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José Galamba de Oliveira – Presidente da Accenture

IIRH Por IIRH
5 de Novembro, 2014
em PESSOAS
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José Galamba de Oliveira – Presidente da Accenture
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Começo esta entrevista perguntando-lhe: que funções assumiu em setembro de 1985, data em que passou a integrar os quadros da Accenture Portugal?

Em 1985, integrei os quadros da divisão de consultoria em sistemas de informação da Arthur Andersen (que em 1989 se converteria, através de um spinoff, na consultora Andersen Consulting e depois em 2001 na Accenture) com a categoria de analista. Na prática, e após uma formação interna de oito semanas em Lisboa, rumei para Madrid e integrei um projeto de desenho e implementação de um sistema de gestão comercial de uma grande empresa elétrica, desempenhando a função de DBA (database administrator). Regressei a Lisboa no início de 1988 já como consultor sénior para fazer parte da equipa que ficou com a responsabilidade de desenvolver o negócio no setor financeiro (banca, seguros e mercado de capitais) e que viria mais tarde a tornar-se a maior área de negócio da Accenture. Desde então são mais de 25 anos de experiência na área da consultoria de gestão e tecnologia em clientes nacionais e internacionais e muito centrados no setor financeiro e com funções diversas dentro da organização.

Em 2005, é nomeado presidente da Accenture Portugal, função que desempenha até à presente data. Que balanço faz destes oito anos à frente da Accenture Portugal?

O balanço é bastante positivo. Nestes oito anos assistimos a mudanças tremendas na sociedade, no mercado e nas organizações em Portugal e não só. A Accenture acompanhou essas transformações, adaptou-se na procura das respostas para as necessidades do mercado nacional e dos nossos clientes em Portugal. Arrancámos com a Accenture em Angola em 2006 e em Moçambique em 2012. Criámos centros de competência na área da tecnologia e dos processos que prestam serviços a partir de Portugal, no conceito nearshore, para alguns países do norte e centro da Europa. Contudo, certos aspetos mantêm-se imutáveis, como a missão, a visão e os princípios éticos que determinam a forte cultura empresarial e que nos distingue no mercado. Somos reconhecidos como uma organização especializada nos vários setores da indústria e funções de negócio. Procuramos estar sempre ao lado dos clientes com respostas concretas para as suas necessidades de maior competitividade e consequente melhoria do desempenho do seu negócio.

Pedia-lhe agora que nos situemos à presente data. Quantas pessoas tem a Accenture em Portugal?

Atualmente a Accenture Portugal conta com cerca de 1200 colaboradores. E trabalhamos com um ecossistema de parceiros que complementam os nossos serviços com mais de 400 pessoas.

E a nível mundial, o número de pessoas é de…

261 mil profissionais em mais de 120 países.

É também responsável por projetos no setor financeiro na geografia SPAI (Espanha, Portugal, África e Israel) e responsável máximo da Accenture em Moçambique. A internacionalização deverá estar nos planos dos empresários portugueses?

Desde 2008, sou responsável pelo Risk and Client Satisfaction Office para o setor financeiro na geografia SPAI e, desde 2012, responsável pelos negócios na Accenture em Moçambique. A aposta em Moçambique insere-se no âmbito de uma aposta global da Accenture em África (com a abertura de escritórios em diversos países) e fruto da boa experiência que obtivemos com o lançamento da Accenture em Angola em 2006 a partir da Accenture em Portugal, com um modelo de negócio e operacional bem adaptado à realidade destes países. Este fator é, de resto, decisivo no sucesso de uma internacionalização. Um estudo recente da Accenture indica que 95% dos executivos admitem que as suas empresas não possuem o modelo operativo correto para suportar uma estratégia de referência no contexto da internacionalização. Hoje, mais do que nunca, a internacionalização tem de estar nos planos dos empresários portugueses que mantêm a ambição de crescimento dos seus negócios. Mas, para que isso seja feito com sucesso, é fundamental uma preparação cuidada da estratégia de suporte à expansão internacional. Aceitar que o modelo nacional ou doméstico, por mais bem-sucedido que seja, precisa de ser moldado é o primeiro passo para se seguir no caminho certo, mas tendo sempre presente que ajustar uma ou outra capacidade da estratégia empresarial implica rever o modelo de forma integrada no sentido de garantir o seu correto alinhamento e funcionamento sinergético.

