POR: Patrícia Silva, HR Specialist, GRENKE Portugal
Os eventos são uma poderosíssima ferramenta de comunicação de uma marca/empresa. Porém, é avassaladora a diferença que existe, muitas vezes, nas organizações aquando o desenvolvimento de um evento externo ou interno. Desde a definição clara de objetivos, o budget disponível, a estratégia e desenvolvimento, o branding, a divulgação, a promoção de experiências – os eventos para “o exterior” têm um investimento diferente dos eventos dedicados ao cliente interno. Não deveria ser assim.
Felizmente, muitas empresas estão dedicadas a compreender o que podem trazer como mais-valia aos seus colaboradores, não estivéssemos nós impactados pela volatilidade do mercado. Neste mundo VUCA (Volátil, Incerto [Uncertain], Complexo e Ambíguo), são várias as ações que procuram atrair e reter talentos e os eventos internos ganham aqui algum destaque.
Mas o que entendemos por eventos internos? Ocasiões (dias, dia, manhã, tarde, noite) em que uma organização reúne os seus colaboradores num espaço físico ou digital, para que façam parte de um momento único. A verdade é que estes eventos afetam positivamente as equipas. Por exemplo, quando organizados por equipas internas, podem tornar-se uma plataforma de teambuilding durante o período de preparação do evento. São também um momento de reunião entre os colegas de vários departamentos e, muitas vezes, localizações, por isso, ocasiões para estabelecer e fortalecer laços que irão consolidar as relações profissionais. Também são uma oportunidade que a empresa tem para criar momentos de desenvolvimento da identificação organizacional que irá revigorar o sentido de pertença de cada um e, assim, reforçar a cultura.
Desempenhando este importante papel na vida das organizações, por terem, na maioria dos casos um caráter recorrente – seja a festa de natal, a celebração do aniversário da empresa, a festa de verão, o fim-de-semana da empresa – os eventos geram muito hype e “burburinho” nas organizações pelas histórias de anos anteriores que são contadas aos novos colaboradores com entusiasmo, pela expectativa de novas surpresas, e pelas experiências únicas que as organizações conseguem proporcionar aos seus colaboradores. Mas então o que fazer em tempos de pandemia? As organizações devem continuar a investir, até com maior cuidado e detalhe, na criação de eventos memoráveis, que permitam juntar os colaboradores, mesmo que em espaços digitais. Devem trazer-lhes histórias inspiradoras, momentos lúdicos, oportunidades de serem agentes ativos do evento. Numa adaptação à nova realidade, as empresas de eventos também exploraram o mundo digital e acabaram por surgir novas abordagens de comemoração e participação, disruptivas, mas igualmente interessantes na perspetiva de employer branding e pertença organizacional.
Como testemunho de experiência pessoal, na empresa onde me encontro organizámos um evento interno digital já em 2021. Embora as expectativas criadas fossem baixas, os objetivos foram bem delineados, e a equipa de organização estava motivada. Quando o evento começou, vimos a saudade dos colegas nas suas janelas coloridas e percebemos que estávamos no caminho certo. Todos aceitaram o desafio, até houve quem alterasse férias para estar presente.
Isto mostra que os eventos internos digitais assumem particular importância, agora, neste momento, nesta realidade, porque não os podemos fazer presencialmente. Com estratégia, dedicação, planeamento, é diferente – mas é possível. Acima de tudo, não deixemos de procurar estar juntos, pois isso marca a diferença nas organizações.