Depois da paragem motivada pela pandemia, o Rock in Rio está de volta ao Parque da Bela Vista, em Lisboa. É já amanhã, às 12h, que as portas da Cidade do Rock se vão abrir para os cerca de 60.000 espectadores esperados. Serão quatro dias repletos de animação, música e…muitas novidades! A RHmagazine esteve no Preview de Imprensa e falou com Roberta Medina, VP Executiva do Rock in Rio, sobre os maiores desafios de gerir os RH do evento, que conta com cerca de 12.300 trabalhadores (12.000 credenciados de todos os setores de ação – organização, artistas e equipas técnicas, equipas de fornecedores, limpeza, etc. – e 300 elementos do núcleo da organização).
“Sustentabilidade” foi a palavra de ordem da última conferência de imprensa antes do início de mais uma edição do Rock in Rio Lisboa. O Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, começa mesmo a sua intervenção por dizer que mais do que uma festa de música, o Rock in Rio “é um marco para a cidade, assente na diversidade e com ligação ao futuro e à sustentabilidade”.
De facto, são várias as iniciativas que visam o compromisso do maior festival de música e entretenimento do mundo com o meio-ambiente: leilão de guitarras dos artistas para plantação de árvores em Portugal; venda de copos reutilizáveis (com custo inicial de 1€) para utilização em todos os stands de venda de bebidas do recinto; parcerias com várias redes de transportes públicos para incentivar as pessoas a deixarem os seus carros em casa; etc. Roberta Medina revela à imprensa um dado relevante neste âmbito: se em 2004 (data da 1.ª edição do RiR em Lisboa) eram 57 os grupos de geradores espalhados pela Cidade do Rock, hoje o número desceu para cinco.
[O Rock in Rio] “é um marco para a cidade, assente na diversidade e com ligação ao futuro e à sustentabilidade” (Carlos Moedas, Presidente da Câmara Municipal de Lisboa)
Sobre a temática, Teresa Abecassis, Executive Board Member da Galp (patrocinador principal do Rock in Rio) diz: “Juntos, vamos resolver o problema da transição energética. Queremos continuar a divertir, enquanto construímos um futuro sustentável”. A Galp pretende fazer a compensação da pegada carbónica do evento e, após um estudo realizado, estima-se que a energética vá compensar cerca de 7.000 toneladas de dióxido de carbono. “Vamos fazer esta compensação com um projeto nacional, junto aos Passadiços do Paiva, em Arouca, e outro internacional, na Nigéria”, revela Teresa Abecassis.
Estima-se que a Galp vá compensar cerca de 7.000 toneladas de dióxido de carbono associadas à realização da edição deste ano do Rock in Rio
E se a temática da sustentabilidade assume cada vez mais destaque nas organizações, também a GRH merece a nossa atenção, sobretudo se falarmos de um evento que reuniu mais de 12.000 trabalhadores. Como se garante uma boa gestão de tantas pessoas? Quais os principais desafios que acarreta? Foi isso que a RHmagazine procurou saber junto da VP Executiva do Rock in Rio Roberta Medina:
Como se faz uma boa gestão de tantas pessoas? Quais os principais desafios associados?
RM A ouvir e a conversar, admitindo a nós próprios e à nossa equipa que não somos especialistas em todas as áreas e que não sabemos tudo. É necessário perceber o que está a acontecer do lado de lá, a razão pela qual as pessoas reagem de uma ou de outra forma. Isto é muito difícil, saber olhar através de diferentes ângulos dá muito trabalho, mas o resultado final é muito melhor.
Um dos principais desafios é começar a planear com 35 pessoas e refletir esse planeamento, intenção, vontade e comportamento para as 300 pessoas da organização e, eventualmente, para as doze mil pessoas a trabalhar no dia do evento. A forma como comunicamos internamente ganha uma importância enorme e, à medida que a equipa vai crescendo, desenvolvemos mecanismos para delegar e passar as mensagens corretas, evitando que se diga uma coisa e que quem está a ouvir perceba outra. Outro dos grandes desafios é, durante o planeamento e execução do projeto, verificar, rever e refazer aquilo que vamos apresentar aos nossos parceiros e ao consumidor final, tendo sempre em mente o que estes valorizam, quais as suas expectativas, e prevendo as suas necessidades, posicionando-nos à frente dos acontecimentos e, assim, ajustar o nosso caminho para o sucesso.
No momento de recrutar para o maior festival de música e entretenimento do mundo, o que procuram nos vossos talentos? Quais as competências mais valorizadas?
RM Para nós, numa primeira fase, é essencial recrutar pessoas que estejam alinhadas com os valores do festival, com a marca e com tudo o que o Rock in Rio representa. Procuramos pessoas com uma postura positiva, empreendedoras, preocupadas e com espírito de equipa. Existe um conjunto de metas que definimos para alcançar até 2030, concentradas em seis temáticas fundamentais – educação, sistemas alimentares, alterações climáticas, economia circular, inclusão e pluralidade –, e o recrutamento é também uma parte fundamental para o alcance destas metas. Queremos deixar um legado positivo e duradouro na comunidade e temos como objetivo formar 100.000 pessoas, dando oportunidade aos talentos locais de se destacarem. Todos os anos, são oferecidas cerca de 200 horas de formação e o objetivo passa, também, por promover estágios no festival para pessoas em situação de carência económica e social, dando uma perspetiva de futuro e preparando-os para o mercado dos eventos.
Todos os anos, são oferecidas cerca de 200 horas de formação e o objetivo passa, também, por promover estágios no festival para pessoas em situação de carência económica e social
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