Os homens entre os 18 e os 35 anos têm salários superiores aos das mulheres com o mesmo grau de escolaridade. O Observatório das Desigualdades e o Observatório do Emprego Jovem afirmaram: “Em regra, um licenciado ganha mais do que uma mulher com mestrado ou doutoramento.”
Os autores de “Os Jovens e o Trabalho em Portugal” continuaram: “As maiores disparidades encontram-se entre os níveis de escolaridade mais elevados, uma vez que, no caso dos jovens que completaram mestrado ou doutoramento, os homens a auferir mais de 2.000€ representam mais 18,4 pontos percentuais do que as mulheres (31,9% nos homens para 13,5% nas mulheres).”
Os resultados do inquérito realizado a 5.076 jovens, em 2023, evidenciaram que 9,2% dos homens com mestrado ou doutoramento recebem entre 700€ e 1.000€. Por outro lado, no caso das mulheres na mesma situação, o valor aumenta para quase 25%.
Da perspetiva de Inês Tavares
Inês Tavares, coautora do livro, esclareceu: “Segundo o Eurostat, 47% das mulheres entre os 25 e os 34 anos têm um diploma de ensino superior, valor que compara com 34% no caso dos homens.”
“No entanto, apesar do aumento da escolarização geral da população portuguesa e do sucesso escolar feminino em particular, os homens são mais beneficiados pela obtenção de níveis de escolaridade mais elevados, tanto de uma perspetiva salarial, como na inserção no mercado de trabalho ou na permeabilidade ao desemprego ou à precariedade.”, continuou.
A coautora acrescentou, ainda: “O mercado de trabalho vinca a desigualdade de género, fosso que não desaparece nas gerações mais jovens. Como diversos estudos indicam, [a maternidade] abala negativamente as carreiras profissionais das mulheres, realidade que não se verifica com os homens.”
Sobre as medidas a tomar, Inês Tavares concluiu ser necessário: “Penalizar empresas e instituições que pratiquem fossos salariais entre homens e mulheres com as mesmas funções, manter as quotas de género e torná-las mais equitativas, implementar políticas públicas que apoiem as mulheres na maternidade e que a incentivem.”
As mulheres estão mais sujeitas ao desemprego, independentemente do seu grau de escolaridade. Os baixos salários exigem, muitas vezes, que o género feminino acumule empregos.