Não se lembra onde pôs as chaves do carro? Provavelmente anda distraído ou não prestou atenção no momento certo.
Falhas de memória como estas podem também ser normais da idade, explica o site Harvard Health. Não significa doença de Alzheimer, patologia que representa entre 50 a 70% dos casos de demência segundo a Organização Mundial da Saúde.
A idade e a genética potenciam o risco, mas a patologia está associada a diversos fatores que podemos controlar. Isto significa que o estilo de vida também tem impacto na saúde cerebral e que cada um pode contribuir para manter o cérebro jovem. Apresentamos oito sugestões.
1. Dance
Aprender uma coreografia faz bem ao cérebro e ao equilíbrio. Um estudo, publicado no Frontiers in Human Neuroscience, comparou dois tipos de atividade física: treino de resistência e dança. As pessoas com 68 anos participaram, durante 18 meses, em aulas semanais de dança ou de treino de resistência e flexibilidade. Ambas as atividades foram benéficas para o cérebro (aumentou o hipocampo, associado à memória, aprendizagem e equilíbrio). Contudo, o grupo da dança obteve mais vantagens.
A diferença poderá dever-se ao desafio cognitivo e motor que representa aprender a dançar. Ao contrário do grupo que fez treino físico, seguindo um plano repetitivo, quem praticou dança teve de aprender várias coreografias.
2. Vigie o peso
O impacto da obesidade na saúde é inegável. Por um lado, promove a diabetes ou hipertensão, que também afetam o cérebro. Por outro, pesquisas associam a adiposidade a alterações na estrutura cerebral que aumentam o risco de declínio cognitivo.
Este impacto, para os investigadores, pode corresponder a um aumento de dez anos na idade cerebral de pessoas obesas ou com excesso de peso. O estudo indica ainda que é cerca dos 40 anos que a pessoa está mais vulnerável ao efeito da adiposidade, daí a necessidade de manter o peso certo. Pese-se semanalmente e tome medidas para corrigir o excesso de peso.
3. Ponha-se à prova
Desafie os seus neurónios a encontrar soluções ou novas ligações. A plasticidade deste órgão permite que continue ágil, desde que solicitado. Por isso, diversifique as atividades. Ler ou fazer palavras cruzadas é benéfico, mas também jardinar, aprender um novo idioma ou atividade. Quebre a rotina, experimente coisas novas e mantenha a curiosidade bem desperta.
4. Tenha uma alimentação equilibrada
Seguir uma alimentação rica em fruta, vegetais, azeite, cereais integrais e doses moderadas de laticínios, ovos e com mais peixe do que carne vermelha pode proteger o seu cérebro. Diversos estudos associam a dieta mediterrânica à menor atrofia cerebral, ou seja quem a segue apresenta um volume cerebral superior em idades mais avançadas. O consumo de peixe em detrimento da carne é um dos benefícios apontados pelos investigadores para um rejuvenescimento que pode corresponder a cinco anos.
5. Beba chá
Seja preto, verde ou oolong, beber chá diariamente reduz o risco de demência em pessoas com predisposição genética para a doença. Um estudo acompanhou um grupo de 957 participantes com 65 anos e o gene APOE, (associado à doença de Alzheimer) durante cinco anos. No grupo que bebia chá o risco de vir a ter a doença reduziu em 50%. Estima-se que os benefícios se devem à ação antioxidante e anti-inflamatória de alguns componentes do chá, como os flavonoides.
6. Arranje um cão
Um animal de estimação faz bem à saúde e à memória. Ter um cão alivia o stress e a ansiedade, contribui para o exercício regular, cria rotinas e laços de afeto. Num estudo, citado pela Harvard Health, as mulheres de 80 anos que cuidavam e brincavam com um cão tinham melhores resultados nos testes cognitivos.
7. Mexa-se
Praticar exercício físico é indicado não só para prevenir a doença como para atenuar os sintomas. O treino aeróbico, por exemplo, oxigena o organismo e melhora a saúde cerebral ao aumentar o fluxo sanguíneo na zona. Praticar 30 minutos de exercício aeróbico moderado a intenso, entre três a quatro dias por semana, é a recomendação da Harvard Health.
8. Durma bem
Uma boa noite de sono ajuda a manter uma memória fresca. Segundo os especialistas, é na fase de sono profundo que o cérebro elimina as placas de proteínas beta amiloides que se acumulam no cérebro (um dos fenómenos associados à doença de Alzheimer). Dormir sete a oito horas por dia e adotar boas rotinas de sono (ambiente calmo, horas regulares) é, por isso, essencial.