de valor, através da adoção generalizada da IA Generativa na organização e do envolvimento dos colaboradores na transição.
Gerir as transformações de forma integrada, definindo objetivos e métodos de avaliação eficazes, para medir o progresso e os principais resultados da implementação da tecnologia, bem como para garantir uma boa execução da estratégia empresarial.
Formar os profissionais em grande escala, avaliando as lacunas de qualificações para requalificá-los em conformidade e priorizando a formação contínua, dada a rápida evolução da IA Generativa.
Enfatizar os benefícios da adoção desta tecnologia, nomeadamente a sua capacidade para aumentar a criação de valor, bem como a satisfação dos colaboradores no exercício das suas funções, comunicando de forma clara de que modo a tecnologia pode auxiliá-los em funções administrativas.
Desenvolver um novo modelo operacional que alie o talento à IA, antecipando a evolução do mercado, para orientar estratégia de planeamento e reformulação de funções e competências.
O referido estudo baseou-se num inquérito global a mais de 13.000 profissionais e contou com a participação tanto de líderes executivos, como de colaboradores da linha da frente. Quanto à conclusão dos resultados de Portugal, os profissionais do país estão dispostos a requalificar-se para se manterem competitivos. Isto porque reconhecem o impacto da IA Generativa, tendo interesse em adaptar-se à mesma.