Autor: João Miguel Rodrigues Chief People Officer da Aubay Portugal
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A liderança, tal como no amor, parece evidente que é mais difícil manter a chama de uma relação quando se está distante fisicamente, mas será impossível?
Muda o formato, mas não o conteúdo. Não chega gostar da outra parte, temos de o demonstrar constantemente, através de esforço, preocupação, disponibilidade e proximidade.
O respeito pela individualidade, a demonstração de confiança, a flexibilidade e a atribuição de autonomia são essenciais para passar das palavras aos atos.
Mas como fazê-lo na prática?
Delego responsabilidades em vez de delegar tarefas. Não faço o trabalho nem resolvo os problemas pela minha equipa, opto por lhes dar suporte na tomada de decisão, para que pensem pela própria cabeça, seguindo os valores e princípios instituídos. Não cobro o que estão a fazer (controlo), cobro entregas (accountability).
Só é possível quando o nosso foco está em planear e comunicar, comunicar muito! É isso que cria verdadeiro impacto e que inspira as pessoas! Parece demasiado básico?
Mas se não fazemos o básico, de que serve complexificar?
Dá trabalho preparar uma reunião e comunicar detalhadamente a nossa visão sobre cada tema? Sim, dá! Mas permite alinhar expectativas, substituir as perguntas de circunstância que são comuns no trabalho presencial, em que estamos lado a lado.
Permite mostrar a nossa visão, o que esperamos de uma entrega e, muito importante, o que esperamos de cada elemento. É isso que inspira as pessoas a superarem expectativas. Quando temos a capacidade de envolver, de passar a confiança de que a equipa conseguirá passar do plano à ação.
Dar propósito em vez de respostas! As dúvidas, receios e necessidades de feedback fazem parte do jogo e temos de estar disponíveis. E estar disponível não é responder a mensagens de 5 em 5 minutos.
Acredito que passa por educar a equipa para um feedback e feedforward regulares, planeado e estruturado. Se queremos uma equipa autónoma e capaz de trabalhar à distância, dar tempo para que cheguem às respostas sozinhos é essencial.
Tal como numa relação entre pai e filho, o papel principal de um líder é preparar a nossa equipa para saber como atuar quando não estivermos por perto! “Ensinar a pescar” é crucial, porque no “mar agitado e perigoso” do trabalho à distância, mais importante do que a nossa presença assídua, é a presença dos valores, dos ensinamentos e das experiências que, enquanto líderes, conseguimos que as nossas equipas absorvam.
E tu, como líder, queres ser redundante ou imprescindível? Queres deixar um legado ou uma herança?
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