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centenária Zurich iniciou as operações em Portugal em 1950 com aquisição de 95% do capital da Metrópole, uma seguradora fundada em 1918 na cidade de Lisboa. Foi a presença de capital estrangeiro que salvaguardou a Metrópole da onda de nacionalizações de 1975, e, até 1998, a multinacional suíça operou no mercado português com esta chancela.
O crescimento e a diversificação do negócio passaram pela aquisição da Eagle Star (1998), da Deutsche Bank Vida (2002) e, no ano do seu centenário, a Zurich Portugal contava com uma rede constituída por mais de 800 pontos no país.
Atualmente, a empresa tem 564 colaboradores em território nacional e há muito que definiu como missão na Gestão de Pessoas ser “Top Employer” em Portugal.
Nuno Oliveira, Chief People & Culture Officer, entrou na Zurich Portugal em 2014 e, na sua pesquisa sobre a evolução do departamento de Recursos Humanos da seguradora concluiu que este se desenvolveu de forma semelhante à da maioria das grandes empresas nacionais. Foi durante muitas décadas uma área completamente direcionada para a gestão de pessoal, gerida pelo responsável que se encarregava das componentes administrativas, processuais e legais dos colaboradores.
“Creio que a função de Recursos Humanos foi evoluindo na Zurich Portugal ao longo dos últimos 25 anos, muito ligada à forma como os diferentes CEO perspetivavam a gestão do negócio e das pessoas. No período em que nos estamos a debruçar, tivemos dois CEO internacionais e dois portugueses. O CEO da viragem vivia e respirava a cultura Zurich e era suíço.”
Mais tarde, o CEO que o substituiu em 2007, um português com um perfil predominantemente comercial, acabou por precisar do suporte da área de Recursos Humanos (ainda muito focada na gestão do pessoal) para desenvolver outras áreas. Esta nova direção impulsionou o crescimento desta divisão, ao alargar a sua área de atuação, primeiro para a formação – até então sob a alçada do departamento comercial – e depois para o desenvolvimento das áreas de talent acquisition e talent management, gestão de compensações e benefícios.
Sendo uma atividade regulada através da contratação coletiva, o próprio desenvolvimento da Gestão de Recursos Humanos esteve também ligado à forma como a contratação coletiva evoluiu ao longo destes 25 anos e, só em 2019, foi assinado o primeiro Acordo Coletivo de Trabalho Zurich, um marco importante para a paz social na empresa.
Da gestão processual para a gestão estratégica
É durante a gestão do anterior CEO da Zurich (2007/2022) que é iniciada a transformação dos RH, com intuito de passar de uma gestão muito orientada para os processos, para uma gestão estratégica.
Nuno Oliveira resume a evolução dos últimos 20/30 anos com a passagem do serviço de gestão de pessoal para uma unidade de RH e, nos últimos anos, para uma unidade de pessoas e cultura.
O departamento passou a ter um modelo de organização integrado que promove uma visão mais transversal por parte de cada elemento da equipa e é capaz de tirar partido das sinergias dentro do grupo multinacional.
O desenvolvimento dos canais de comunicação tem tido um papel crucial na capitalização das mais-valias de fazer parte de um grupo presente em 200 países e territórios e com mais de 60 mil colaboradores.
Em 2022, com a tomada de posse da nova CEO, foi definida a visão, a estratégia e a ambição da Zurich ser reconhecida como empregadora de topo, sendo o processo de certificação pela Top Employer um dos pontos cruciais dessa estratégia. O objetivo é “reter e atrair os melhores, trabalhando a imagem quer ao nível interno, quer do mercado”, refere Nuno Oliveira.
O People & Culture Officer continua a apostar no incremento de oportunidades de carreira dentro do grupo internacional e de ferramentas (incluindo de Inteligência Artificial) que proporcionem a autonomia e a flexibilidade que caracterizam a cultura Zurich. O atual regime de trabalho híbrido começou a ser testado antes da pandemia com o “flex work at Zurich” e tem implicado a implementação de ferramentas capazes de promover a produtividade, a eficiência e o acompanhamento. Para Nuno Oliveira, o atual modelo de trabalho requer muito mais comunicação entre a equipa e capacidade de liderança das chefias, e tem sido esta a preocupação da sua unidade. As preocupações focam-se em criar um ambiente de trabalho saudável e na criação e aperfeiçoamento dos meios necessários para que os colaboradores respondam com agilidade aos desafios do mercado e às necessidades dos clientes com o nível de excelência Zurich, que tem sido premiado e reconhecido ao longo dos seus 152 anos de história.
Artigo publicado na edição 155 da RHmagazine, referente aos meses de novembro e dezembro de 2024
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