Isabel Moço é docente e coordenadora da Pós-Graduação em Gestão de Recursos Humanos da formação de executivos da Universidade Europeia. Ao longo da sua carreira desempenhou funções de board team member e integrou a direção de recursos humanos e formação em várias entidades. O InfoRH foi falar com a docente para ficar a par das novidades da pós-graduação em Gestão de Recursos Humanos que coordena.
Com a sua ampla experiência em RH, e no contexto atual, que aspetos considera determinantes no perfil de um responsável pela área de gestão de RH numa empresa?
Antes de mais tem de ser uma pessoa de pessoas e de paixão. Não obstante considerar que isso é o básico, tem de ter perspetiva estratégica, no sentido de que tudo o que se fizer tem de ser dentro três ingredientes fundamentais: as pessoas (de dentro e de fora), os contextos e o negócio. Estamos longe do “técnico de pessoal” e de processos vazios por não terem estes pilares. Nunca é uma pessoa que “passa pela chuva e não se molha” – tem de ser alguém com capacidade e vontade de se envolver, de se comprometer e, sobretudo, dotado de uma “resiliência empática”.
O employer branding de que tanto se fala para as empresas é realmente importante? Isso altera de alguma forma o conteúdo das vossas formações?
Sim, o employer branding é, de facto, muito importante. Na realidade acredito que um bom gestor de pessoas tem de ter “cliente” (entenda-se, interno e externo) no seu ADN. Esta característica é particularmente importante no contexto socioeconómico que atravessamos, pois revela-se fundamental para que se construa e mantenha uma marca de empregador com fiabilidade – isso coadjuvará um conjunto de processos de gestão de pessoas com muito proveito para todas as partes interessadas. Uma vez que os nossos programas são sempre reestruturados em função do que é mais determinante e impactante para o sucesso dos profissionais, estas abordagens têm de lá estar.
Em termos de conteúdos e metodologias de ensino quais lhe parecem ser os aspetos mais diferenciadores do vosso programa de formação? Sei que tem uma relação muito estreita com as empresas…
A velha discussão da separação entre Academia e Empregadores está na nossa universidade definitivamente ultrapassada. Na realidade, quando falamos na reestruturação/revisão dos programas e no planeamento das atividades letivas, o mundo empresarial está sempre presente. Na Pós-graduação em Gestão de Recursos Humanos a participação é ainda maior, pois conta com reputados e reconhecidos gestores do nosso mercado, o que permite uma abordagem muito focada na experiência e no “como fazer”, que é fonte de grande satisfação.
Que aspetos têm sido mais valorizados por quem frequenta este programa?
Fundamentalmente a riqueza do corpo docente e a articulação entre o conceptual e o prático. A dinâmica das aulas e os trabalhos realizados têm sido também muito valorizados – em vários módulos os alunos são convidados a refletir sobre as suas empresas e a conceber modelos, programas e projetos para as mesmas. Daí, já resultaram algumas “carreiras fulgurantes”…
Em termos de perfil, quem são os vossos alunos (média de idade, área de formação base)?
Nos quase 20 anos deste programa, e nas suas quase 40 edições, o perfil mais frequente é o jovem trabalhador que está consciente de que esta é a área em que pretende investir. Os nossos estudantes têm formação em áreas muito distintas, com grande predominância na gestão e nas ciências sociais e humanas. Contudo, já tivemos médicos, engenheiros civis ou agrónomos e até tradutores. Há também muitos profissionais “maduros e experientes” que sentem necessidade de se atualizarem. Esta diversidade é muito positiva pois contribui para o enriquecimento dos curricula dos nossos estudantes cujo grande objetivo é serem bons gestores de pessoas.
Tem alguma noção da percentagem dos pós-graduados em RH que tenham alterado o rumo das suas carreiras profissionais, tendo sido promovidos ou que tenham mudado de área?
Claramente. Todos os anos faço questão de mostrar isso aos novos estudantes, organizando seminários em que os alumni do programa vêm dar o seu testemunho. A pós-graduação em si não faz a carreira, mas tem-se revelado uma grande ajuda, pois as pessoas que a finalizam com sucesso ficam mais conhecedoras e, arriscaria a dizer, “mais experientes” pois acabam por conhecer vários casos e realidades que são profundamente enriquecedores.
Com honra digo que “já produzimos excelentes gestores de pessoas” e o mercado reconhece-o – é um enorme orgulho saber que conseguimos ajudar a concretizar o sonho e ambição de tantos.
Isabel Moço
A Pós-Graduação em Gestão de Recursos Humanos da Universidade Europeia, de carácter técnico transversal, visa dotar os estudantes das competências gerais de gestão de pessoas, chegando, em alguns domínios, ao aprofundamento e treino de competências técnicas específicas desta área da gestão.