Há 27 anos que Maria Helena Pereira é o rosto da direção de recursos humanos da RTP que, no futuro, pretende desafiar os trabalhadores “para uma maior ambição e maior exigência em projetos que representem inovação”.
Corria o ano de 1992 quando Maria Helena Pereira chegou à RTP, como responsável de recursos humanos. Passaram 27 anos, a rádio e a televisão fundiram-se, mudaram de morada, o Conselho de Administração ganhou novas caras e os desafios aumentaram, porque o “panorama do audiovisual está em plena mudança”, diz a diretora de recursos humanos da RTP, em entrevista à RHmagazine. A direção que lidera tem prosseguido, ao longo do tempo, a sua missão, “num esforço contínuo de atualização dos seus métodos e de adoção das boas práticas no domínio da gestão de recursos humanos”.
A RTP apresenta, desde junho do ano passado, um novo Conselho de Administração. Depois da sua entrada em funções, como é que se caracteriza a empresa?
O panorama audiovisual está em plena mudança e de uma forma cada vez mais rápida. Este último ano e meio conheceu grandes transformações, muitas na linha do que se vinha prefigurando nos últimos anos e outras abrindo caminhos totalmente inesperados. A RTP mostrou, nestes meses, uma enorme capacidade de adaptação a novas circunstâncias, num grande esforço de renovação tecnológica, rejuvenescimento de quadros e desenvolvimento de novas áreas do audiovisual. Somos, hoje, uma empresa mais dinâmica, mais flexível e mais atenta às necessidades dos diferentes públicos.
Há 27 anos na RTP, considera existir um antes e um depois da área de recursos humanos como consequência de determinados fatores, por exemplo, da fusão da rádio e da televisão e dos conselhos de administração que têm vindo a ser empossados?
A fusão da rádio e da televisão foi, sem dúvida, um marco na história da empresa. Nessa altura mudou o enquadramento, mudaram os processos e mudaram os meios.
A mudança para as novas instalações da RTP em Lisboa, dotadas de excelentes condições de trabalho e dos mais modernos dispositivos tecnológicos da era digital, pressupôs uma alteração radical dos procedimentos e comportamentos.
Pode dizer-se que a RTP, como empresa moderna, encontrou no desafio da fusão, os seus fundamentos e a sua inspiração. Foi necessário repensar, e até refundar, alguns dos perfis de RH da rádio e da televisão, construindo bases comuns e compatíveis no âmbito da definição de carreiras e de categorias profissionais. Muita da flexibilidade da empresa, da sua cultura e dos seus profissionais foram adquiridos ou reformatados nessa ocasião. E talvez não seja um mero acaso o facto de o atual presidente da RTP ter pertencido ao Conselho de Administração dessa altura, que conduziu todo esse processo de renovação.
Hoje, na empresa, que papel assume a direção de recursos humanos?
Tradicionalmente compete à DRH a condução da política de recursos humanos nas suas diferentes vertentes. Todavia, as transformações rápidas pelas quais passa a empresa coloca novos desafios à direção, esignadamente no âmbito do recrutamento, da formação e integração de novos trabalhadores, no desenvolvimento do papel e ação da Academia RTP, na promoção da coerência e justiça da política de remunerações, na racionalização do emprego e afetação de novos recursos humanos às diferentes áreas da empresa.
Talvez uma tarefa nem sempre bem compreendida, mas absolutamente essencial ao bom desempenho geral da RTP.
Assumindo-se como o rosto da referida direção, como é que tem procurado, ao longo do tempo, reinventá-la?
Creio que os desafios da RTP são, além dos de uma grande empresa, aqueles que resultam de se tratar de uma grande instituição da vida nacional, operando num setor muito criativo e muito volátil, e os que surgem do facto de se tratar de uma empresa fortemente escrutinada em diferentes níveis de responsabilidade. Com este enquadramento, a direção de recursos humanos teve de adotar uma atitude de grande rigor e de grande responsabilidade, de total e franca cooperação com todos os órgãos da empresa, bem como de prosseguir num esforço contínuo de atualização dos seus métodos e de adoção das boas práticas no domínio da gestão de RH.
Com que condicionalismos, considerando o estatuto da empresa, se depara a área de recursos humanos no que diz respeito às políticas desenvolvidas?
Como empresa concessionária de um serviço público, a RTP opera num ambiente muito exigente com restrições de ordem orçamental e procedimental muito bem definidas. O contexto orçamental que o país tem vivido nos últimos anos constituiu, também, um grande constrangimento ao que eram as políticas tradicionais de recursos humanos e colocou desafios novos à ação da empresa nesse domínio. Em bom rigor, creio que a RTP não é uma exceção quanto a estes enquadramentos orçamentais. Esta exigência de rigor permitiu, por outro lado, prosseguir políticas mais racionais e constituiu um incentivo forte à adoção de atitudes e decisões mais responsáveis e mais eficientes.
A contratação de profissionais continua a realizar-se apenas por concuso?
A contratação de pessoas para os quadros da empresa tem estado, desde 2013, sujeita a fortes limitações legais. Deste modo, para assegurar a melhor resposta aos desafios estratégicos, torna-se necessário fomentar uma mobilidade interna efetiva dos nossos trabalhadores, que vá ao encontro das suas expectativas e das necessidades da empresa. Iremos agora lançar um novo programa de mobilidade, alinhado com as restantes políticas de recursos humanos e em articulação com a Academia RTP, que permita que os trabalhadores abracem novas responsabilidades, tendo em vista o seu desenvolvimento individual e profissional. Privilegiar os profissionais da empresa é uma forma de estimular o constante desenvolvimento profissional, com impacto
na retenção de talento.
No que diz respeito à política de bem-estar dos colaboradores, que medidas desenvolvem?
Na RTP damos uma especial atenção às políticas de responsabilidade social e ambiental. Seguimos uma política muito sólida de conciliação do trabalho e vida familiar, de apoio aos filhos em idade escolar e aos filhos portadores de deficiência, bem como de melhoria das condições de trabalho, mais seguras e sustentáveis.
Temos vindo a desenvolver diversas ações e projetos que correspondam às expectativas dos trabalhadores, aproveitando as suas disponibilidades e procurando criar um vínculo e uma identidade fortes com a RTP.
Desenvolvemos várias iniciativas de consciencialização ambiental. O foco na igualdade de género é, também, uma prioridade pelo que iremos agora desenvolver e implementar o Plano para a igualdade de género, cidadania e não discriminação 2020, dando assim cumprimento a uma das obrigações, enquanto entidade do setor empresarial do Estado.
E, no plano da formação, que papel assume a Academia RTP?
A Academia RTP procura aproveitar o enorme know-how acumulado na empresa e pô-lo ao serviço da sociedade civil, designadamente dos mais jovens que procuram formação na área do audiovisual.
Pretende igualmente constituir-se como uma plataforma da criatividade dos jovens, proporcionando-lhes os meios e a oportunidade de desenvolverem, num ambiente profissional e orientado, as suas ideias e os seus projetos. A nossa Academia tem sido um enorme caso de sucesso, com resultados muito positivos. No plano interno, a Academia RTP está organizada por escolas de conhecimento, com o objetivo de adequação dos planos formativos às necessidades da RTP. Esta nova academia tem permitido alinhar níveis de conhecimento com as melhores práticas, promover a orientação para o negócio, consolidar a cultura e valores da RTP e potenciar
o desempenho individual e corporativo.
Por: Mónica Felicidade
Entrevista publicada na edição 123, julho/agosto 2019, da RHmagazine