“Investimento em bem-estar: o que os colaboradores realmente pensam?” foi a temática do Webinar que decorreu recentemente, com o apoio do Urban Sports Club. A conversa centrou-se no investimento feito nas pessoas, o impacto que tem para as organizações e de que forma está (ou não) alinhado com as expetativas dos colaboradores – influenciando diretamente a sua decisão de permanecer ou sair das empresas.
Com a moderação a cargo de Ana Pinto, Diretora de Conteúdos e Desenvolvimento de RH do IIRH, o painel de oradores convidados contou com Marco Moutinho, Well-being Advisor da Jerónimo Martins; Carla Silva, People Director for Portugal da Minor Hotels; Vitor Rocha, Corporate Account Executive do Urban Sports Club.
A sessão teve início com a intervenção de Ana Pinto, que destacou o consenso em torno da crescente valorização do well-being. Longe vai o tempo em que apenas o reconhecimento profissional era prioritário. Atualmente, o bem-estar físico e emocional dos colaboradores é um dos pilares centrais numa cultura organizacional saudável, fruto da mudança de paradigma que o mercado de trabalho enfrenta.
Do lado da Jerónimo Martins, Marco Moutinho começou por alertar para a importância da avaliação contínua das iniciativas de bem-estar. “Se não registarmos, avaliarmos e monitorizarmos o impacto das nossas iniciativas e da comunicação, estas terão pouco ou nenhum efeito.”
Métricas que fazem a diferença
Já Carla Silva, da Minor Hotels, destacou ferramentas de escuta do grupo hoteleiro, como os surveys, e a sua importância para uma abordagem estratégica e mais empática face àquilo que são as reais necessidades dos colaboradores. Admite, no entanto, que “haverá sempre lacunas, porque cada pessoa tem necessidades distintas. Mas, com base nos resultados dessas ferramentas, trabalhamos várias dimensões do bem-estar, de forma holística e empática”.
Da escuta ativa dos trabalhadores resultaram medidas concretas como programas de apoio psicológico, sessões de mindfulness e a introdução do payflow. “Acreditamos que o bem-estar também passa pela vertente financeira”, sublinhou.
À boleia do investimento na saúde física e emocional dos trabalhadores, o Urban Sports Club tem crescido e adotado medidas que permitem aferir o retorno das suas iniciativas. Vítor Rocha apontou a taxa de ativação das subscrições como um indicador relevante. “Internamente ainda não o fazemos e é algo que queremos”, disse, acrescentando ainda que todos os benefícios existentes na empresa foram sugeridos pelos próprios colaboradores.
Sobre os KPIs que melhor refletem o retorno do investimento em bem-estar, Marco Moutinho debruçou-se sobre a sua realidade, referindo desde os índices de well-being à taxa de presença em iniciativas internas. No entanto, advertiu: “A maioria dos dados sobre bem-estar não é assim tão tangível”. Nas palavras do próprio, “o bem-estar e a saúde são conceitos diferentes. Muitas vezes, o bem-estar está relacionado com perceções de felicidade e propósito”.
Talento valorizado é talento que permanece?
Desafiado a pensar sobre o peso que o bem-estar assume na retenção de talento e nos gaps geracionais, o Corporate Account Executive do Urban Sports Club salientou a importância do fator social. “É muito, mas mesmo muito importante que as pessoas se sintam ligadas à empresa e percebam que estão no sítio certo”, defendeu Vítor Rocha.
Recorrendo a uma metáfora, o Well-being Advisor da Jerónimo Martins acrescentou: “Nós, Recursos Humanos, somos a parede da célula e a parte permeável. A atração está muito ligada ao branding da marca, à sua reputação e diferenciação do mercado, mas também ao alinhamento com os valores e cultura”. Para Marco Moutinho, a expetativa e a experiência do colaborador “não podem estar muito distantes uma da outra e aqui é que entra o trabalho do well-being”.
A People Director for Portugal da Minor Hotels, Carla Silva, reforçou que “as pessoas têm uma grande necessidade de reconhecimento no seu posto de trabalho”, o que levou à criação de iniciativas como a Appreciation Week e outros programas de reconhecimento no grupo. Mais: o envolvimento da liderança de topo é unanimemente considerado essencial “para integrar o bem-estar de forma sustentável nos valores e na estratégia” das empresas.
Para rematar o Webinar, os oradores foram convidados a partilhar as tendências futuras nesta área, mencionado desde o apoio à parentalidade ao trabalho flexível, passando por programas de well-being. Marco Moutinho foi mais longe: “As pessoas vão querer desligar”. E é aí que, no seu entender, os retiros, o trabalho de comunidade, os exercícios respiratórios e o mindfulness, assim como o apoio em momentos de crise, vão ganhar destaque.
Assista ao Webinar em: https://www.youtube.com/live/cR4M-b0TvYA
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