Face à situação de crise que Portugal atravessa, a força de trabalho tem vindo a ser reduzida na Accenture Portugal? Em caso afirmativo, quais as áreas que têm tido maior taxa de turnover?

Não, de todo, a nossa força de trabalho tem tido até ligeiros aumentos anuais. Temos, de facto, compensado alguma quebra de atividade em Portugal com a prestação de serviços para fora de Portugal. Mais recentemente, reforçámos o nosso posicionamento interno dentro do grupo Accenture, como prestadores de serviços nas áreas de tecnologia e processos no conceito de nearshore, e estamos neste momento a reforçar o nosso recrutamento e iremos atingir níveis de crescimento no curto prazo, mais significativos, da nossa força de trabalho.

Quais são as principais áreas de negócio da Accenture Portugal?

A Accenture Portugal tem vindo a apostar no desenvolvimento continuado dos seus serviços-base nas três grandes áreas de negócio da empresa: consultoria de gestão, tecnologia e outsourcing, complementado com apostas em iniciativas estratégicas que acreditamos serem alavancas importantes de suporte ao nosso crescimento futuro: a mobilidade, o analytics, o marketing digital, o cloud computing e a sustentabilidade. Esta estratégia foi pensada e desenvolvida graças ao conhecimento e visão de que a empresa dispõe relativamente à evolução e às tendências nos diversos setores de atividade nos quais operamos, fruto do seu empenho na investigação e resultado da experiência acumulada no mercado português e em toda a network global. Por outro lado, ao garantir elevados padrões de qualidade, um foco no valor para o mercado, o modelo de negócio global da Accenture permite disponibilizar aos clientes serviços e soluções inovadoras que os ajudam a concretizar os seus objetivos estratégicos.

Pode dar-nos alguns exemplos de empresas onde a Accenture Portugal tem desenvolvido projetos nestas áreas?

O que lhe posso dizer é que a Accenture serve clientes em todos os setores de atividade económica, colaborando com as principais organizações nas áreas da banca e seguros, saúde, comunicações e media, energia e utilities, distribuição e consumo, indústria, construção e transportes e alguns dos principais organismos da administração pública.

No mercado da consultoria, várias são as empresas que disponibilizam estes serviços. O que distingue a Accenture Portugal das suas congéneres?

O nosso posicionamento high performance business é a essência da estratégia de negócio da Accenture, pois permite reforçar a nossa diferenciação no mercado. Somos reconhecidos como uma organização altamente especializada, líder no setor da consultoria com um forte conhecimento de indústria, com capacidades e soluções tecnológicas inovadoras, que nos permitem aportar valor tangível aos nossos clientes para que estes, por sua vez, consigam alcançar ou manter níveis de alto desempenho nos seus setores de atividade. E somos também reconhecidos pela grande qualidade das nossas pessoas, que fazem a diferença todos os dias no mercado.

Na sua opinião, quais são as tendências dos vários setores de atividade?

Penso que as tendências variam de setor para setor, embora haja um conjunto de tendências que são comuns a todo o mercado. A preocupação pelo crescimento sustentável é uma delas. Já não chega ter como objetivo o crescimento a qualquer preço, muitas vezes instigado pelos mercados, é necessário que esse crescimento seja continuado e sustentável e por isso, na estratégia empresarial, é importante incluir, para além dos fatores económicos, também fatores sociais, ambientais e até culturais.

Numa perspetiva mais micro, vemos, por exemplo, uma preocupação em vários setores de chegar aos clientes de forma mais inovadora, tirando partido de novas tecnologias na área da mobilidade e de novas redes (sociais, profissionais, etc.). E não só no setor privado mas também no setor público, incluindo a administração pública, vemos uma constante preocupação pela eficiência dos processos e pela redução da fraude.

Como um bom exemplo de um projeto da Accenture em Portugal nesta área, gostaríamos de destacar o sucesso na implementação de um programa de transformação na área da saúde, que envolve um relacionamento com várias entidades do setor a nível nacional, o desenho de novos processos e de novas tecnologias para o tratamento anual de cerca de 80 milhões de documentos. O Centro de Conferência de Faturas do Serviço Nacional de Saúde (SNS), instalado na Maia desde 2010, foi pensado e desenvolvido com o objetivo de alcançar poupanças significativas para o setor da saúde através da redução da fraude e do controlo das prescrições médicas.

