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futuro do trabalho divide-se agora em caminhos com impactos muito distintos sobre empregos, salários, produtividade e coesão social. É essa a principal ideia do relatório “Four Futures for Jobs in the New Economy: AI and Talent in 2030“, do Fórum Económico Mundial (WEF, na sigla em inglês), que traça quatro cenários para o mercado de trabalho até 2030, num mundo acelerado pela inteligência artificial (IA) e pressionado por uma escassez crescente de competências.
O ponto de partida é claro. O WEF sublinha que a IA passou de uma fase de “experimentação para a integração nos fluxos de trabalho”, com a percentagem de empresas que a utilizam em pelo menos uma função a subir de 55%, em 2022, para 88% nas estimativas mais recentes. Ainda assim, o relatório adverte que “o futuro dos locais de trabalho e das cadeias de valor não será definido apenas pelas tecnologias”, sublinhando que o impacto económico e social dependerá das escolhas feitas em matéria de talento e organização do trabalho.
De acordo com os dados do WEF, cerca de 54% dos executivos globais esperam que a IA venha a substituir um grande número de empregos existentes, enquanto apenas 24% acreditam que irá criar novos postos de trabalho. Quase 45% antecipam um aumento das margens de lucro, mas só 12% consideram que a IA terá um impacto positivo nos salários.

No cenário mais ambicioso, designado “Progresso Acelerado”, o relatório aponta para um crescimento acelerado da produtividade do trabalho, bem acima da média atual de 1,5% ao ano, e para um aumento significativo das margens operacionais das empresas. A adoção de sistemas de IA autónomos generaliza-se, com uma fatia crescente das tarefas, hoje estimada em 22%, ser executada por tecnologia.
O custo social desta aceleração é assumido sem ambiguidades: “Muitos empregos podem desaparecer, mas novas funções emergem e escalam rapidamente”, enquanto os sistemas de proteção social, a ética e a regulação “têm dificuldade em acompanhar o ritmo e a escala da mudança”. A desigualdade salarial deverá acentuar-se, com o prémio associado às competências em IA a aproximar-se do dobro do registado na década anterior.
Mais inquietante é a “Era da Substituição”, onde a tecnologia avança mais depressa do que a capacidade humana de adaptação. Aqui, a produtividade também cresce, mas à custa de uma rutura profunda do mercado de trabalho. O relatório projeta uma subida acentuada do desemprego estrutural e uma absorção de mais de 50% das tarefas por sistemas automatizados, valor que pode aproximar-se dos 90% em setores altamente expostos. As economias, embora tecnologicamente avançadas, “fragmentam-se socialmente”, com instabilidade política, erosão da confiança institucional e pressão extrema sobre os sistemas públicos, antecipa o WEF.

Entre estes dois extremos surgem outros dois possíveis caminhos. Na “Economia Co-Piloto“, a IA progride de forma gradual e é integrada sobretudo como ferramenta de apoio. Contudo, o relatório estima que mais de 40% das competências atualmente exigidas no mercado de trabalho terão mudado até 2030, impulsionando maior mobilidade profissional e o crescimento de funções híbridas. A produtividade aumenta de forma sustentada, a taxa de desemprego mantém-se relativamente estável e a polarização salarial cresce de forma mais contida.
Já no cenário de “Progresso Estagnado“, a falta de competências trava o impacto da IA. A produtividade cresce de forma irregular, os ganhos concentram-se em empresas e geografias mais bem preparadas e a desigualdade aprofunda-se. O desemprego aumenta de forma moderada, mas persistente, e a confiança dos consumidores deteriora-se num contexto de salários pressionados e fraca mobilidade profissional.
Com tudo isto em mente, o WEF deixa um recado inequívoco: as diferenças entre os cenários são menos tecnológicas do que humanas. Como sintetiza o relatório, serão as decisões tomadas hoje em políticas de talento, investimento em formação, IA e organização do trabalho que determinarão qual destes futuros se concretizará. Num mercado de trabalho cada vez mais moldado por algoritmos, o fator decisivo é continua a ser humano.
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