Tendo-se licenciado em Medicina, exerceu actividade clínica durante alguns anos no Hospital de S. João, no Porto. Chegou a especializar-se em alguma área?
Trabalhei em psicofisiologia e preparei-me para fazer o doutoramento em Cambridge, pois ganhei uma bolsa para fazer o doutoramento. Mas, entretanto, o meu pai tinha falecido, e assim optei por deixar a minha carreira e dedicar-me à empresa. Não cheguei a terminar a minha especialidade.
Paralelamente foi docente na Universidade do Porto.
Sim, exactamente. Dei a cadeira de Psicofisiologia durante seis anos.
Foi a circunstância de leccionar a cadeira de Psicofisiologia que o levou a interessar-se a fundo pela investigação científica?
Quando quis desenhar a minha carreira profissional no âmbito da Medicina, gostava muito do contacto com o doente mas gostava também da parte da investigação e de leccionar. Imaginava a minha carreira como investigador e docente universitário. Como não foi possível fazer esse percurso naturalmente, o facto de ter estado ligado à investigação e de ter querido seguir uma carreira de investigação por mim próprio teve consequências nas grandes opções que tomámos na empresa. Por outro lado, a minha formação de médico e de investigador sempre me ajudou a perceber melhor os rumos e os caminhos que ditam as grandes opções estratégicas da indústria farmacêutica.
Porque decidiu abandonar a carreira médica e dedicar-se em exclusivo à gestão de empresas?
Porque o meu pai faleceu quando eu estava a meio do curso. O meu pai faleceu com 50 anos, muito jovem ainda. Ainda fiquei alguns anos a tentar perceber o que devia fazer, mas, como não conseguia vender a minha quota da empresa e queria fazer o doutoramento em Inglaterra, optei por deixar a minha carreira e dedicar-me exclusivamente à empresa. Costumo dizer que esta era a única empresa pela qual eu poderia fazer isso, ou seja, não sentia nenhuma vocação para empresário, tinha era uma grande admiração pela obra do meu avô e do meu pai.
Com que idade assumiu a liderança dos laboratórios Bial?
Com 27 anos.
Sendo tão jovem, foi fácil impor as suas ideias e liderar a equipa?
Impor não, conquistar. Quando assumi a liderança da empresa estávamos em 1979, poucos anos depois do 25 de Abril, e tinha a noção que era muito importante conquistar as pessoas. Eu sempre pensei que a maior riqueza das instituições são as pessoas. O meu ideal era conquistá-las e juntamente com toda a equipa percorrer um caminho, que eu sabia que iria ser muito difícil. Não tinha a noção se iria ser capaz ou não, mas felizmente fomos conseguindo e assim fui fazendo um percurso muito simpático.
Quantas pessoas integravam a Bial nessa altura e atualmente?
162 pessoas e actualmente 820 pessoas. Nessa altura, estávamos apenas em Portugal e agora estamos em diversos países. Estamos a vender produtos Bial em 50 países.
Desse universo de pessoas, quantas é que estão dedicadas à investigação?
120 pessoas.
De quantas patentes é a Bial detentora atualmente?
Somos detentores de mais de uma centena de patentes. No entanto, são seis as patentes de produtos e potenciais novos medicamentos a irem para o mercado. Um já se encontra no mercado, que é o antiepiléptico Zebinix. Temos ainda mais cinco potenciais novos medicamentos a irem para o mercado ao longo dos próximos anos. Para cada um desses medicamentos temos diversas patentes.
Quais são as áreas médicas em que a empresa desenvolve pesquisa?
Sistema nervoso e área cardiovascular.
Sob a sua presidência, a Bial tornou-se a primeira empresa farmacêutica internacional de inovação de origem portuguesa. Quando teve início a internacionalização?
Quando assumi a liderança da empresa no início dos anos 1980, decidimos que as linhas estratégicas para o desenvolvimento da companhia seriam a qualidade, a inovação e a internacionalização. Começámos a investir em qualidade de imediato. Em 1993, criámos o nosso departamento de investigação e um pouco antes, por volta do ano 1988, começámos a internacionalizar-nos. Começámos pela África de expressão portuguesa, depois a África francófona, América Latina, Europa. Hoje estamos em cerca de 50 países.