Hoje em dia, as organizações têm na sua agenda a responsabilidade social. Como é que a Accenture Portugal se posiciona sobre esta matéria?

A Accenture está totalmente empenhada em apoiar o desenvolvimento económico sustentável das comunidades em que desenvolve atividade, em continuar a apostar na sua estratégia de responsabilidade social e no compromisso ecológico. Temos uma estratégia ambiciosa de responsabilidade corporativa, consubstanciada num grande programa a que chamámos Skills to Succeed, que tem como objetivo o estabelecimento de parcerias estratégicas em todo o mundo para educar ou requalificar pessoas, preparando-as para o mundo de trabalho, e com metas bem quantificadas. Recentemente a Accenture anunciou que, até 2015, pretende dotar 500 mil pessoas em todo o mundo com as competências necessárias para arranjarem emprego e/ou iniciarem os seus próprios negócios, depois de ter já ultrapassado o seu objetivo inicial de impactar 250 mil pessoas a nível global.

Pode dar-nos alguns exemplos de práticas implementadas de responsabilidade social pela Accenture Portugal?

Ao longo dos últimos três anos, também a Accenture em Portugal tem vindo a alinhar uma grande parte da sua cidadania corporativa em torno da sua iniciativa Skills to Succeed. Nesse sentido, temos em curso parcerias com organizações como a Junior Achievement Portugal, com vista à disponibilização de formações na área de empreendedorismo a estudantes do ensino secundário, ou com a Fundação Calouste Gulbenkian para temas de requalificação de desempregados. Até hoje, mais de 350 voluntários da Accenture Portugal participaram em ações de formação de mais de 7000 alunos do ensino básico ao secundário, transformando conceitos-chave em mensagens que inspiram e os capacitam a acreditar em si mesmos.

Na vertente mais ecológica, criámos um sistema de gestão ambiental interno que revela o compromisso com o meio ambiente partilhado por toda a organização e somos uma empresa certificada com a norma ISO 14001 desde 2008.

A Accenture Portugal implementou o código de ética empresarial. Como se aplicam os valores declarados neste código de ética no dia a dia, para os clientes internos, clientes externos, fornecedores e acionistas?

O nosso código de ética empresarial reforça os nossos valores essenciais e reforça a nossa cultura de rigor, a nossa tomada de decisões éticas e a nossa responsabilidade final. Este código aplica-se a todo o pessoal da Accenture, administradores, diretores e colaboradores em todos os países, forças de trabalho e entidades. Além disso, as entidades externas, como consultores, agentes e contratados independentes, são obrigadas a cumprir o código ao atuarem em nome da Accenture. A ética empresarial é crucial para o sucesso da nossa empresa, porque é um pilar-chave para a confiança e a transparência. Estes valores, por sua vez, criam o ambiente certo para os nossos colaboradores, clientes, fornecedores, investidores e para as comunidades em que trabalhamos. São fundamentais para o nosso trabalho e o nosso modo de vida em todo o mundo. O código de ética empresarial da Accenture mostra como podemos construir o ambiente certo. Através de «declarações de ação» específicas, capta a forma como colocamos em prática os nossos valores e princípios essenciais e o que devemos fazer para cumprir a lei.

Se me permite, gostaria de abordar agora as temáticas de capital humano e do recrutamento na Accenture Portugal. Na sua opinião, que importância tem o capital humano na Accenture Portugal?

O desenvolvimento do capital humano com vista a alcançar um alto desempenho é, desde sempre, mais do que uma tradição, uma caraterística fundamental da nossa empresa. Aliás, a formação de competências e o desenvolvimento profissional estão no foco da nossa atividade e, como tal, temos como objetivo ajudar os nossos clientes bem como as comunidades onde nos inserimos.

A Accenture Portugal tem um elevado grau de exigência no recrutamento e seleção de novas pessoas. Concorda com esta afirmação? O que distingue a Accenture Portugal nesta área tão nuclear das organizações?

