Autora: Catarina Quintela, Diretora de Corporate Solutions da Porto Business School
Ao longo das últimas décadas, a entrada da tecnologia em todos os domínios da nossa vida, tem vindo a alterar os negócios, os hábitos e a forma como pessoas veem o mundo e se relacionam com ele. Nesse sentido, podemos afirmar que a transformação digital está mais relacionada com as pessoas do que com as máquinas. Ou seja, como é que pessoas vão viver em harmonia, sem o medo da substituição do Homem e da Mulher pela máquina?
Lembro-me que quando andava a estudar psicologia, só a utilização da expressão “inteligência artificial” aplicada às máquinas era considerada chocante. Atualmente, para além dessa expressão, utilizamos a expressão “aprendizagem da máquina”. Quer isto dizer, que para além de utilizarem a inteligência para arquivar e gerir informação, as máquinas passaram a aprender!
Para explicar o resultado destas mudanças, surgiu o conceito mundo VUCA caracterizado por Volatilidade, Incerteza, Complexidade e Ambiguidade.
Mais recentemente, este conceito evoluiu para mundo BANI acrónimo de Brittle (Frágil), Anxious (Ansioso), Nonlinear (Não-linear), e Incomprehensible (Incompreensível), caracterizado por:
- Frágil, porque aquilo que muda rapidamente pode romper laços num mundo conectado e interdependente.
- Ansioso, atendendo ao facto de a imprevisibilidade ser uma constante.
- Não-linear, uma vez que, diante da aceleração de acontecimentos, as decisões podem gerar resultados desproporcionais e imprevisíveis.
- Incompreensível, porque a capacidade humana de processamento e controlo sobre os dados não acompanhou o excesso de informação gerada, o que pode ter um efeito de paralisação da ação.
Como se não bastasse, a pandemia acelerou e intensificou o mundo BANI e tudo isso requer uma nova forma de responder à realidade. É nesta resposta que surge a importância da aprendizagem.
Em 2020, o World Economic Forum (WEF) atualizou as “Top 10 job skills for 2025” e “Active Learning and Learning Strategies” entrou diretamente para o número 2 da lista, como competência que os empregadores consideram relevante.
Vários autores têm referido a importância da aprendizagem como eixo estratégico das empresas. Por exemplo, Peter Senge, autor do livro “The Fifth Discipline: The Art and Practice of the Learning Organization,” defende que as empresas precisam ser organizações de aprendizagem para se adaptarem e prosperarem em um ambiente de mudanças constantes.” Ele afirma que a aprendizagem organizacional é essencial para a criação de uma visão compartilhada, melhoria da capacidade de inovar e resolução de problemas complexos.
Também as empresas nos desafiam, cada vez mais, a “trazer mundo para dentro do mundo corporativo” e a criar jornadas de aprendizagem contínua. Fruto dos desafios do dia-a-dia, os quadros das empresas têm cada vez mais uma visão segmentada que não os ajuda na resolução criativa de problemas. Pedem-nos frameworks quando, cada vez mais, os templates do passado não resolvem os problemas do presente e, muito menos, do futuro.
No plano organizacional, vale a pena distinguir entre 2 tipos de aprendizagem (Argyris, 1997): i) a aprendizagem adaptativa, que se refere à deteção de erros e problemas, mantendo as condições existentes na organização (por exemplo, processos) e a ii) aprendizagem criativa, que desafia valores e procedimentos existentes, com vista a alcançar melhor performance. É este segundo tipo de aprendizagem que promove a inovação nas organizações.
Por esta distinção, podemos inferir que a capacidade de aprender mais rápido que os concorrentes será um fator de vantagem competitiva, contribuindo para a inovação e garantindo a sustentabilidade das organizações e dos negócios.
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Excelente artigo de opinião, por parte da Dra Catarina, sempre muito a par da realidade empresarial
Obrigado!