Quais as maiores dificuldades na área de Gestão de Pessoas?
Não lhe chamaria dificuldades, mas sim desafios. Por um lado, o recrutamento inclusivo que é uma das nossas prioridades em termos de política de inclusão e diversidade, mas que se tem revelado difícil quer devido às especificidades de formação requeridas para as funções que abrimos, quer pelo problema subjacente à empregabilidade inclusiva, que é a educação.
Por outro, a atração e retenção de talentos, que, apesar de termos uma taxa de turnover muito baixa (1%) e taxas de satisfação muito elevadas (acima de 95%), é um desafio constante garantir que contratamos e retemos os melhores e que os conseguimos manter motivados, quando a fasquia já está tão alta.
Ao nível da política de inclusão e diversidade, quais as iniciativas implementadas?
A política de inclusão e diversidade assenta em três pilares: inclusão, diversidade e impacto. Na inclusão, trabalhamos na criação de condições para que todos possam ser quem são, independentemente da sua origem social, cultura, género, religião, orientação sexual, etc., demonstrando a sua individualidade e para que se sintam à vontade para questionar, desafiar e inovar. E, para isso, temos vários momentos de speak up e de proximidade para incentivar feedback, grupos de trabalhadores dedicados a vários temas, seja grupos de speak up, de inclusão e diversidade, de neurodiversidade, e temos até uma “Fun Squad”.
Na diversidade, procuramos criar condições equitativas para que todos possam dar o melhor. Temos 63% de mulheres, incluindo em cargos de liderança, onde a percentagem sobe para 65%, fazemos a monitorização da equidade salarial, garantindo que não há diferenças salariais decorrentes do género, temos uma sala de apoio à maternidade, implementámos a licença parental neutra em termos de género, temos sessões de awareness e “inclusive talks” sobre temas como LGBTQIA, neurodiversidade, menopausa, saúde mental, etc..
Ainda na vertente da diversidade, o recrutamento inclusivo é uma das nossas prioridades. No início de 2023, a AstraZeneca Portugal foi a primeira empresa da indústria farmacêutica a aderir ao Inclusive Community Forum (ICF), um grupo de empresas nacionais e multinacionais, liderado pela Nova SBE, que se dedica à vida das pessoas com deficiência, tendo estabelecido como prioridades a educação e a empregabilidade.
E, finalmente, no pilar do impacto, focado na contribuição para uma sociedade mais equitativa, criando um impacto socioeconómico positivo, escolhemos trabalhar com fornecedores que partilhem os nossos valores e prioridades, optamos por parceiros inclusivos e diversos.
Como é que uma cultura de feedback contínuo, além da aposta forte na segurança psicológica, se reflete no dia a dia das equipas de alta performance?
Temos uma cultura de speak up muito forte, em que fomentamos o envolvimento dos colaboradores, sempre que possível, nos processos de decisão, envolvendo-os ativamente, seja através da criação de grupos de trabalho dedicados a vários temas, por exemplo, o grupo de speak up, a “Fun Squad”, saúde mental, neurodiversidade, entre outros.
Estes grupos partilham regularmente, com a direção, o feedback que recolhem junto dos colaboradores. Com base nesse feedback, atuamos e, duas vezes por ano, fazemos “Walk the Talk Sessions”, onde os diretores dão feedback sobre o feedback dado pelos colaboradores, comunicando de forma muito transparente o que vai mudar e o que não vai, e porquê.
Além disso, fazemos surveys e focus group com os colaboradores para os ouvirmos, para trabalhar o employer branding e para perceber quais são os pain points e o que é que podemos mudar. Temos ainda um canal de comunicação designado “Stop Stupid Rules” e que, como o nome indica, pretende dar voz a sugestões para alterações de regras ou políticas que não fazem sentido.
Na AstraZeneca preocupamo-nos com os nossos colaboradores e isso reflete-se no ambiente informal e leve que se sente – e vive – diariamente na empresa, com pessoas felizes e motivadas, resultado de uma cultura flexível, focada nas pessoas, no planeta e no propósito de salvar vidas. E temos métricas que refletem tudo isto. Por exemplo, a taxa de turnover é de 1%, apesar de a indústria farmacêutica ser muito competitiva.
A taxa de turnover é de 1%, apesar de a indústria farmacêutica ser muito competitiva.
Fomos não só considerados, pelo 5º ano consecutivo, “Top Employer”, como ficámos em 1º lugar como “Melhor Empresa para Trabalhar”. Acresce que, nos questionários realizados internamente por uma entidade externa, a recomendação da AstraZeneca como excelente local para trabalhar costuma ser superior a 95%, e 98% considera que a empresa se preocupa com o seu bem-estar.
Artigo publicado na edição 152 da RHmagazine, referente aos meses de maio e junho de 2024