Por: Raquel Soares, Autora, Oradora e Consultora Personal Branding
Há momentos em que novas funções não nascem da moda, mas da maturidade e da inovação. Da consciência de que uma cultura organizacional sólida começa onde muitas empresas ainda hesitam em olhar: na identidade de quem a constrói todos os dias.
É nesse espaço entre o individual e o coletivo que se afirma a função de Strategic Advisor Personal Branding & Culture. Uma função que liga o invisível ao tangível, e que traduz, em presença e impacto, aquilo que as empresas mais visionárias já compreenderam: a cultura é o reflexo de quem somos, não apenas do que fazemos.
Qual a sua missão?
Ajudar as empresas a integrarem a identidade individual dos seus colaboradores com a cultura organizacional e transformar isso num ativo estratégico de liderança, reputação e resultado.
Uma função que nasce da evolução
No meu trabalho com líderes e empresas nos últimos 20 anos, e no livro que publiquei recentemente, defendo que a marca pessoal não é vaidade. É uma ferramenta de gestão. Quando bem trabalhada, ela torna-se uma ponte entre o “quem somos” e o “como entregamos valor”.
As empresas que reconhecem isso, muitas já com projeção internacional, começam a integrar esta função de forma transversal desde os conselhos executivos às equipas operacionais. E fazem-no com uma visão clara de que a cultura interna só é forte quando é vivida por pessoas que se conhecem, se posicionam com verdade e comunicam com intenção.
O que faz esta função na prática?
Um Strategic Advisor Personal Branding & Culture atua em três grandes eixos:
- Diagnóstico e alinhamento
Identifica os valores, motivações e competências únicas de cada colaborador e liga-os à cultura e propósito da organização. Trabalha-se aqui a identidade profissional, muitas vezes esquecida nos modelos tradicionais de Gestão de Recursos Humanos. - Desenvolvimento da marca pessoal de líderes e equipas
A função ajuda os líderes a tornarem-se referências com autoridade, influência e coerência. Trabalha-se o posicionamento, a reputação e a imagem, pilares fundamentais da metodologia TO BE®, que tenho vindo a aplicar em programas corporativos. - Construção de uma cultura que se sente
A cultura não se impõe por manuais. Vive-se, comunica-se e sente-se. Quando cada pessoa expressa a sua marca pessoal com clareza e consciência, a cultura torna-se visível, dentro e fora da organização.
A cultura é, cada vez mais, um diferencial competitivo. E como escrevo no meu livro, *a reputação coletiva constrói-se a partir da soma das presenças individuais*. Não há cultura forte sem pessoas com presença. Quando as empresas investem na gestão da marca pessoal das suas equipas, os resultados tornam-se visíveis, há mais consistência na comunicação interna e externa, maior influência na liderança, equipas mais alinhadas e autónomas, uma reputação corporativa reforçada e uma capacidade acrescida de atrair e manter talento, porque os valores deixam de ser slogans e passam a ser sentidos.
Uma profissão de futuro
A criação desta função é, para mim, um sinal claro da evolução que as empresas visionárias estão a abraçar. A gestão de marca pessoal deixou de ser uma competência opcional para se tornar uma alavanca estratégica. Não apenas para o desenvolvimento individual, mas para a cultura, o posicionamento e os resultados da organização.
Não se trata de uma tendência. Trata-se de visão. Esta é, sem dúvida, uma das profissões de futuro porque responde a uma urgência presente, devolver às pessoas o lugar central na construção da cultura e do valor das organizações.
O futuro pertencerá às empresas que souberem reconhecer isso. Aquelas que tiverem a coragem de alinhar identidade, liderança e cultura com intenção.
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