Sim, concordo. Com inúmeras oportunidades de formação e desenvolvimento profissional, a Accenture proporciona aos recém-graduados um ótimo local para iniciar uma carreira desafiante que começa num processo de recrutamento que procura fazer corresponder as pessoas às oportunidades a que melhor se adequam. O nosso processo de recrutamento ajuda a garantir o ajustamento correto entre as necessidades da Accenture e as competências dos profissionais que estão a ser selecionados, por isso temos um grau de exigência elevado. Tendo como base de partida uma abertura para uma multiplicidade de perfis académicos, os aspetos verdadeiramente diferenciadores nos perfis de candidatos que recebemos e que acabamos por contratar recaem essencialmente sobre caraterísticas comportamentais e de atitude, que privilegiamos, e a experiência profissional relevante na área, quando se trata de contratações com experiência. Somente na conjugação destas caraterísticas pensamos conseguir obter bons líderes e inspiradores de equipas.

Quais são as diversas fases que um candidato tem de ultrapassar para ser admitido na Accenture Portugal?

Para o recrutamento de recém-licenciados, que de resto é a maioria do nosso recrutamento, um elemento da equipa de recrutamento contacta o candidato para falar sobre o seu currículo e convida-o para uma sessão de testes psicotécnicos para avaliar as suas aptidões ou para uma primeira entrevista para poder analisar os seus interesses e experiência. Nesta interação, o candidato tem também a oportunidade de obter informações adicionais sobre o cargo ao qual se candidata para ter uma noção de como é trabalhar na Accenture. Caso seja selecionado passa à fase seguinte, na qual será entrevistado de forma mais aprofundada por executivos da Accenture. A última fase do processo de recrutamento consiste num curso de integração, uma experiência formativa em sala com a duração de vários dias, que pretende proporcionar o conhecimento essencial para o candidato iniciar a sua carreira na Accenture.

Um dos temas que mais preocupa as organizações é o da captação e retenção de talentos. Quais são as práticas que a Accenture Portugal tem sobre esta matéria?

Sim, sem dúvida. Um estudo global realizado pela Accenture em mais de 100 empresas líderes na gestão de recursos humanos conclui que, na hora de gerir o talento, as soluções únicas e estandardizadas já não valem. Para serem competitivas e maximizar o desempenho do conjunto dos seus profissionais, as empresas têm de conhecer e dar resposta às expectativas e particularidades dos seus colaboradores. Hoje em dia, as pessoas esperam – e inclusivamente exigem – uma experiência individualizada no trabalho, baseando-se nas suas próprias vivências personalizadas. Várias empresas já estão a conseguir alcançar o máximo desempenho dos seus profissionais mediante a adoção de um enfoque individualizado para a gestão do talento, tratando cada colaborador como se fosse uma equipa constituída por um só elemento.

No caso da Accenture temos uma prática que temos vindo a consolidar ao longo dos anos e que nos coloca como uma empresa líder na captação e retenção de talentos. Desenvolvemos processos de recrutamento que nos permitem comprovadamente captar os melhores candidatos junto das mais prestigiadas instituições de ensino e temos também uma proposta de valor para cada profissional que vai ao encontro das suas expectativas e ansiedades.

Em tempos de crise, as organizações fazem uma aposta muito forte na formação contínua, como forma de valorizar ou atribuir mais competências às suas pessoas. Como aborda a Accenture Portugal este tema?

Na Accenture sabemos que desenvolver as competências e o talento dos nossos colaboradores é central ao nosso negócio. E isso é o que fazemos todos os dias e fazemo-lo independentemente de tempos de maior ou menor crescimento. Desde sempre que a Accenture é considerada uma «empresa escola», pois colocamos os aspetos relacionados com a formação e desenvolvimento profissional no centro das nossas políticas de recursos humanos. A Accenture dispõe de programas de formação destinados a dotar os colaboradores das qualificações empresariais, técnicas e comportamentais necessárias para o desempenho das suas funções. Possuímos um plano curricular de formação organizado especificamente para o desenvolvimento de competências profissionais em cada setor de atividade e área funcional, possibilitando aos colaboradores desenvolverem aptidões interpessoais, profissionais, de gestão e de liderança que lhes permitem cumprir com sucesso os objetivos dos projetos apresentados ao longo da sua carreira e desempenhar funções com a máxima eficácia.

