Por Claúdia Presa, Wellbeing and Culture Manager da Holmes Place Portugal
Uma cultura saudável multiplica energia e confiança, enquanto uma cultura frágil cria incerteza, dispersa esforços e dificulta a construção de equipas coesas e alinhadas no propósito. A liderança é o detalhe que muda tudo. Todos os dias.
Em 20 anos a liderar, aprendi que a cultura começa sempre no primeiro passo. Entrar numa equipa oleada, com hábitos claros e alinhamento, não é o mesmo que entrar numa equipa onde reina o “tanto faz”. Num caso, a energia é canalizada para crescer; no outro gasta-se a tentar sobreviver ao caos.
Já liderei equipas de vendas onde a perceção de que o preço do serviço é caro existe. Quando a liderança relativiza ou ignora, instala-se rapidamente a convicção de que “é caro e ninguém nos ouve”. Essa narrativa espalha-se e mina a confiança. Mas, quando a liderança investe tempo a compreender dificuldades, a apoiar no terreno e a ajudar a ultrapassar objeções, a mensagem transforma-se: “O que sentimos importa”. Isso gera confiança e energia renovada. As equipas precisam de regras claras, de conhecer consequências, de sentir apoio e de saber com o que contam. Mas nem oito nem 80! O que resulta é o equilíbrio entre clareza e consistência, e cabe aos líderes garanti-lo.
Não são só os “líderes com título” que moldam a cultura. Muitos colaboradores, pelo exemplo, experiência ou disponibilidade, tornam-se referências naturais, e a equipa segue-os. Isso não é mau sinal, é envolvimento e pertença. Cabe ao “líder com título” reconhecer essa influência e trazê-la para o lado certo da cultura. Lembro-me de um team building em que, ao envolver apenas quatro destes líderes informais, conseguimos que toda a equipa participasse. Não foi dar mais valor a uns do que a outros, foi perceber onde estava a força da influência.
John Maxwell lembra-nos que liderar pelo exemplo é apenas o primeiro nível. Mas é subindo de nível, desenvolvendo pessoas, formando outros líderes e criando propósito que se constroem culturas que duram. E os dados confirmam o que a experiência me mostra: cerca de 70% da variação no engagement das equipas está diretamente ligada ao manager (Gallup, State of the Global Workplace 2024).
Conheço bem o custo de ignorar a importância de uma cultura sólida: talento que parte em silêncio, inovação
que nunca nasce, energia que se perde em fricção. Se queremos culturas sólidas, os líderes têm de ir primeiro e melhor, todos os dias.
Artigo publicado na edição 160 da RHmagazine, referente aos meses de setembro e outubro de 2025
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