O processo de internacionalização tem também sido conseguido através de aquisições…
Algumas. Em Espanha fizemos uma aquisição, em Itália também e em Moçambique fizemos outra aquisição. Em alguns países temos feito aquisições. Noutros começamos a partir do zero.
Recentemente a Bial integrou um diretor geral para a internacionalização. Qual é a estratégia e os objetivos que estão aqui subjacentes?
A Bial tem como objectivo uma forte internacionalização da empresa, o que implica estarmos no primeiro mundo. Em 1988, começámos por África, depois pela América Latina e só nos anos mais recentes é que viemos para a Europa. Na Europa, estamos com alguma dimensão em Espanha, Itália, Chipre e Malta. Nos grandes países europeus, estamos presentes através de empresas licenciadas por nós, mas queremos alargar a nossa presença no continente europeu. Nós entendemos que uma empresa verdadeiramente internacional tem de ter uma presença forte no primeiro mundo. Os Estados Unidos, para nós, são mais complicados, pela dimensão do mercado, e o Japão e a China estão muito longe, pois têm hábitos de prescrição bastante diferentes dos nossos. Entendemos que é na Europa que temos uma maior apetência e é aí que estamos focados nos próximos dez anos.
O estabelecimento de parcerias internacionais é uma prioridade da empresa?
Sim. Nalguns países não temos dimensão para estarmos presentes, como por exemplo nos Estados Unidos, então procuramos fazer parcerias com empresas norte-americanas para distribuírem os nossos produtos. No Extremo Oriente, no Japão, na China e na Coreia do Sul é assim que negociamos a comercialização dos nossos produtos, através de distribuidores licenciados pela Bial.
Qual é presentemente a quota de mercado da Bial?
Em Portugal, a quota de mercado é de 4%. O mercado farmacêutico continua muito pulverizado, em Portugal e no mundo.
Do orçamento da Bial, qual é a parcela dedicada à investigação científica e inovação?
Normalmente temos investido cerca de 22% por ano. Em alguns anos temos investido um pouco mais.
Em que circunstâncias surgiu a Fundação Bial?
A fundação surgiu quando decidimos fazer um projecto inovador, que ninguém tinha feito em Portugal. Sabíamos que ia ser muito difícil, pois nenhuma outra empresa portuguesa tinha levado novos medicamentos ao mundo, mas também sabíamos que em Portugal havia muitos bons profissionais de saúde e que por vezes tinham dificuldade em ser reconhecidos fora de portas. Então resolvemos envolver-nos numa fundação que apoiasse os bons profissionais de saúde que há em Portugal, os ajudasse a editar as suas obras, a verem-nas distribuídas e também que os apoiasse na investigação através de bolsas. Procurámos uma parceria com os investigadores portugueses, pois sabíamos que nos iam ajudar a fazer o percurso que estamos actualmente a fazer. Nós temos 120 investigadores, e em Portugal uma empresa ter 120 investigadores já é um número muito simpático; contudo, comparado com o número de investigadores que as multinacionais têm, largas centenas e por vezes milhares, é um número pequeno. Só conseguimos fazer o percurso de investigação que estamos neste momento a fazer através de uma rede de conhecimento que temos com um conjunto de instituições de investigação muito grande. Começámos por abordar algumas instituições portuguesas, depois fomos abordando instituições espanholas, alemãs, inglesas, norte-americanas, russas, japonesas. Nos últimos 18 anos, contratámos mais de uma centena de instituições de investigação para emparceirar connosco. Costuma-se dizer que é difícil fazer a ponte entre as empresas e as instituições universitárias na área da investigação, mas nós não fizemos uma ponte, fizemos sim uma rede, com mais de uma centena de instituições. E esta é a forma como conseguimos desenvolver os nossos projectos. Fomos de alguma forma inovadores, porque este processo não era tradicionalmente usado na indústria farmacêutica. Normalmente as grandes multinacionais concentravam-se em tudo. Nos últimos anos, tem-se verificado cada vez mais a descentralização de uma série de serviços. Nós fomos de alguma forma pioneiros porque desde 1992/1993, quando começámos, procurámos fazer as coisas em parceria com diversas instituições de investigação.
Quantos bolseiros já foram apoiados pela fundação?
Apoiámos 387 projectos, envolvendo 1267 investigadores.