Na Accenture Portugal, um dos aspetos mais apreciados pelas pessoas no processo de avaliação de desempenho é o facto de incluir uma avaliação de baixo para cima. Quer comentar?

O método de avaliação 360º é um método de avaliação a que todos os nossos líderes ou membros do nosso grupo de executivos são sujeitos. É, acima de tudo, uma excelente oportunidade para cada um de nós ter a perspetiva sobre o nosso desempenho dada não só pelos nossos supervisores, mas também pelos nossos colegas na categoria e pelos colaboradores sob nossa supervisão. É uma ferramenta muito útil para identificar pontos de melhoria numa perspetiva pessoal e profissional.

Qual o envolvimento do counselor ou do mentor no processo de avaliação de desempenho?

O career counselor é um profissional mais experiente assignado a cada colaborador para lhe fornecer orientação e aconselhamento sobre o desenvolvimento da sua carreira, quer em termos de oportunidades de aprendizagem quer em crescimento profissional. É, por isso, alguém sem a responsabilidade direta de avaliar mas disponível para apoiar o colaborador na análise das suas avaliações, acompanhando, orientando e ajudando o colaborador a desenvolver o seu potencial, inspirando-o.

Quando um candidato passa nas várias fases de recrutamento e seleção da Accenture Portugal e é integrado nos seus quadros de pessoal, que perspetivas tem de evolução na carreira profissional?

Assumimos o compromisso de oferecer aos nossos profissionais os melhores planos de carreira, desde o processo de recrutamento aos programas de formação e de desenvolvimento profissional para cada área, nível e competências existentes na organização. A dimensão global da Accenture e o conjunto diversificado de serviços que disponibilizamos proporcionam oportunidades para os nossos colaboradores viverem diferentes experiências profissionais, em vários ambientes e numa grande multiplicidade de funções e com ritmos de evolução de carreira alinhados com as aspirações de cada um.

É caraterístico no setor da consultoria o sistema up-or-out na progressão da carreira e a Accenture Portugal já o pratica há algum tempo, com elevado sucesso. Na sua opinião, como o justifica?

A carreira up-or-out é, de facto, a carreira típica no setor da consultoria e é a carreira mais associada aos nossos profissionais das áreas da consultoria de gestão e tecnologia. Nestas áreas de negócios, temos uma estrutura em pirâmide e objetivos de evolução na carreira bem quantificados. Esta carreira é uma carreira muito exigente, que tem como objetivo a procura constante por parte de cada um em se superar quer em termos técnicos quer em termos pessoais.

Mas na Accenture temos também uma outra carreira, que denominamos perform-or-out, e que é tipicamente uma carreira mais associada aos nossos profissionais das áreas de outsourcing de tecnologia e processos. Nestas carreiras, a preocupação de cada profissional tem a ver com o seu desempenho na função que lhe está atribuída sem a preocupação permanente relacionada com a promoção e consequente evolução na carreira.

As organizações preocupam-se cada vez mais com a implementação de ferramentas, no foco da meritocracia e do reconhecimento das suas pessoas. Na Accenture Portugal, como se avalia e premeia o mérito?

A Accenture Portugal está empenhada em atrair e reter os melhores profissionais, assim como em proporcionar um ambiente no qual todos os colaboradores possam desenvolver uma carreira gratificante. Como resultado, criamos um ambiente de trabalho enriquecido pela diversidade em que é reconhecida a singularidade de cada pessoa, o que promove o respeito, a realização pessoal e o compromisso com as gerações futuras. A proposta de valor para cada colaborador assenta na promoção da sua realização profissional. A estrutura e abordagem de um plano transversal de desenvolvimento de carreiras e o modelo de aprendizagem contínua permitem aos colaboradores posicionarem-se para futuras funções e responsabilidades. Existe um programa de desenvolvimento profissional que estabelece uma abordagem concreta para a gestão de carreiras, gestão de desempenho, compensação e benefícios e desenvolvimento de competências de todos os colaboradores da organização. A progressão na carreira é feita com base num sistema de avaliação do desempenho que destaca os pontos fortes e as áreas a desenvolver por cada colaborador, de modo que possam melhorar, progredir e assumir novas responsabilidades no futuro.

