Segundo os resultados do estudo da consultora Mercer, intitulado o “Custo de Vida 2023”, a flexibilidade dos modelos de trabalho, a tensão política e inflação continuam a influenciar a experiência do colaborador em contexto de mobilidade internacional.
“O aumento do modelo de trabalho remoto e flexível, a crescente tensão política e a inflação estão a impactar a compensação dos colaboradores, o que está a levar as empresas a repensarem a sua estratégia de atração e retenção de talento”, afirma a Mercer, como principal conclusão do estudo.
O ranking classifica o custo de vida de 227 cidades do mundo para expatriados a partir da análise conjunta do custo comparativo de mais de 200 itens em cada local, incluindo habitação, transporte, alimentação, vestuário, produtos domésticos e entretenimento.
A ocupar a primeira posição do ranking está a cidade de Hong Kong, à semelhança do ano anterior. A novidade do ranking foi o segundo lugar, ocupado por Singapura, subindo seis posições. As posições seguintes do ranking são ocupadas por três cidades suíças – Zurique, Genebra e Basileia.
Trabalho remoto levou as empresas multinacionais a repensar as estratégias de retenção de talento
O estudo sublinha que os fatores que afetaram a economia em 2022, nomeadamente a guerra na Ucrânia, as flutuações das taxas de câmbio, bem como a descoberta de novas variantes de COVID-19, tiveram um impacto
significativo na experiência de colaboradores expostos a regimes de mobilidade internacional.
Aliada à escalada da inflação, a crise das dívidas soberanas e as flutuações cambiais influenciam diretamente o
poder de compra dos colaboradores que se encontram a trabalhar fora do país de origem.
Tiago Borges, Career Business Leader da Mercer Portugal, afirma: “A pandemia de COVID-19 e as tensões políticas a nível mundial têm contribuído para o crescimento do trabalho remoto e flexível, que, por sua vez, está a levar as empresas multinacionais a reavaliar a sua estratégia de retenção de talento”.
“A concorrência no mercado global de talentos é intensa e, com a crise do custo de vida a afetar tanto os colaboradores como as organizações, as empresas têm de ser flexíveis. A estrutura da compensação para os colaboradores remotos e com mobilidade internacional deve ser clara e sustentada em dados fiáveis”, acrescenta.
Zurique, Genebra, Basileia, Berna e Copenhaga no Top 10 das cidades europeias mais caras para expatriados
O Top 10 é ocupado por cinco cidades europeias – Zurique (3.º), Genebra (4.º), Basileia (5.º), Berna (7.º) e Copenhaga (9.º). Outras das cidades mais caras da Europa incluem Londres (17.º), Viena (25.º), Amesterdão (28.º), Praga (33.º), que subiu 27 posições desde o ano passado, e Helsínquia (34.º). Já Lisboa é classificada enquanto 117.ª cidade mais cara para expatriados, situando-se oito posições abaixo face ao ano anterior.