O que há mais importante do que procurar uma melhor Cultura para as Organizações, que por sua vez proporcione uma maior Produtividade por parte dos colaboradores, mais Inovação por parte dos líderes, e que ao mesmo tempo aporte mais Felicidade para todos?
No passado mês de Julho fui contatada pela Direção do Projeto de Investigação: “Perspectivas sobre a Felicidade. Contributos para Portugal no World Happiness Report (ONU)”, que está a ser desenvolvido no CEFI da Universidade Católica Portuguesa em Lisboa. O Professor Jorge Humberto Dias, PhD Europeu em Filosofia e Coordenador deste Projeto, convidou-me para participar e partilhar a visão da MOLA em relação ao contributo que o Happiness Management, uma das nossas áreas de especialização, poderá ter nos índices de Felicidade no nosso país.
O Happiness Management é um novo modelo de gestão inovador no seu desenho e propósito, que visa o bem-estar, desenvolvimento, evolução e satisfação dos colaboradores e que tem como missão o reforço do vínculo: Pessoa-Empresa-Sociedade.
Um modelo que defende que o motor, a razão de ser e o objetivo principal do negócio, não é apenas ganhar dinheiro mas sim gerar verdadeira riqueza através da satisfação dos interesses dos coletivos integrantes, e do equilíbrio e co-responsabilidade entre estes e a própria atividade da Organização. Os efeitos positivos desencadeados podem ser apreciados na medida em que estes coletivos obtêm e integram uma visão mais sociológica dos comportamentos empresariais e menos economicista, no sentido meramente lucrativo.
O modelo empresarial de gestão unidirecional já não é válido nem efetivo a efeitos transversais. É necessário trazer esta verdade para o terreno e manter um compromisso multidirecional que inclua um processo recíproco entre os diferentes níveis dentro da Organização, que por sua vez vai ter um impacto social, pois já vimos que as empresas nascem, são constituídas e são direcionadas de, por e para as pessoas.
O que é o Happiness Management?
Trata-se de uma nova missão para a empresa competitiva que visa conseguir resultados quantitativos e qualitativos sustentáveis através da Gestão da Felicidade dos seus coletivos integrantes: colaboradores, clientes, stakeholders e por extensão a toda a comunidade relacionada. Neste sentido a soma de cada uma das partes aporta um significado maior ao todo.
As sinergias de cada um dos coletivos aportará por sua vez, uma mais-valia que vai proporcionar melhores resultados tangíveis (vendas, atenção ao cliente, compromisso, gestão e retenção do talento, notoriedade, rentabilidade, etc.) e intangíveis (clima laboral, comunicação interna e externa, aposta de acionistas, reputação e imagem na comunidade, etc.), assim como um maior índice de competitividade no mercado.
Assim, a Felicidade é um fator crítico para o posicionamento e a sustentabilidade das Organizações, para o seu Engagement e Employer Branding, porém torna-se uma prática fundamental na estratégia de negócio.
Quais os objetivos deste novo modelo de gestão?
. Identificar os indicadores que geram Felicidade e infelicidade para potenciá-los e eliminá-los respetivamente, através de um processo de “higienização”.
. Desenvolver uma liderança criativa, positiva e alinhada que promova uma Organização Feliz. Entender a importância das soft skills e da inteligência emocional no Desenvolvimento Humano de líderes e colaboradores e na potencialização dos seus recursos próprios, do seu potencial.
.Perceber a influência que têm os processos de Coaching e o autoconhecimento no desdobramento para uma Cultura Organizacional com base na Gestão da Felicidade.
. Fortalecer as competências organizacionais que permitam desenhar e conduzir equipas de alto desempenho, abertas à aprendizagem, e dispostas a desenvolver processos de transformação e mudança – Change & Innovation Practices –
. Possibilitar uma melhora sustentável do ambiente de trabalho através do compromisso, da motivação, da gestão do stress, da flexibilidade, do clima laboral e dos relacionamentos interpessoais, assim como da comunicação orgânica efetiva.
. Passar do: MAIS (fazer mais, obter mais, viver mais), ao MELHOR (fazer melhor, obter melhor, viver melhor). A Ultraprodutividade (produzir desde o nosso máximo potencial mas sem perder qualidade de vida), torna-se uma realidade diária.
. Transformar a empresa num ecossistema que tenha por objetivo o lucro com propósito através de propiciar Felicidade através de planos de ação específicos, que por sua vez vão melhorar os níveis de bem-estar e de eficiência das equipas.
É o Happiness Management uma nova prática?
Sim e não. No fundo, estamos a falar de algo muito back to basics: desenvolver um ambiente saudável e familiar que permita que todas as partes integrantes da empresa se sintam verdadeiramente bem no local de trabalho, tornando-se assim melhores pessoas e profissionais, através de uma Cultura Organizacional propulsora de uma experiência enriquecedora e feliz.
Uma Cultura Organizacional baseada no Work-Life One, supõe uma não divisão entre vida pessoal e profissional, e vá de encontro a esta nova era do Desenvolvimento Pessoal em que cada vez são mais as pessoas que procuram viver e trabalhar de forma integrada, de acordo com o seu próprio Propósito.
Transcender a dualidade de “sou uma pessoa diferente em casa e no trabalho” permite que cada pessoa possa SER quem verdadeiramente é.
Que as pessoas possam ser o que são nas Organizações e portanto na Vida, só é possível quando há um entendimento da importância dessa necessidade e consequentemente abertura para incorporar ferramentas, programas, ações e atividades consistentes que ajudam a que isso aconteça – Happy Work Tools –
O Happiness Management é essa abordagem transversal prática e vivida, que funciona como catalisador para a mudança na forma de trabalhar nas Organizações e que nos permite sair da utopia da Felicidade, tornando-a real, diária, presente. Uma Felicidade no trabalho que dá trabalho mas que permite alavancar o potencial de viver e trabalhar felizes, que já existe em todos nós.
Este é o verdadeiro output da implementação do Happiness Management, servir como chave mestra para todas as portas das Organizações sustentáveis e competitivas, as Organizações do futuro, aquelas Humanizadas.
Autora:
Rocío Cervino | CEO da MOLA-Human Lab