A Accenture Portugal tem práticas implementadas de mentoring. Fale-nos das suas vantagens competitivas.

Dois dos valores fundamentais da Accenture – «os melhores profissionais» e «respeito pelo indivíduo» – constituem a base dos nossos esforços de diversidade e inclusão e são também a base do nosso mentoring, no qual os nossos profissionais têm a oportunidade de ter o aconselhamento de um profissional mais experiente.

O ambiente de trabalho tem um impacto muito forte no desempenho profissional de cada pessoa. O ativo mais importante são as pessoas, e pessoas satisfeitas e felizes são mais produtivas. Pode-nos dar a visão que a Accenture Portugal tem sobre este tema?

Acreditamos que as pessoas têm um melhor desempenho quando mostram um grau de satisfação e compromisso com a empresa e, nesse sentido, na Accenture estamos empenhados em proporcionar um ambiente de trabalho onde os nossos colaboradores possam alcançar o seu pleno potencial. Para tal, promovemos inúmeras ações, como as formações no desenvolvimento de competências de liderança e diversidade, programas de mentoring e coaching e iniciativas destinadas a colaboradores que partilham interesses e caraterísticas comuns.

A Accenture Portugal pratica a política de porta aberta. Que feedback têm tido das vossas pessoas?

De facto, a cultura informal que se vive na empresa é algo que as nossas pessoas muito valorizam. A comunicação interna é um dos fatores-chave que se utiliza para motivar o coletivo de profissionais e receber as suas opiniões e sugestões. A forma mais próxima de comunicação é o sistema de porta aberta que permite receber o colaborador a qualquer hora que seja necessário. Todos os gabinetes da equipa executiva encontram-se realmente de porta aberta, ou seja, para a comunicação interna não existem hierarquias.

Na atual conjuntura, tem sentido uma retração por parte dos clientes ou, pelo contrário, existe uma maior procura pelos serviços de consultoria?

A crise económica e as mais recentes medidas de austeridade têm levado as empresas a adiar os seus investimentos, pelo que se prevê que os próximos anos sejam ainda de retração ou de estagnação na procura de serviços de TI e em especial para aquelas empresas ou setores muito virados para o mercado interno. Apesar de tudo, acreditamos que o país não entre numa espiral recessiva e que existam empresas capazes de tirar partido desta situação para se prepararem para o próximo ciclo de crescimento económico. Todas as crises são compostas de oportunidades e, apesar do forte receio que temos vindo a sentir junto da comunidade empresarial, estamos convictos de que existirão oportunidades de otimização de processos ou de crescimento internacional, nas quais a Accenture poderá ter um papel-chave enquanto parceiro e contribuir com o seu know-how.

Dando um cunho mais pessoal à entrevista, pedia-lhe para descrever aos leitores da RH Magazine o seu dia a dia.

Uma das vantagens da nossa profissão é que não temos um dia a dia típico, no máximo semanas típicas. De facto, o meu tempo é dividido ao longo da semana entre três grandes tarefas: a representação institucional da Accenture no mercado, o apoio à atividade comercial a clientes e a gestão interna do nosso negócio. Isto implica muitas reuniões de trabalho em clientes mas também internas e, neste caso, muitas vezes reuniões virtuais com o apoio da tecnologia (videoconferência, conference calls, etc.).

Face às múltiplas solicitações que um gestor de topo tem, como concilia a sua vida pessoal com a vida profissional?

Não é fácil e exige uma enorme motivação para aquilo que faço, uma grande organização pessoal e uma grande harmonia e cumplicidade com a minha família. E muita disciplina. Penso que é, no entanto, um processo de aprendizagem contínuo, que me mantém atento para que nenhuma destas vertentes fique desequilibrada.

Termino esta entrevista pedindo-lhe: que conselho dá aos jovens que entram para o mundo da consultoria?

Que aproveitem as oportunidades e que deem o melhor de si mesmos. Que encontrem as caraterísticas que os podem diferenciar e que capitalizem sobre elas em prol do sucesso da organização em que trabalham (ou em que vão trabalhar) e das equipas que vão integrar ou liderar. Que procurem e partilhem conhecimento. Que não tenham medo de inovar nem de aceitar desafios. Que procurem, um dia, deixar um legado.

(Entrevista publicada na RH Magazine – 2013)

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