A Fundação Bial atribui também anualmente um dos maiores prémios europeus na área da saúde…
O Prémio Bial foi criado em 1984 com o objectivo de incentivar a pesquisa médica e divulgar obras de grande repercussão na área da investigação médica. Este prémio iniciou-se premiando portugueses. Quando a Bial começou a alargar a presença noutros países, profissionais de saúde desses países começaram a questionar o facto de em Portugal termos um prémio e dizendo-nos que também gostariam de o ter no próprio país. Em Espanha não podíamos deixar de estar presentes e depois fomos largando os prémios aos países de expressão portuguesa e finalmente em todo o mundo. Hoje é um prémio internacional, a última edição foi ganha por um canadiano, uma outra vez foi ganha por um belga e outra vez foi ganha por um espanhol.
Sugiro que orientemos a entrevista para questões ligadas à gestão de recursos humanos. Tem sido fácil recrutar os talentos indispensáveis para o desenvolvimento da Bial?
Não tem sido difícil. Na empresa entendemos que a nossa maior riqueza são as pessoas, entendemos que com boas pessoas se faz um belíssimo trabalho e com pessoas não tão boas as coisas correm mal. Procuramos seleccionar os melhores. Vamos descobrindo se os melhores estão na zona do Porto ou em Lisboa, no Algarve ou no Minho e procuramos ir lá buscá-los. E se não estão em Portugal, se estão em Inglaterra, em Espanha ou noutro sítio, procuramos ir lá buscá-los. Temo-nos dado bem com essa forma de actuar. Neste momento, temos uma belíssima equipa de 120 investigadores que são de oito países diferentes, todos europeus. Orgulhamo-nos de ter uma equipa forte e de ter tido sucesso na conquista de pessoas para o nosso projecto. Descobrimos que Portugal é um país atractivo para essas pessoas, excelentes profissionais, seniores, que vêm para Portugal com muita satisfação, pois temos um clima ameno, temos um ambiente muito bom, as pessoas acolhem muito bem, come-se bem, bebe-se bem. As pessoas gostam de vir para Portugal.
A gestão de pessoas na indústria farmacêutica tem especificidades ou as boas práticas são comuns a qualquer outro setor de atividade?
Penso que não existe grande especificidade no que diz respeito à gestão de recursos humanos.
Que técnicas é que são utilizadas na Bial para estimular a criatividade e a motivação das equipas, designadamente as que estão ligadas aos centros de investigação?
Não há grandes segredos. Procuramos responsabilizar as pessoas, dar-lhes autonomia e activamos a criatividade nessas pessoas, damos-lhes espaço de manobra para que os próprios se envolvam no projecto. Nós procuramos na empresa sobretudo um elevado nível de responsabilidade. Eu costumo dizer que nunca pedi a ninguém para fazer uma hora extraordinária. Acho que cada profissional é que sabe se tem necessidade de fazer mais algumas horas. Porquê? Porque o profissional é que define os próprios objectivos e depois tem a responsabilidade de os assumir e a responsabilidade de os cumprir. No fundo, a palavra-chave é essa, a responsabilização das pessoas com autonomia para poderem trabalhar. Temo-nos dado bem com essa forma de estar.
Também são utilizados incentivos financeiros?
Na área da investigação não. Nós entendemos que a criatividade deve andar de braço dado com a espontaneidade. Não deve haver pressão financeira. A pessoa deve ter prazer em fazer as coisas acontecerem. Esse prazer interior vale muito mais do que um incentivo financeiro.
Gostaria ainda de lhe colocar algumas questões fora do universo Bial. Atualmente é o Presidente do Conselho Geral da Universidade do Porto. Quais são as atribuições deste órgão?
É um órgão de gestão não executivo. Cabe-lhe definir as grandes linhas gerais de gestão da Universidade do Porto, cabe-lhe acompanhar a gestão executiva que é feita pela reitoria, cabe-lhe eleger o reitor. De uma forma geral, são essas as principais atribuições.
O que pensa acerca da ligação das escolas às empresas como estratégia de desenvolvimento científico, tecnológico e económico-financeiro?
