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inteligência artificial (IA) está a redefinir o modo como trabalhamos, decidimos e aprendemos, mas há um conjunto de competências que continuam fora do seu alcance. É essa a principal conclusão do mais recente relatório da Aliança Global CEMS, que identifica o que distingue os líderes na era da IA.
Intitulado “Augmented Leadership: Navigating the New Age of Intelligence”, o estudo reúne contributos de uma rede que integra 33 das principais escolas de gestão do mundo e mais de 70 parceiros multinacionais. Entre eles, a Nova SBE, único membro português da aliança.
Num contexto de crescente adoção de ferramentas de IA generativa, o relatório reconhece o seu potencial para impulsionar a produtividade e fomentar a criatividade. Porém, deixa um recado: a utilização acrítica destas tecnologias pode comprometer algumas das capacidades mais valorizadas pelas organizações, como a autonomia intelectual, o pensamento crítico, a capacidade de questionar, a tomada de decisão ética e o sentido de propósito. “O verdadeiro risco para os profissionais e líderes do futuro não é a IA substituir o ser humano, mas sim a tendência humana para abdicar do pensamento crítico perante a facilidade de delegar decisões à tecnologia.”
Curiosidade e ética como fatores diferenciadores
O relatório identifica um conjunto de competências consideradas críticas para o exercício de uma liderança eficaz num contexto marcado pela integração crescente da IA nas organizações:
- Pensar antes de pedir: estruturar o raciocínio, formular perguntas e clarificar objetivos antes de recorrer à IA;
- Manter a curiosidade ativa: explorar, testar, comparar perspetivas e desafiar respostas automáticas;
- Avaliar de forma ética e responsável: compreender implicações sociais, ambientais e organizacionais do uso da IA;
- Usar a tecnologia de forma crítica e esclarecida: conhecer as capacidades e limitações das ferramentas de IA;
- Tomar decisões com profundidade humana: valorizar a empatia, a comunicação, a criatividade e a capacidade de conexão.
Estas competências, como sublinha o relatório, são particularmente relevantes para líderes e profissionais em início de carreira, numa altura em que a tecnologia ganha peso nas decisões organizacionais.
Dependência da tecnologia preocupa especialistas
“Num momento em que a IA está a redefinir profundamente o contexto empresarial, este relatório reforça uma convicção que partilhamos na Nova SBE: o futuro não pertence a quem domina apenas a tecnologia, mas sobretudo a quem a questiona, a quem pensa melhor com ela e a quem mantém a capacidade humana de criar valor através da curiosidade, do pensamento crítico e das relações“, afirma Lénia Mestrinho, Diretora Executiva do Digital Data Design Institute at Nova SBE and NOVA Medical School, em comunicado. A responsável acrescenta ainda que “a tecnologia pode acelerar o nosso potencial – mas só a nossa consciência e discernimento garantem que a usamos para avançar com propósito”.
Também Nicole de Fontaines, Diretora Executiva da Aliança Global CEMS, sublinha o papel ambivalente da tecnologia. Quando usada com responsabilidade, a IA “pode amplificar o potencial humano, potenciar a criatividade e desbloquear novas possibilidades para líderes, educadores e jovens profissionais”, considera. Ainda assim, alerta para os riscos de uma utilização acrítica, que pode conduzir ao distanciamento, à perda de confiança ou à diminuição de propósito.
“É precisamente por isso que a Aliança CEMS ajustou o perfil do graduado do Mestrado em Management Internacional CEMS: para garantir que os graduados desenvolvem não só fluência digital e curiosidade, mas também sentido ético, autoliderança e profundidade humana, qualidades essenciais para navegar de forma responsável pelas tecnologias e manter o pensamento humano de elevada qualidade no centro da liderança”, diz.
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