Inge Geerdens
Fundadora CVWarehouse
Quando se trata de recrutamento, utilizo um velho ditado, dos meus tempos de “caça talentos”, que continua a fazer sentido nos dias de hoje: “Contratar atitude, formar competências”. O que faz ainda mais sentido quando estamos a contratar jovens recém-licenciados.
Eu valorizo sempre as soft skills em detrimento do conhecimento teórico – a diferença entre QI e QE (inteligência emocional), que vos é familiar. Não me entendam mal: um diploma universitário é importante. Mas, no final, é só mesmo isso: mostra até que ponto somos capazes de entender e reproduzir grandes quantidades de informação. Normalmente, não diz muito sobre a pessoa certificada, a atitude ou mesmo a capacidade de acompanhar esse domínio ou especialização a longo prazo.
Consideremos a inscrição na Maratona de Nova Iorque. Temos permissão para começar, mas não diz a que horas iremos terminar a corrida. Com mais experiência, isto será cada vez menos importante.
Tomem-me como exemplo. Sou tradutora por formação, técnica em RH por especialização e empresária por profissão. Considero que, se olharem com alguma distância, a minha carreira atual faz todo o sentido. Tenho uma empresa que desenvolve um software de RH, com clientes em vários países a nível mundial, numa combinação de tudo o que aprendi até agora.
Se tivermos as competências base, estou convencida de que são necessários apenas três fatores para ter sucesso em qualquer emprego:
1: A coragem de aceitar;
2: O entusiasmo para continuar;
3: O bom senso para mantê-lo real.
Isto é o que eu procuro, em primeiro lugar, num candidato. Nos negócios não é a espécie com maior grau de sobrevivência, mas a mais adaptável à mudança.
Escrevi a minha tese numa máquina de escrever, redigi o meu primeiro e-mail em dois anos e enviei a papelada mais importante por correio ou fax. Os meus filhos não têm ideia do que é uma máquina de escrever. Nunca viram um fax e já desistiram do e-mail. Preferem todo o tipo de mensagens instantâneas, desde sms, até ao WhatsApp e Snapchat. A mudança é a única constante.
O meu primeiro chefe considerou a Internet um exagero, uma novidade que se desgastaria. Então, decidi arriscar e criar o meu próprio negócio e utilizar a World Wide Web (sim, é o que ‘www’ significa) a meu favor. Demorei algum tempo a ter coragem para o fazer.
Tornar-me empreendedora estava fora da minha zona de conforto, mas foi a melhor coisa que aconteceu na minha carreira profissional. E tive altos e baixos, claro. Mas aqui estou eu, a adorar cada minuto.
E vocês o que procuram quando recrutam?