Autor: Georg Dutschke, Co-Founder Partner Happiness Works
Desde 2012 que avaliamos o nível de felicidade organizacional em Portugal através do projeto Happiness Works, no qual já participaram 47.000 profissionais, de 400 organizações. Em 2022, o nível de felicidade organizacional foi de 3,9 (numa escala de 1. muito infeliz a, 5. muito feliz), superior ao valor de 3,5 registado em 2012, o primeiro ano de avaliação.
Este crescimento deveu-se, principalmente, a uma alteração por parte das organizações sobre o entendimento do que é felicidade organizacional, não apenas um somatório de momentos que proporcionam bem-estar aos colaboradores, mas sim, algo mais estratégico, uma cultura. Hoje, existem modelos que permitem medir o nível de felicidade numa organização e monetizar o seu impacto na rentabilidade. Existem métricas, validadas através da ciência, que permitem utilizar a felicidade organizacional como um instrumento de gestão e validar o seu impacto nos resultados. Fundamental para quem gere.
A evolução do entendimento da felicidade organizacional como algo estratégico teve um impacto positivo no nível de felicidade dos colaboradores. Esta evolução deveu-se a alguns factos relevantes, entre outros:
- O trabalho remoto, forçado inicialmente pela pandemia do Covid 19. Contribui para uma maior conciliação entre trabalho / família / vida social, aumentado o bem-estar de quem trabalha. Hoje é fácil, e cada vez mais comum, trabalhar remotamente para uma organização em qualquer lugar do mundo. A competição por talento é maior, mais global e não é fácil para as empresas portuguesas competirem com os salários pagos por empresas sediadas em países mais ricos. Disponibilizar condições que permitam aos colaboradores serem felizes no trabalho é uma forma de os reter, muitas vezes, com um salário menos competitivo;
- As gerações mais jovens. Quando comecei a trabalhar (tenho 60 anos) a visão era muito clara, se tiver uma boa carreira profissional terei uma boa vida. Hoje, as gerações mais jovens pensam, muito sensatamente, de forma diferente. Tenho de ter uma boa (feliz) vida. Para tal é necessário, naturalmente, trabalhar. No entanto, o trabalho é apenas uma das variáveis da minha vida, que deve contribuir para um todo. Não faz sentido abdicar da família, amigos, para me dedicar 100% a uma empresa. Esta geração espera ter condições de trabalho (cultura) que os ajude a ter uma vida feliz.

Conhecendo a forma de estar das gerações mais jovens e as novas realidades no mercado de trabalho, no estudo que realizámos em 2022 adicionámos a seguinte pergunta: O que gostaria de obter da sua empresa para ser mais feliz como profissional?
Através da análise às 1.600 respostas obtidas foram identificados alguns conceitos inovadores e houve um que se destacou: Gostava que a empresa me ajudasse a disfrutar da vida.
Este novo conceito, esperar que a empresa nos ajude a disfrutar a vida, é disruptivo e fascinante. Obriga as organizações a pensarem de forma totalmente diferente a gestão das pessoas, a saber como integrar o trabalho no todo da pessoa e a encontrar formas alternativas de reter os seus colaboradores. Ou seja, a contribuir para uma vida mais feliz.
Quando iniciámos, em 2011, o estudo da felicidade organizacional, sabíamos bem como começar, mas não fazíamos ideia da sua importância para organizações. Ao fim destes 12 anos de investigação podemos afirmar, com evidencias, que a felicidade organizacional é uma ferramenta de gestão estratégica, pode ser medida, é monetizável e tem impacto na rentabilidade. Ou seja, que organizações mais felizes são mais sustentáveis!