Maria Júlia Nunes
Soft Skills and Mindfulness Leadership and Corporate Coaching and Training, Executive and Life Coachiong, CEO & Founder da InSoul
Para este artigo considero apenas duas dimensões relacionadas com produtividade: organização como entidade corporativa e pessoas, como capital humano.
As organizações já têm as pessoas. Mas precisam de encontrar melhores maneiras de explorar o seu potencial, permitindo-lhes que brilhem e sejam os seus principais embaixadores. Quando as pessoas são brilhantes, as empresas tendem a ser bem-sucedidas. Organizações e pessoas estão confrontadas com mudanças radicais nos contextos de mercado e laboral. Para ambas, há necessidade de adaptação constante, sair da zona de conforto, mudar o mindset, deixar de resistir à mudança. São factores críticos profundamente disruptivos. São as pessoas que possuem soft skills. Daí a importância das organizações adoptarem uma cultura de aprendizado contínuo, adaptação, crescimento e desenvolvimento pessoal, ou seja, desenvolver uma cultura team-centric, na qual, aprender – desenvolver – crescer, são aspectos da dinâmica do employer experience design.
Vários estudos demonstram a correlação entre soft skills, desempenho, criatividade e produtividade. O State of the Global Workplace, Gallup Survey, 2017, realizado em 155 países, mostra que na Europa, 85% das pessoas não estão comprometidas com o seu trabalho. Este estudo refere ainda que as empresas com sistemas de gestão e liderança orientadas para as necessidades humanas, como relações laborais positivas, reconhecimento, aprendizado contínuo e oportunidades de desenvolvimento pessoal, obtêm melhores resultados e maior engagement dos seus colaboradores.
O que são soft skills e que importância têm na performance e no desempenho?
A relação laboral é essencialmente uma relação emocional, trocada entre um conjunto de pessoas, com diferentes papéis na organização. Ora a natureza humana é gerida pela sua cognição, mas é o que sente que motiva a qualidade das suas acções e relações, mesmo as profissionais. James Heckman, prémio nobel da economia, afirma que “o sucesso é definido pelas soft skills”, estabelecendo uma correlação de causa-efeito entre soft skills e realização pessoal e profissional. O conceito de soft skills pode ser definido como o conjunto de qualidades, atitudes e comportamentos que caracterizam um bom líder e um membro valioso de uma equipa, no âmbito da sua actividade profissional, assim como nas relações intrapessoais e interpessoais, na vida pessoal e profissional. O engagement, motivação, performance, desempenho, e, por conseguinte, a produtividade, recebem impactos significativos de melhoria, através de uma política de desenvolvimento de soft skills. Soft skills são, portanto, características qualitativas, valores e forças intrínsecas (potenciais e talentos) e comportamentais, de uma pessoa ou de um conjunto de pessoas, como, por exemplo, uma equipa.
Como aumentar o engagement e a produtividade através da melhoria das soft skills?
É importante ter em conta o desejo fundamental do ser humano de fazer algo significativo, sentir-se digno e obter reconhecimento. Tendo presente este princípio, quando pessoas e empresas estão no seu nível mais elevado, as possibilidades e oportunidades adquirem um valor infinito, altamente activador de acção centrada em resultados. A implementação de uma cultura baseada em valores, acelera a dinâmica das soft skills, o que por sua vez se traduz numa visão consistente da organização, e propicia uma genuína vontade de contribuir.
Estes são quatros dos elementos que devem ter em conta as necessidades humanas:
• Construir uma cultura de alto desempenho, na qual as pessoas se sintam merecedoras, respeitadas e positivamente incentivadas;
• Vincular as funções e ações das pessoas aos objectivos da organização;
• Desenvolver os seus potenciais e talentos, não só na perspectiva da produtividade, mas também na melhoria das suas qualidades humanas e relacionais;
• Ter atenção e cuidado genuíno com as pessoas.
Elevar a consistência das soft skills acelera a concretização de resultados, com menos esforço, de forma mais constante e duradoura, fazendo da vida e do trabalho uma experiência aliciante e, por conseguinte, motivadora.
Um plano de formação estratégico, tailor made e devidamente elaborado, que inclua mentoring ou coaching responde a esta necessidade. A “guerra” pelo talento, e também todos os estudos recentes sobre engagement, produtividade ou inovação, chamam a atenção para a cada vez maior importância de não se descurarem as soft skills. Os programas mais inovadores de employer branding e employer experience contemplam esta abordagem. Em duas décadas de experiência, tenho testemunhado como a elevação das soft skills contribui para melhor gestão de stress, redução de conflitos, melhor gestão do tempo, aumento da motivação, redução de turnover, melhor equilíbrio entre vida pessoal e vida profissional, entre outras.
Qual o benefício destas melhorias? O bem-estar, nas pessoas. A produtividade, na organização!
Nota: A autora não segue o novo acordo ortográfico.