O
atual contexto global, marcado por tensões geopolíticas e pressões económicas sem precedentes, está a obrigar as organizações a acelerar a transformação dos seus negócios e a repensar os seus modelos operacionais. A conclusão é do novo relatório da consultora Oliver Wyman, 2025 Global Performance Transformation: Navigating The Vortex – Leadership Strategies For The C-Suite, que analisou as prioridades e desafios de 500 executivos de topo em 22 países.
Pela primeira vez, a rentabilidade ultrapassa o crescimento como principal prioridade estratégica para os líderes empresariais: 55% apontam-na como o objetivo número um. Esta mudança reflete uma crescente pressão para garantir a sustentabilidade financeira num ambiente marcado pela volatilidade e pelo aumento dos custos.
Atualmente, a aposta recai em eficiência operacional, automatização de processos e adoção tecnológica. Para segundo plano ficam estratégias de longo prazo como aquisição de talento ou transformação cultural.
O relatório revela que a transformação organizacional continua a ser um desafio: só 3% das empresas com grandes iniciativas nos últimos 12 meses conseguiram cumprir todos os seus objetivos. Já 30% admitem ter ficado aquém das expetativas.
“Transformar uma organização nunca foi fácil e, no contexto atual, é ainda mais difícil. Muitas empresas ficam a meio caminho porque tentam avançar demasiado depressa ou sem uma direção clara. Atualmente, mais do que velocidade, são necessárias adaptabilidade, capacidade de escuta e uma visão partilhada. A transformação exige compromisso, flexibilidade e liderança interna. As organizações que alcançam melhores resultados são aquelas que apostam em processos graduais, lideranças partilhadas e que contam com estruturas preparadas para absorver a mudança”, explica Pablo Campos, Presidente da Oliver Wyman em Portugal e Espanha, em comunicado.
Mais de metade dos executivos (54%) identificam a inteligência artificial e as ferramentas digitais como as mudanças mais significativas esperadas para o próximo ano. A transformação digital surge como chave para aumentar a competitividade, responder à pressão dos mercados e capacitar os colaboradores para novas exigências, como o upskilling e a redefinição de funções.
Geopolítica: um fator crítico na agenda empresarial
O risco geopolítico assumiu um lugar central na agenda empresarial de 2025. Quase 70% dos líderes antecipam disrupções operacionais ligadas a conflitos, sanções económicas, tensões comerciais ou alterações regulatórias. Embora a Ásia-Pacífico seja a região com maior nível de preocupação (76%), são os líderes europeus os que antecipam perturbações mais severas (24%, face a 15% na Ásia e 14% nas Américas).
Este cenário está a levar as empresas a reforçarem os mecanismos de resiliência estratégica, com iniciativas como a diversificação de cadeias de abastecimento, localização da produção, cibersegurança e novos protocolos de gestão de risco.
O relatório destaca cinco elementos fundamentais comuns às organizações que conseguiram avançar com êxito nos seus processos de transformação:
- Revisão profunda da forma de trabalhar, incluindo a automatização e o redesenho abrangente dos processos;
- Liderança unificada e comprometida, com visão e objetivos partilhados;
- Estratégias personalizadas, adaptadas à cultura e à estrutura específicas de cada organização;
- Cultura de inovação e colaboração que estimula a diversidade de perspetivas;
- Sistema rigoroso de acompanhamento, baseado em métricas específicas focadas na produtividade, no cliente, nas finanças e nas pessoas.
Estas cinco alavancas, combinadas com a aplicação da inteligência artificial como uma estratégia empresarial central, constituem a base para construir transformações sustentáveis, mensuráveis e alinhadas com os desafios de um mundo em constante mudança. Além disso, oferecem um roteiro claro para as empresas que desejam transformar com sucesso as suas operações e preparar-se para um ambiente cada vez mais complexo, tecnológico e dinâmico.