Fala-se cada vez mais de mobilidade profissional, de mudanças de carreira e de trabalhadores dispostos a trocar de empresa em busca de melhores condições. Contudo, uma parte significativa do mercado de trabalho português parece seguir um caminho diferente. Há 1,39 milhões de profissionais que estão no mesmo emprego há mais de 20 anos. Estes trabalhadores representam 25,7% do total de pessoas empregadas em Portugal.
O número é um dos destaques da análise divulgada pela Randstad Research sobre o segundo trimestre de 2026, com base nos dados do Inquérito ao Emprego do Instituto Nacional de Estatística, e surge num momento em que o mercado de trabalho português atingiu novos máximos. A população ativa ultrapassou, pela primeira vez, os 5,7 milhões de pessoas e o número de empregados aproximou-se dos 5,4 milhões.
A proporção de trabalhadores com mais de 20 anos de antiguidade tinha vindo a aumentar até à pandemia. A partir de 2020, iniciou uma trajetória descendente, que parece agora ter estabilizado.
“Os dados do segundo trimestre de 2026 revelam um mercado de trabalho muito resiliente, que alcançou recordes históricos na população ativa. É particularmente interessante o nosso novo destaque: o facto de um em cada quatro profissionais estar há mais de 20 anos na mesma empresa. Estes são sinais de estabilidade, assente tanto na experiência acumulada como na capacidade de adaptação dos profissionais. O grande desafio passa agora por continuar a apostar na formação continuada para acompanhar a evolução das empresas”, afirma Isabel Roseiro, Diretora de Marketing da Randstad, citada em comunicado.
Os restantes indicadores do trimestre reforçam a imagem de um mercado de trabalho em expansão. A população ativa aumentou em 53,5 mil pessoas entre abril e junho, ultrapassando pela primeira vez a barreira dos 5,7 milhões. Em termos homólogos, o crescimento foi de 2,2%. O emprego cresceu em 99 mil pessoas, aproximando-se dos 5,4 milhões de profissionais. A taxa de emprego fixou-se nos 58,3%.
Também o desemprego recuou. O número de desempregados diminuiu em 45,5 mil pessoas, para 300,8 mil, uma descida homóloga de 8,7%. A taxa de desemprego fixou-se nos 5,3%.
A estabilidade contratual continua igualmente a ser dominante. Dos 4,57 milhões de trabalhadores por conta de outrem, 85,5% têm contrato sem termo.
Os números que ainda preocupam
Mas os números globais não eliminam as diferenças dentro do mercado de trabalho. A taxa de desemprego entre os jovens dos 16 aos 24 anos desceu para 18,3%, mas continua a ser mais de três vezes superior à média nacional. Ao mesmo tempo, 40,2% das pessoas desempregadas procuram trabalho há mais de um ano.
Se os indicadores mostram mais pessoas a trabalhar, a composição da população empregada continua a expor alguns dos desafios do país. Quase três em cada 10 trabalhadores em Portugal têm um baixo nível de qualificação, considerando-se neste grupo quem possui, no máximo, o ensino secundário obrigatório. A proporção é cerca do dobro da média da União Europeia. No extremo oposto, 36,1% dos profissionais empregados têm o ensino superior completo e apresentam uma taxa de emprego de 81,3%.
Teletrabalho volta a subir
O segundo trimestre trouxe ainda uma recuperação do teletrabalho, depois da descida registada no início do ano. O número de profissionais a trabalhar à distância aumentou em 33,1 mil pessoas, abrangendo agora 1,15 milhões de trabalhadores (21,3% da população empregada).
O modelo híbrido consolidou-se como a modalidade mais comum entre quem trabalha remotamente: 40,8% dos teletrabalhadores conjugam o trabalho presencial com o trabalho a partir de casa. Apenas a Península de Setúbal e a Grande Lisboa registam níveis de teletrabalho acima da média nacional.
Também o emprego nas administrações públicas continuou a crescer, ultrapassando os 768 mil profissionais, mais 1% do que no mesmo período do ano anterior. As áreas da saúde e da educação concentram 37,2% do emprego público.
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