Acho essencial. Acho que, no caso português, é essencial que as empresas se foquem no conhecimento acumulado das universidades portuguesas. Acho que em Portugal existem bons institutos de investigação e é uma pena que os bons resultados nas políticas de ciência nos últimos 15 anos não tenham conseguido chegar à economia. Ou seja, deveria ter havido um diálogo construtivo entre a economia e a ciência por forma a podermos conseguir dar ao mercado frutos desse conhecimento acumulado. Os novos produtos, os novos serviços, têm de ser competitivos à escala global. Se Portugal quer ter uma economia competitiva tem de apostar na inovação e para Portugal apostar na inovação têm de ser as empresas a procurar nas universidades novas soluções. Penso que só nas universidades é que há realmente uma massa acumulada de conhecimento suficiente para satisfazer isso. É uma pena não se ter conseguido fazer isso até agora. Mas é sempre possível fazer, e essa deverá ser uma linha de rumo para o desenvolvimento estratégico do nosso país.
É também o presidente do Health Cluster Portugal e administrador da COTEC…
No Health Cluster Portugal procuramos desenvolver iniciativas apostando na inovação, apostando na interligação entre as instituições de investigação, as empresas, os hospitais. De uma forma geral, todo o sector da saúde está apostado em tentar encontrar novas soluções que possam melhorar as condições de saúde dos portugueses e, ao mesmo tempo, criar uma dinâmica económica na saúde que possa projectar o país lá fora. O sector da saúde é um sector que exporta mais de 600 milhões por ano, o que quer dizer que é um sector que cada vez mais assume uma dimensão internacional. Pensamos que fazemos bem, a saúde que se faz em Portugal é boa e temos capacidade de exportar parte daquilo que fazemos. E isso é o que procuramos.
Quanto à COTEC, trata-se de uma associação de cerca de 120 das maiores empresas portuguesas que se juntaram para incentivar a economia portuguesa a apostar na inovação. Desde o conhecimento das empresas entre si, o conhecimento universitário, o conhecimento de outros projectos a nível europeu, é isso que procuramos incentivar para o desenvolvimento do sector da economia nacional.
Na actual situação de crise em que estão mergulhadas muitas empresas portuguesas, que estratégias de desenvolvimento sugere?
A grande aposta da economia portuguesa deve ser na inovação. Nestes últimos 15 anos, Portugal evoluiu bastante do ponto de vista da ciência. Já ultrapassámos a média dos doutorados existentes nos restantes países da União Europeia, o número de publicações científicas é neste momento muito próximo à média da União Europeia, o número de citações dos artigos portugueses publicados tem vindo a crescer. Há, de facto, um conjunto de parâmetros que nos dizem que a ciência evoluiu muito em Portugal. É uma pena que pelo lado da economia não haja esse envolvimento e esse aproveitamento do saber acumulado do lado da ciência. Seria muito saudável para o país ter uma definição estratégica fortemente apostada na inovação competitiva à escala global.
Antes de finalizarmos, peço-lhe para nos responder a mais algumas questões de carácter pessoal. Na sua actividade científica, de gestor e de cidadão, tem sido distinguido com inúmeros prémios. Qual foi aquele que lhe tocou mais fundo?
Gostei muito da primeira condecoração que o país me ofereceu: o Dr. Mário Soares, enquanto Presidente da República, condecorou-me como comendador da Ordem do Mérito aos 40 anos. Sensibilizou-me muito, pois nunca tinha imaginado na vida que receberia tal distinção. Foi absolutamente fantástico.
Mas há um momento da minha vida que, para mim, foi mais fantástico do que esse. Eu era presidente da Bial há cerca de um ano e fui convocado pela comissão de trabalhadores para uma reunião de emergência. Eu fiquei bastante preocupado. Estávamos em 1980 e estava tudo a correr bem, “o que se passa agora?”, pensei. Cheguei à reunião e fiquei ainda mais preocupado quando o presidente da comissão de trabalhadores começou a ler um relatório imenso.
Começaram por dizer que a comissão de trabalhadores tinha estado no Ministério do Trabalho. Mas, afinal, tinha sido para suspenderem a actividade da comissão, pois entendiam que a administração estava a merecer a total confiança deles. Por entenderem que na conjuntura difícil que o país vivia era saudável transmitirem à organização essa total confiança, suspendiam a sua actividade de comissão de trabalhadores. Nesse momento, senti que tinha conquistado as pessoas da minha empresa. Foi a melhor condecoração que alguma vez recebi, embora felizmente tenha recebido outras. Mas esse foi um momento fantástico da minha experiência como gestor.
