A WorkWell, empresa portuguesa especializada em bem-estar organizacional há 16 anos, apresentou uma nova área de negócio dedicada à formação intraempresas. A iniciativa contou com a presença de 45 responsáveis de recursos humanos.
O Mundo está a mudar a um ritmo acelerado e nas empresas não é diferente. 70% dos executivos consideram as lideranças tóxicas, em especial relacionados com o seu bem-estar e o das suas equipas, dificuldades em equilibrar as pressões, o que resulta em stress e absentismo. (1)
E neste cenário, as organizações não perdem apenas dinheiro, perdem criatividade, perdem inovação e perdem a capacidade de se prepararem para o futuro.
“A criação da Workwell Academy reflete o compromisso da Workwell para com as empresas nos últimos dezasseis anos. É a materialização de uma estrutura que já existia e que agora se formaliza com a criação de programas de formação à medida intraempresas. Mais do que queremos trazer, é o que conseguiremos gerar”, explica Tiago Santos, CEO da WorkWell.
A academia está focada no desenvolvimento de competências de bem-estar nas organizações, desde as lideranças à capacitação de colaboradores em ferramentas de autocuidado, desde a gestão do stress à promoção da resiliência e saúde física para criar hábitos saudáveis, fazendo uma transformação organizacional com estratégias holísticas e integradas.
“As formações podem ter formatos de curta duração, outros mais profundos e robustos, mas adaptados modularmente para que sejam viabilizados dentro das organizações como workshops, ciclos de formação e consultoria à medida”, explica João Paulo Pereira, psicólogo e coordenador de formação da WorkWell Academy.
“Mais do que uma academia, somos um sistema de aprendizagem desenhado para capacitar os colaboradores, as lideranças e as organizações. Portanto, iremos atuar nestes três pilares fundamentais: no indivíduo, ao fomentar a sua literacia e competências para o bem-estar, com ferramentas de autocuidado desde a gestão do stresse, à promoção da resiliência e à saúde física; nas lideranças para a capacitação de gestão de pessoas e, por fim, nas organizações ao criar ambientes mais saudáveis e sustentáveis,” afirma. “Idealmente queremos que o bem-estar se torne um KPI com a mesma relevância que os financeiros”, acrescenta João Paulo Pereira.
A WorkWell Academy é certificada pela Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT) e tem uma intervenção especializada em cinco áreas do bem-estar organizacional: stress, burnout e desordens emocionais riscos psicossociais; promoção e prevenção da saúde mental em contexto laboral; cultura e clima organizacional, performance e felicidade; resiliência, foco e bem-estar; saúde e segurança no trabalho.
Mais amor nas organizações
Maria Inês Mendes, coach e formadora especializada no autocuidado de líderes, afirma que nas empresas há crenças em relação ao bem-estar dos colaboradores: “mais facilmente é aceite sair mais cedo para uma consulta médica ou reunião na escola, do que ir ao ginásio. As novas gerações já exigem este espaço e a cultura das empresas tem de mudar neste sentido”.
A formadora acrescenta “deve haver mais humanidade na liderança, como amor, respeito, colaboração, encorajamento. O líder só consegue dar o que tem. Se não dá o exemplo, não está em condições de cuidar da sua equipa”. Muitas das crenças em relação ao trabalho foram construídas pela geração anterior e isso criou um condicionamento que se reflete hoje.
Organizações com altos padrões de desempenho e baixo autocuidado têm um ambiente pesado de trabalho. O ideal é que evoluam para um ambiente de alta performance e alto autocuidado, para que as pessoas possam estar por paixão pelo que fazem. (2)
Tendências que estão a moldar os ambientes de trabalho
João Paulo Pereira, psicólogo e coordenador de formação da WorkWell Academy defende que “é suposto o líder trabalhar em prol de uma equipa e por isso deve conhecer o conceito de bem-estar dos seus colaboradores. O conceito de bem-estar é subjetivo e deve ser conhecido pela organização. Com a formação passa-se o mesmo. Só são eficazes as formações que os colaboradores valorizam”.
O desenvolvimento de pessoas nas organizações deve ir do âmbito técnico ao pessoal, a partir de casa ou no escritório, na gestão e autogestão emocional. Engagement e Burnout são os pontos extremos entre os quais o colaborador oscila. O bem-estar tem de ser sentido e percecionado pelo colaborador, logo, tem de ser aplicado à medida.
Se gerir pessoas fosse fácil, as empresas não passavam pelos desafios atuais. As pessoas mais jovens adaptam-se mais rapidamente à mudança, as mais experientes menos. Atualmente, o ‘Extra Mile’ (vulgo ‘Quilómetro Extra’) é encarado de forma diferente. Antigamente, diversão no trabalho não era profissional. Hoje sim.
O envolvimento geracional deve ser explorado, até na mentoria reversa para desenvolver competências.
“Há uma nova geração que cada vez mais dá valor a si, apesar das dificuldades que vive, e isso é fantástico”, refere. “A academia advém do ADN da WorkWell: o bem-estar organizacional, de dentro para fora, do porquê para o onde, desenvolvendo as lideranças e as equipas”, explicou.
Já Maria José Chambel, professora e investigadora da Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa, defende que “a maioria das empresas desresponsabiliza-se da esfera pessoal dos colaboradores, no máximo, disponibilizam o acesso a psicólogos para apoio, mas não mais que isso.
Não entendem que as pessoas precisam adquirir competências de autocuidado e bem-estar que impactam diretamente o seu desempenho profissional, como a gestão do descanso, a alimentação, a gestão do stress, entre outros”. O bem-estar depende, em primeiro lugar, do contexto onde o individuo está inserido, seja familiar, académico ou profissional. As pessoas com maior bem-estar são mais produtivas.
Notas ao editor:
(1) Estudo “Atrito e Retenção de talento”, da AESE Business School 2024 ao Jornal ECO;
(2) Unleashed: The Unapologetic Leader’s Guide to Empowering Everyone Around You: Frei, Frances, Morriss, Anne: 9781633697041: Amazon.com: Books
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