Este ano, a nossa revista sentiu-se muito honrada em lhe atribuir o Prémio RH, na modalidade Personalidade do Ano 2010… Quer comentar o que significou para si essa atribuição?
Nunca me tinha passado pela cabeça receber uma distinção de uma instituição da área dos recursos humanos, pois não sou especialista do sector. A primeira sensação foi de ficar admirado por se terem lembrado de mim e depois muito satisfeito. Tenho pelas pessoas um enorme carinho; a riqueza está nas pessoas, não está nas coisas, não está nos equipamentos, não está nos produtos. Fiquei muito satisfeito por ter um reconhecimento público de que eu tenho algum cuidado com as pessoas e que gosto das pessoas.
Sabemos que a leitura e a escrita são para si prazeres quotidianos. Já publicou quantos livros?
Publiquei sete livros.
Quais são os temas predominantes na sua obra literária?
Não tenho nenhum tema específico, tenho escrito um pouco sobre tudo. Os meus livros, até agora, eram sobretudo compilações de textos. Durante 16 anos colaborei com o Jornal de Notícias, escrevendo artigos de opinião, e um dia desafiaram-me a editar um livro, acrescentando alguns textos e fazendo pequenas alterações. A ASA pegou neste projecto e o primeiro livro teve três ou quatro edições, correu bem. Depois continuei a publicar outros. Tomei-lhe o gosto… No futuro ambiciono fazer algo um bocadinho diferente. Mas o tema sobre o qual mais gosto de escrever é sobre questões existenciais. É o tema que mais me fascina.
Das leituras que fez até hoje, qual é o livro que considera tê-lo marcado de forma indelével?
O Livro do Caminho Perfeito, de Lao Tsé. É um pensador oriental e o livro tem uma simplicidade fantástica.
Com tantas delegações da Bial no estrangeiro deve certamente viajar imenso. Para si, qual é o país que considera mais apaixonante?
Eu viajo desde os meus 20 e poucos anos, antes mesmo de ser presidente da empresa. Sou uma pessoa que gosta imenso de viajar. Gosto sobretudo de conhecer as pessoas. Não há filme nenhum, não há televisão nenhuma que consiga transmitir o cheiro da terra quando em África o sol bate no solo. Há determinadas coisas que só no local é que se percebe e se vibra com essas experiências.
Eu gosto muito de Portugal, acho que temos paisagens deslumbrantes. Pena é que os portugueses são muito lamechas, queixam-se sempre de qualquer coisa, mas temos um país lindo. Por vezes pondero: se fosse viver para outro sítio, onde é que iria viver? Se fosse possível, tinha um país de Verão e outro de Inverno, ou melhor, uma cidade de Verão e outra de Inverno. Tenho um enorme prazer em estar no Brasil, pelas mais diversas razões, desde as culturais às climatéricas, toda a geografia linda que o Brasil tem. O Rio de Janeiro é uma cidade magnífica e, apesar das questões de segurança que hoje se põem, o Rio de Janeiro seria a minha cidade de Verão favorita. Contudo, tenho uma cidade de frio de que gosto muito: eu aprecio muito os suíços, acho que é uma gente muito tranquila e muito serena, que faz as coisas acontecerem com serenidade. Apesar disso, acho que a Suíça alemã é uma Suíça demasiado fria para o meu gosto; a Suíça francesa faz mais o meu género. Cidades como Genebra, Lausanne são cidades muito agradáveis e muito bonitas, com o lago ali ao lado. E depois há a montanha… Dá para fazer ski e ouvir o silêncio no meio da montanha − são duas coisas de que eu gosto muito.
Para terminarmos, peço-lhe que deixe uma mensagem aos leitores da Recursos Humanos Magazine.
Talvez lembrasse que na vida teremos sempre vantagem se, nas diversas situações em que possamos estar com alguém pela frente, procurarmos colocar-nos no seu lugar. Na gestão de recursos humanos acho isso muito importante. Sempre que estejamos a dialogar com outro devemos proporcionar-lhe aquilo que gostaríamos que ele nos proporcionasse, se estivéssemos no lugar dele e ele no nosso.
(Entrevista publicada na RH Magazine)